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Saída do MEI pode exigir migração para outro regime tributário

Receita Federal exclui milhões de MEIs e intensifica fiscalização. Veja riscos, regras e como evitar problemas.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana4 min de leitura
MEI

O MEI está passando por uma mudança importante no Brasil. A Receita Federal intensificou a fiscalização e já excluiu milhões de registros que não atendiam mais às regras do regime simplificado.

Esse movimento afeta diretamente quem é microempreendedor individual e pode resultar em perda de benefícios, cobrança de impostos retroativos e até multas pesadas. Entender o que está acontecendo agora é essencial para evitar problemas.

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Nos últimos anos, a Receita apertou o controle sobre o MEI e iniciou uma revisão ampla dos cadastros.

Em 2025, cerca de 3,9 milhões de MEIs foram excluídos do SIMEI, sistema tributário do regime.

A maior parte desses casos envolvia:

  • Empresas inativas ou abandonadas
  • Falta de cumprimento de obrigações básicas
  • Negócios sem movimentação real

Somente nesse grupo, foram mais de 3,7 milhões de exclusões.

Faturamento acima do limite virou o maior motivo de desenquadramento

Outro motivo que cresceu muito foi o excesso de faturamento.

O MEI tem um limite anual de:

  • R$ 81 mil por ano

Quem ultrapassa esse valor precisa obrigatoriamente migrar para outro regime, como microempresa.

Em 2025, os números mostram o tamanho do problema:

  • 18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%
  • 60.637 ultrapassaram em até 20%
  • 3.720 excederam já no primeiro ano

No total, mais de 83 mil empresas foram desenquadradas por esse motivo.

Fiscalização digital mudou completamente o controle

O grande diferencial da nova fase é o uso de tecnologia.

A Receita Federal passou a cruzar dados automaticamente, o que aumentou muito a capacidade de identificar irregularidades.

Hoje, o sistema analisa informações como:

  • Transações via PIX
  • Pagamentos com cartão
  • Dados de maquininhas
  • Vendas em marketplaces
  • Movimentações bancárias (e-Financeira)

Isso significa que esconder faturamento ficou muito mais difícil.

Em 2024, mais de 571 mil MEIs já haviam sido excluídos com base nesse tipo de cruzamento de dados.

Quando a irregularidade pode virar crime

Nem todo erro é considerado fraude. Mas quando há intenção de omitir informações, a situação muda de nível.

Entre as práticas mais identificadas estão:

  • Dividir faturamento em vários MEIs
  • Usar contas diferentes para esconder receita
  • Declarar menos do que realmente faturou
  • Não registrar pagamentos recebidos

Nesses casos, o problema pode ser enquadrado como crime contra a ordem tributária.

As consequências podem incluir:

  • Multas elevadas
  • Cobrança de impostos atrasados
  • Pena de prisão de 2 a 5 anos

O impacto financeiro pode ser alto

Quem é desenquadrado do MEI pode enfrentar uma série de cobranças.

Entre os principais efeitos:

  • Cobrança retroativa de impostos
  • Multas que podem chegar a 75% do valor devido
  • Exclusão do Simples Nacional

Se o faturamento ultrapassar mais de 20% do limite, o enquadramento muda retroativamente desde janeiro do ano da infração.

Isso pode gerar uma dívida significativa.

Como evitar cair na fiscalização da Receita

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Com o novo nível de controle, o cuidado com a gestão financeira precisa ser maior.

Algumas práticas essenciais incluem:

  • Controlar o faturamento mensal com precisão
  • Separar contas pessoais e empresariais
  • Registrar todas as entradas e saídas
  • Usar corretamente PIX e maquininhas
  • Emitir notas fiscais sempre que possível

Essas medidas ajudam a manter o negócio regular e evitam problemas futuros.

Planejamento virou obrigação para quem quer crescer

Muitos MEIs acabam sendo excluídos porque crescem — e isso não é um problema, desde que seja planejado.

Se o faturamento está próximo do limite, o ideal é:

  • Avaliar a migração para microempresa
  • Buscar orientação contábil
  • Ajustar o regime tributário antes de estourar o teto

Essa mudança evita multas e garante continuidade do negócio.

O que fazer se você já foi excluído

Caso o MEI tenha sido desenquadrado, é importante agir rápido.

Os primeiros passos são:

  • Verificar o motivo da exclusão
  • Regularizar pendências
  • Avaliar novo enquadramento tributário
  • Buscar apoio de um contador

Em alguns casos, ainda é possível corrigir erros e evitar penalidades maiores.

Conclusão: o MEI continua vantajoso, mas exige mais controle

O MEI ainda é uma das formas mais simples de formalização no Brasil, mas deixou de ser “automático”.

Com a fiscalização digital da Receita Federal, o nível de exigência aumentou.

Quem mantém organização financeira e acompanha o faturamento continua aproveitando os benefícios. Já quem ignora as regras pode enfrentar consequências sérias.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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