Microempreendedores individuais (MEIs) têm como principal vantagem a simplicidade na tributação e nas obrigações fiscais. No entanto, com o crescimento do negócio, é comum que o faturamento anual ultrapasse o teto estabelecido por lei. Em 2025, esse limite permanece em R$ 81 mil. Quando isso acontece, o empreendedor precisa migrar para um novo regime tributário.
MEI ultrapassou limite? Veja como mudar para o Simples Nacional e fugir da multa
Saiba o que fazer quando o faturamento do MEI ultrapassa o teto permitido. Entenda como funciona o desenquadramento.
Essa mudança exige atenção, pois envolve novos procedimentos fiscais, possíveis cobranças retroativas e obrigações acessórias mais complexas. O processo é chamado de desenquadramento do MEI e pode ocorrer de forma automática ou voluntária.

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Quando ocorre o desenquadramento do MEI
Estouro do limite em até 20%
Se o faturamento anual ultrapassar até 20% do limite (ou seja, até R$ 97.200), o MEI é desenquadrado, mas mantém os benefícios do regime durante o ano em que houve o excesso. A mudança para outro regime ocorre no ano seguinte.
Nesse caso, o empreendedor deve comunicar o desenquadramento à Receita Federal e optar por um novo regime tributário, como o Simples Nacional, no início do ano subsequente.
Estouro acima de 20%
Caso o faturamento ultrapasse os 20% do teto, a situação muda. O desenquadramento é retroativo ao mês em que houve o excesso, o que gera recolhimento de impostos com alíquotas diferentes e pode resultar em dívidas tributárias.
Por isso, é essencial que o empresário acompanhe mensalmente seu faturamento e se prepare financeiramente para uma possível transição.
Como é feito o processo de desenquadramento
Comunicação à Receita Federal
O primeiro passo é comunicar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional. Essa etapa é obrigatória e deve ser feita imediatamente após constatar que o limite foi ultrapassado.
O próprio sistema informa a data de efeito do desenquadramento e orienta sobre os próximos passos. A omissão dessa informação pode gerar multas e complicações futuras com o Fisco.
Escolha do novo regime
Com o desenquadramento, o empreendedor pode optar por regimes tributários como:
- Simples Nacional
- Lucro Presumido
- Lucro Real
O Simples Nacional é o caminho mais comum para quem sai do MEI, pois oferece uma transição mais simples e alíquotas relativamente baixas. Contudo, ele exige contabilidade regular e a contratação de um contador.
Formalização da nova empresa
Ao sair da categoria de MEI, o CNPJ permanece o mesmo, mas a empresa deixa de ter a designação de microempreendedor individual. A razão social e a natureza jurídica também são atualizadas, passando a ser, por exemplo, uma microempresa (ME).
Além disso, a emissão de notas fiscais, o pagamento de tributos e a entrega de declarações tornam-se mais complexas e frequentes.
Impactos financeiros da mudança de regime
Aumento da carga tributária
O MEI paga um valor fixo mensal, que gira em torno de R$ 70 a R$ 80. Ao migrar para outro regime, os tributos são calculados com base no faturamento e podem representar uma porcentagem significativa da receita, dependendo da atividade e do regime escolhido.
Além disso, se o desenquadramento for retroativo, o empresário pode ter que recolher tributos referentes aos meses anteriores, com juros e multa.
Necessidade de contabilidade
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Diferente do MEI, que não exige contador, o novo regime impõe a necessidade de escrituração contábil. Isso representa um custo adicional mensal, além da responsabilidade de manter a documentação fiscal e contábil em dia.
Cuidados para evitar problemas
Acompanhamento do faturamento
É essencial que o empreendedor acompanhe mensalmente seu faturamento bruto para saber se está se aproximando do limite permitido. Ferramentas de gestão e emissão de nota fiscal eletrônica podem ajudar nesse controle.
Planejamento tributário
Antes de ultrapassar o limite, o ideal é conversar com um contador de confiança e realizar um planejamento tributário. Isso ajuda a antecipar os custos e a evitar surpresas com tributos retroativos.
Formalização correta
Ao fazer a transição, todos os passos legais devem ser seguidos. Isso inclui atualizar dados na Junta Comercial, solicitar nova inscrição estadual ou municipal (se necessário) e registrar o novo enquadramento tributário.
Perspectivas para os próximos anos
Há discussões no Congresso sobre a elevação do teto de faturamento do MEI para R$ 144 mil, o que beneficiaria uma ampla faixa de pequenos empreendedores. Contudo, ainda não há previsão de aprovação ou implementação da medida.
Enquanto isso, os empresários devem trabalhar com o limite vigente e se preparar para crescer de forma sustentável, respeitando a legislação vigente.
Considerações finais

O crescimento de um negócio é sempre positivo, mas exige atenção às obrigações legais e fiscais. Quando o faturamento ultrapassa o teto do MEI, é fundamental agir com rapidez e responsabilidade. A transição para um novo regime pode ser desafiadora, mas também representa uma etapa importante de profissionalização e amadurecimento do empreendimento.
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