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Saiba o que fazer se ultrapassar o limite de faturamento do MEI

Mais de 570 mil MEIs ultrapassaram o limite de R$ 81 mil em 2024. Veja como regularizar sua situação e migrar para o Simples Nacional.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
MEI

O ano de 2024 trouxe uma surpresa positiva — e, para muitos, preocupante — para o universo dos Microempreendedores Individuais (MEIs) no Brasil. Segundo dados da Receita Federal, cerca de 570 mil MEIs ultrapassaram o limite de faturamento de R$ 81 mil anuais, número quase 30 vezes maior que o registrado em 2023.

Esse aumento, apesar de refletir um cenário econômico aquecido e uma maior movimentação no setor de microempreendimentos, também acende um alerta: o desenquadramento do regime de MEI e a necessidade de migração para o Simples Nacional.

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O que é o limite de faturamento do MEI?

MEI limite
Imagem: Freepik e Canva

Valor máximo permitido para continuar no regime

Para manter-se como MEI, o microempreendedor precisa respeitar o limite de R$ 81 mil de receita bruta anual, o que equivale a aproximadamente R$ 6.750 por mês. Esse valor é proporcional ao tempo de formalização, ou seja, quem abriu o CNPJ no meio do ano, por exemplo, terá um teto ajustado aos meses em que atuou.

Já para o MEI Caminhoneiro, categoria criada especificamente para transportadores autônomos, o limite é bem maior: R$ 251.600 por ano.

O que acontece se o limite for ultrapassado?

O excedente de faturamento é o ponto-chave para o desenquadramento. Se o MEI ultrapassar em até 20% o valor permitido (isto é, até R$ 97.200), ele será automaticamente desenquadrado no ano seguinte e deverá se regularizar.

Por outro lado, se o faturamento for superior a 20% do limite, o desenquadramento passa a ser retroativo ao início do ano, o que pode gerar multa, juros e débitos retroativos no novo regime tributário. É uma situação que exige atenção imediata.

Como regularizar a situação: migrando para o Simples Nacional

Passo a passo para a transição

O empreendedor que ultrapassou o limite e precisa mudar de regime deve comunicar o desenquadramento à Receita Federal por meio do Portal do Simples Nacional. O prazo é até o último dia útil do mês seguinte ao da constatação do excesso.

A migração para o Simples Nacional, regime que abrange micro e pequenas empresas, é o caminho natural e obrigatório para manter a regularidade fiscal.

Novos tributos e alíquotas

Ao ingressar no Simples Nacional, o empresário deixa de recolher o valor fixo mensal do MEI (que inclui INSS, ISS e ICMS) e passa a pagar tributos com base em alíquotas sobre o faturamento mensal.

As alíquotas variam conforme o setor:

  • Comércio: a partir de 4%
  • Indústria: a partir de 4%
  • Serviços: de 6% a 15,5%, conforme a atividade exercida e a faixa de receita

Além disso, o novo regime exige emissão de nota fiscal, escrituração contábil e entrega de declarações acessórias, o que torna a contratação de um contador obrigatória.

Custos e burocracias envolvidas na mudança

DAS Faturamento
Imagem: Freepik e Canva

Gastos adicionais com a migração

A transição de MEI para Simples Nacional tem custos que vão além dos impostos. Entre eles:

  • Taxas de registro na Junta Comercial (em média, entre R$ 100 e R$ 300 dependendo do estado)
  • Alvará de funcionamento, que pode ser cobrado por prefeituras
  • Honorários contábeis, que variam de acordo com a complexidade da empresa
  • Certificado digital, exigido para emissão de notas fiscais eletrônicas

Multas por descuido

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O empreendedor que não regulariza sua situação pode ser surpreendido com multas por omissão de receita, juros sobre tributos não pagos e até mesmo pendências junto ao CNPJ, o que pode bloquear contas, impedir emissão de notas e dificultar operações bancárias e contratações públicas.

A importância do planejamento e da assessoria contábil

Estratégia para evitar problemas

Diante desse novo cenário, é indispensável que o empreendedor planeje sua evolução fiscal com antecedência. O crescimento do faturamento é sinal de sucesso, mas precisa ser acompanhado por uma estrutura empresarial adequada.

O papel do contador

Um contador habilitado será o parceiro ideal para orientar o empresário durante a transição, ajudando a:

  • Escolher o melhor regime tributário
  • Realizar a inscrição no Simples Nacional
  • Emitir as guias corretas de pagamento
  • Manter a conformidade com as obrigações acessórias

Contar com uma consultoria contábil confiável pode evitar erros e garantir que o crescimento da empresa se traduza em longevidade e segurança jurídica.

Conclusão: crescer com responsabilidade

O expressivo número de MEIs desenquadrados em 2024 não deve ser motivo de preocupação, mas de adaptação consciente. Crescer é o objetivo de todo negócio, e esse crescimento deve vir acompanhado de estrutura, planejamento e suporte profissional.

Quem ultrapassou o limite de faturamento precisa agir rapidamente para não comprometer o futuro da empresa. Com informação, organização e apoio contábil, a transição do MEI para o Simples Nacional pode ser um passo estratégico rumo a novas oportunidades.

Imagem: Canva e Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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