Dados da Receita Federal mostram que milhões de microempreendedores individuais ainda não entregaram a Declaração Anual Simplificada do MEI (DASN-Simei) em 2026. O levantamento aponta que apenas 6,4 milhões de declarações foram transmitidas até esta sexta-feira, 22 de maio, enquanto o número esperado é de aproximadamente 16,7 milhões de contribuintes.
MEIs têm até 31 de maio para enviar declaração anual; veja como fazer
Receita Federal alerta MEIs sobre prazo da DASN-Simei 2026. Saiba como declarar corretamente e evitar multas e bloqueios.
Isso significa que cerca de 10,3 milhões de MEIs ainda precisam regularizar a obrigação fiscal antes do encerramento do prazo oficial, previsto para 31 de maio de 2026.
A DASN-Simei é obrigatória para todo empreendedor que esteve enquadrado no Simei em qualquer período de 2025, mesmo que não tenha registrado faturamento durante o ano.
A declaração pode ser enviada pelo aplicativo oficial do MEI ou diretamente pelo Portal do Simples Nacional.Leia mais:
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O que acontece com quem não entregar a declaração
O atraso na entrega da DASN-Simei pode gerar consequências financeiras e operacionais para o microempreendedor.
A legislação prevê multa de 2% ao mês-calendário de atraso, limitada a 20% sobre o valor dos tributos declarados. Ainda que não exista imposto devido, a penalidade mínima é de R$ 50.
O valor é gerado automaticamente após o envio da declaração fora do prazo. Além da multa, especialistas alertam para impactos mais amplos no funcionamento do negócio.
Segundo o advogado tributarista Bruno Medeiros Durão, muitos empreendedores ainda tratam a obrigação fiscal como algo secundário, o que pode trazer problemas futuros.
De acordo com ele, a declaração funciona como um verdadeiro retrato da atividade econômica do MEI perante a Receita Federal.
Cenário econômico aumenta importância da regularidade do CNPJ
Em 2026, manter o CNPJ regular se tornou ainda mais importante para pequenos negócios.
Com juros elevados, crédito mais restrito e aumento da inadimplência entre empresas de pequeno porte, muitos microempreendedores dependem da regularidade fiscal para:
- conseguir financiamento;
- emitir certidões;
- fechar contratos;
- vender para grandes empresas;
- participar de licitações;
- manter acesso a serviços bancários.
O advogado Adriano de Almeida destaca que o custo da desorganização costuma ser maior do que o tempo necessário para cumprir a obrigação fiscal anual.
Quem precisa entregar a DASN-Simei em 2026
A obrigação vale para:
- MEIs ativos em qualquer período de 2025;
- empreendedores sem faturamento;
- MEIs que encerraram atividades em 2025;
- profissionais autônomos formalizados como microempreendedor individual.
Mesmo sem movimentação financeira, a declaração continua obrigatória.
Nesse caso, o contribuinte deve informar receita bruta igual a R$ 0,00.
Como fazer a declaração anual do MEI corretamente
O envio da DASN-Simei é relativamente simples, mas exige atenção aos dados informados.
Veja o passo a passo atualizado.
Separe todas as informações financeiras
Antes de iniciar o preenchimento, o MEI deve reunir todas as receitas obtidas ao longo de 2025.
Isso inclui:
- vendas com nota fiscal;
- vendas sem nota;
- recebimentos via PIX;
- pagamentos em dinheiro;
- cartões de crédito e débito;
- transferências bancárias;
- prestação de serviços;
- comercialização de produtos.
O valor informado deve ser sempre o faturamento bruto anual.
O que é faturamento bruto
Faturamento bruto é todo o valor recebido pelo negócio, sem descontar despesas.
Se um MEI faturou R$ 60 mil durante 2025 e teve R$ 20 mil em custos operacionais, ainda assim deverá declarar R$ 60 mil.
Despesas como aluguel, transporte, fornecedores, taxas ou compra de mercadorias não podem ser abatidas na DASN-Simei.
Acesse os canais oficiais da Receita Federal
A declaração pode ser feita de duas formas:
- pelo App MEI;
- pelo Portal do Simples Nacional.
O caminho dentro do portal é:
Portal do Simples Nacional → Simei → DASN-Simei → Declaração Anual para o MEI.
O acesso é realizado informando o CNPJ da empresa.
Escolha o ano-calendário correto
Ao entrar no sistema, o MEI precisa selecionar o ano correspondente ao faturamento declarado.
Em 2026, a declaração se refere ao ano-calendário de 2025.
Esse é um dos erros mais comuns entre contribuintes que fazem o procedimento rapidamente.
Informe corretamente o faturamento
O sistema divide as receitas conforme a atividade exercida pelo empreendedor.
Comércio e indústria
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Quem atua com venda de produtos ou transporte intermunicipal e interestadual deve preencher os valores sujeitos ao ICMS.
Prestação de serviços
Profissionais que trabalham com serviços devem informar os valores sujeitos ao ISS.
Quem trabalha com comércio e serviços
Nesse caso, é necessário dividir os valores nos dois campos, separando receita de vendas e receita de serviços.
Informe se houve contratação de empregado
A declaração também pergunta se o MEI teve funcionário registrado durante o período.
É importante responder corretamente, já que a contratação formal faz parte das regras do enquadramento do microempreendedor individual.
Revise todas as informações antes do envio
Antes de transmitir a declaração, o ideal é conferir:
- se o CNPJ está correto;
- se o ano-calendário selecionado é 2025;
- se os valores foram preenchidos nos campos certos;
- se o faturamento corresponde ao total bruto;
- se a informação sobre empregado está correta.
Essa revisão ajuda a evitar necessidade de retificação futura.
Salve o recibo após transmitir a declaração
Após o envio, o sistema gera automaticamente um recibo de entrega.
O documento deve ser salvo em PDF ou impresso, pois funciona como comprovante oficial de regularidade da obrigação fiscal.
Esse recibo pode ser solicitado em financiamentos, abertura de contas empresariais e processos de contratação.
O que pode acontecer com o MEI irregular
Além da multa, o MEI que deixa de entregar a DASN-Simei pode enfrentar:
- suspensão do CNPJ;
- perda de benefícios previdenciários;
- dificuldade para emitir DAS;
- problemas bancários;
- impedimentos em financiamentos;
- exclusão do Simples Nacional em casos mais graves.
Também pode haver inscrição em dívida ativa caso existam débitos acumulados.
Regularização evita problemas futuros
Especialistas recomendam que o empreendedor não deixe a declaração para os últimos dias, já que o sistema costuma registrar aumento de acessos próximo ao fim do prazo.
A organização financeira ao longo do ano facilita o preenchimento da DASN-Simei e reduz erros na prestação de contas.
Para muitos pequenos negócios, manter o CNPJ regular deixou de ser apenas uma obrigação tributária e passou a ser uma necessidade para sobrevivência no mercado brasileiro atual.
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