
Há centenas de datas comemorativas no mundo referentes aos mais diversos eventos, feitos e grupos populacionais. Mas quantas delas podem ser consideradas capazes de fomentar mudanças de importância prática?
O Dia Internacional da VPN é uma delas. Comemorado em 19 de agosto, celebra o direito de todos à privacidade digital, segurança e liberdade. O dia serve de ensejo para conscientizar sobre a importância das VPNs (redes privadas virtuais) num contexto mundial em que dados pessoais são cada vez mais cobiçados por empresas, anunciantes e até mesmo governos, frequentemente ignorando a dignidade individual com seus usos.
Uma VPN pode ser uma ferramenta fundamental tanto na cibersegurança pessoal quanto no processo de identificar e analisar ameaças cibernéticas Cyber Threat Intelligence (inteligência de ameaças cibernéticas) numa organização. Apesar de o Dia internacional da VPN não ser feriado, a data pode ser bem-aproveitada aprimorando conhecimentos sobre a cibersegurança.
Confira a seguir porque uma VPN pode ser relevante e, mais adiante, outras fontes de aprendizado acessível sobre proteção na rede.
Aspectos relevantes de uma VPN
O primeiro passo preparativo para a comemoração da data é entender por que uma VPN é tão relevante. Posto de modo breve, uma VPN é um serviço de navegação na internet que permite acessar de maneira privada e segura diversos destinos na rede.
Criptografia para segurança e privacidade
Um serviço de VPN estabelece uma conexão privada, usando servidores seguros e criptografia em todas as comunicações de um indivíduo em suas interações na internet. A criptografia é uma maneira de codificar dados transferidos, de maneira que eles sejam inacessíveis por qualquer intermediário que se coloque entre quem os transmite e quem os recebe.
Escolher por onde navegar
Além disso, uma VPN permite selecionar a localização do servidor seguro. O acesso a servidores públicos é determinado à revelia de quem entra na internet, mas uma VPN abre a possibilidade de selecionar pontos de acesso com conexão mais rápida que o usual e, também, localizados em diversos pontos do mundo.
Um resultado da conexão em servidores de outras localidades é “camuflar” as informações sobre a localização de acesso de um indivíduo. Serviços virtuais comerciais e provedores de internet coletam frequentemente dados sobre a localização da conexão sem estabelecer muito claramente como os processam e utilizam.
Portanto, essa é uma maneira de se proteger dessa intrusão não solicitada. Além disso, é uma maneira frequentemente usada por cidadãos em regimes autocráticos ou censuradores para acessar livremente conteúdo restrito geograficamente.
Fontes de conhecimento e novidades
Não é simples atualizar-se sobre cibersegurança. Por mais que o assunto seja importante para todos, a velocidade com que a situação evolui e o linguajar técnico muitas vezes hermético são limitantes do acesso universal a esse tipo de conhecimento.
Porém, isso não significa que a ignorância seja a escolha necessária nessa seara. Existem fontes de informação que permitem a absorção de conteúdo em linguagem simples – e, às vezes, até mesmo divertido.
Para a leitura cotidiana, descobrir blogs sobre cibersegurança que se enquadrem no gosto pessoal é um bom ponto de partida. Portais de tecnologia especializados como o Tecnoblog, que combinam notícias sobre lançamentos de hardware e software com informações de segurança, também podem ser opções interessantes.
Alguns filmes recentes também têm o benefício de informar enquanto entretêm. Alguns dos mais expressivos são:
- O Golpista do Tinder (2022): Poucas situações explicam fraudes virtuais de maneira aplicada à realidade mais claramente do que um falsário à solta em aplicativos de relacionamentos. Esse documentário da Netflix de sucesso internacional revela mecanismos da sedução pela cobiça na rede explorados por um habilidoso estelionatário, apoiado em imagens de luxo e mensagens mentirosas;
- O Homem Mais Odiado da Internet (2022): Difamação na internet e exposição de imagens de nudez na internet têm uma história longa e nem sempre foram temas encarados com a seriedade atual. Esse documentário conta a história terrível de um site notório por tais violações e a saga tortuosa para tirá-lo do ar;
- Privacidade Hackeada (2019): O incidente escandaloso de manipulação política massiva da empresa Cambridge Analytica nas eleições dos EUA de 2016 é o estudo de caso desse filme. A partir dele, é possível entender como as redes sociais criam perfis complexos sobre seus usuários e os vendem a preço de banana para terceiros de maneira pouco criteriosa.
Por fim, uma fonte de publicações variadas para a conscientização de cibersegurança e privacidade é o Comitê Gestor da Internet (CGI) do Brasil. Esse órgão criado pelo governo federal em 1995 dispõe de livros, revistas e documentos publicados periodicamente para acesso gratuito.
Os materiais do CGI permitem aprender mais sobre variados temas, desde orientações para o uso seguro da internet por crianças até explicações de assuntos técnicos como o funcionamento da infraestrutura da internet no Brasil.
Imagem: Stefan Coders/ Pexels.com
