A Méliuz (CASH3), fintech brasileira conhecida pelo sistema de cashback, está protagonizando um movimento inédito entre as companhias listadas na bolsa de valores brasileira (B3): a consolidação do Bitcoin como ativo estratégico de sua tesouraria.
Méliuz amplia aposta em Bitcoin e planeja captação de recursos para aumentar exposição ao criptoativo
Méliuz, primeira empresa listada na B3 com tesouraria em Bitcoin, planeja nova captação de recursos para ampliar sua exposição ao BTC. Saiba tudo sobre os planos!
Agora, a empresa dá um novo passo audacioso ao anunciar planos para captar recursos adicionais com o objetivo de ampliar suas reservas em BTC.
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A consolidação da estratégia cripto da Méliuz
No início de março de 2025, a Méliuz surpreendeu o mercado ao anunciar a alocação de 10% de seu caixa em Bitcoin, tornando-se a primeira empresa listada na B3 a incorporar o ativo digital como parte estrutural de sua estratégia de negócios.
O movimento teve impacto imediato. No dia do anúncio, as ações da companhia (ticker: CASH3) dispararam cerca de 20%, atingindo o maior patamar desde setembro de 2024. A resposta positiva do mercado foi um indicativo da aprovação — ao menos inicial — da ousadia por parte dos investidores.
Mudança no objeto social e foco em ativos digitais
Mais do que apenas um investimento pontual, a companhia formalizou a mudança em seu objeto social para refletir oficialmente a nova orientação estratégica: a realização de investimentos em Bitcoin passa a fazer parte da missão institucional da Méliuz. Em assembleia recente, os acionistas aprovaram a alteração por ampla maioria.
Com isso, a empresa não apenas diversifica suas aplicações financeiras, mas assume um papel de vanguarda no cenário corporativo brasileiro ao incorporar uma moeda digital descentralizada em sua tesouraria.
Captação de recursos: novas ações ou dívida conversível
Para expandir ainda mais sua exposição ao Bitcoin, a Méliuz planeja levantar capital adicional no mercado financeiro.
Segundo anúncio feito por Israel Salmen, fundador e atual presidente do conselho da companhia, a operação poderá ocorrer por meio de uma emissão primária de ações ou de dívida conversível — um instrumento híbrido que permite transformar o crédito em participação acionária no futuro.
Essa movimentação visa fortalecer o caixa da companhia com um propósito claro: comprar mais Bitcoin. O banco BTG Pactual já foi contratado para coordenar uma eventual oferta pública.
“Nosso objetivo é ampliar ainda mais a exposição ao Bitcoin como parte da estratégia de preservação e multiplicação do capital da empresa”, afirmou Salmen, em publicação na rede social X (antigo Twitter).
Em busca de respaldo institucional para o plano
Segundo Salmen, a implementação da estratégia não foi simples. Antes do anúncio oficial, a Méliuz passou por um processo interno rigoroso, com discussões no conselho e consulta a especialistas da área cripto. O objetivo era garantir que a decisão fosse fundamentada, sustentável e segura para os interesses dos acionistas.
“Estudamos o mercado por meses. Não foi uma decisão tomada por impulso. Buscamos apoio técnico para compreender os impactos e as oportunidades”, revelou Salmen em entrevista ao Portal do Bitcoin.
Méliuz já acumula mais de 320 BTC

No início de março, a companhia havia anunciado a aquisição de 45,72 BTC com parte do caixa disponível. Poucas semanas depois, em uma movimentação agressiva, a empresa adquiriu mais 274,52 BTC, ao custo de US$ 28,4 milhões (aproximadamente R$ 161,2 milhões), com um preço médio de US$ 103.604 por unidade de Bitcoin.
Com isso, a reserva total da empresa saltou para 320,2 BTC — avaliados em cerca de R$ 178 milhões, considerando a cotação atual da criptomoeda.
Comparativo com empresas internacionais
A estratégia da Méliuz guarda semelhança com a de empresas globais como MicroStrategy e Tesla, que também apostaram em Bitcoin como forma de proteção patrimonial e reserva de valor.
A MicroStrategy, por exemplo, liderada por Michael Saylor, acumula mais de 200.000 BTC, enquanto a Tesla, de Elon Musk, mantém uma posição menor, mas igualmente simbólica. A entrada da Méliuz nesse seleto grupo posiciona o Brasil no mapa das corporações que estão apostando na descentralização como parte da estrutura financeira empresarial.
Reação do mercado e implicações futuras
A valorização das ações da Méliuz após o anúncio da primeira compra de Bitcoin evidencia o apetite do mercado por ativos mais arrojados e estratégias não convencionais. Ao demonstrar ousadia e inovação, a companhia conquistou atenção e despertou interesse de novos perfis de investidores, incluindo entusiastas do universo cripto.
Possível mudança de perfil institucional
Com a expansão da reserva em Bitcoin, a Méliuz tende a atrair um novo tipo de acionista — mais alinhado com o ecossistema cripto, com foco em inovação, descentralização e independência monetária.
Além disso, a empresa pode abrir caminho para a criação de produtos financeiros atrelados a sua posição em BTC, como derivativos, ETFs temáticos ou até mesmo programas de fidelidade integrando recompensas em criptomoedas.
Bitcoin como ativo de tesouraria: tendência ou exceção?
A decisão da Méliuz segue uma tendência crescente de empresas que buscam se proteger contra inflação, desvalorização cambial e instabilidade macroeconômica.
Ao apostar no Bitcoin como ativo de reserva, a companhia está alinhada com um movimento que já conquistou espaço em multinacionais e fundos institucionais ao redor do mundo.
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BTC pode atuar como hedge contra desvalorização do real
Em países com moedas mais vulneráveis, como o Brasil, o Bitcoin ganha ainda mais relevância como proteção patrimonial. Sua natureza deflacionária — com oferta limitada a 21 milhões de unidades — cria um contraste direto com políticas monetárias expansionistas e ciclos de inflação descontrolada.
A Méliuz, ao ancorar parte de seu caixa em BTC, sinaliza também uma postura crítica em relação à sustentabilidade do sistema financeiro tradicional.
Os riscos e os desafios da estratégia adotada
Apesar do otimismo, é impossível ignorar os riscos envolvidos. O Bitcoin é um ativo volátil, com oscilações frequentes e por vezes bruscas. Empresas que alocam parte relevante de seu capital nessa classe de ativos precisam ter estômago para períodos de queda, além de uma sólida estratégia de gestão de risco.
Outro desafio envolve o ambiente regulatório. Embora o Brasil tenha avançado na regulamentação das criptomoedas, ainda há muitas incertezas sobre a tributação, contabilização e divulgação de posições em BTC por companhias abertas.
Além disso, o movimento da Méliuz pode ser questionado por investidores mais conservadores, exigindo da companhia transparência, governança e comunicação clara sobre seus objetivos com o investimento.
O que esperar da Méliuz nos próximos meses?
Se bem-sucedida, a captação liderada pelo BTG Pactual pode dar fôlego à estratégia cripto da Méliuz e impulsionar o crescimento da empresa em novas frentes.
Especula-se que, com mais liquidez e BTC em carteira, a fintech possa até lançar produtos financeiros voltados para o varejo ou serviços integrados ao universo cripto, como cashback em Bitcoin ou wallets próprias para seus usuários.
Além do fortalecimento financeiro, a nova fase da Méliuz pode ampliar sua base de investidores institucionais, especialmente internacionais, que acompanham de perto o movimento global de empresas pró-Bitcoin. A visibilidade internacional também pode ser um trunfo estratégico para futuras parcerias ou expansão global.
Considerações finais

A Méliuz está escrevendo um novo capítulo no mercado financeiro brasileiro. Ao adotar o Bitcoin como pilar de sua tesouraria e planejar uma nova captação para expandir essa estratégia, a fintech se posiciona como pioneira entre as empresas listadas na B3.
Embora a volatilidade e os riscos permaneçam, a decisão coloca a empresa em sintonia com tendências globais de descentralização financeira e proteção patrimonial digital.
Se será lembrada como visionária ou imprudente, apenas o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a Méliuz decidiu apostar no futuro — e ele parece cada vez mais digital.
