A fintech brasileira Méliuz (CASH3) anunciou nesta segunda-feira (23 de junho de 2025) a aquisição de 275,43 bitcoins, desembolsando aproximadamente US$ 28,61 milhões. A operação foi possível após uma oferta primária de ações que levantou cerca de R$ 180,08 milhões, destinada à estratégia de expansão da tesouraria em ativos digitais.
Méliuz adquire mais 275 BTC e assume liderança como empresa de tesouraria de Bitcoin na América Latina
Méliuz adquire mais 275 bitcoins por US$ 28,6 milhões após oferta de ações, totalizando 595,67 BTC. Agora é a maior empresa com tesouraria em BTC da América Latina.
Com isso, o total em posse da fintech sobe para 595,67 BTC, passando a ser a maior detentora de bitcoin entre empresas listadas na América Latina e a 36ª global.
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Estratégia de tesouraria com Bitcoin
Origem da estratégia
A Méliuz iniciou sua incursão como Bitcoin Treasury Company em 2025, quando aprovou a alteração em seu objeto social para incluir explicitamente a compra de criptomoedas como parte de sua gestão financeira.
A estratégia segue um modelo semelhante ao da MicroStrategy, que busca maximizar o número de bitcoins por ação para gerar valor aos acionistas.
Primeira compra e evolução
Em maio de 2025, a Méliuz adquiriu 274,52 BTC por cerca de US$ 28,4 milhões, a um preço médio de US$ 103,6 mil.
Com a nova compra, são 595,67 BTC adquiridos por um preço médio de US$ 102,702 milhões por BTC, totalizando aproximadamente R$ 331 milhões em reservas de bitcoin.
Detalhes da última operação

Preço e volume da compra
- Quantidade: 275,43 BTC;
- Investimento total: US$ 28,61 milhões (≈R$ 157 milhões);
- Preço médio da compra recente: US$ 103,864 por BTC;
- Preço médio agregado: US$ 102,702 por BTC.
Financiamento e captação
A compra foi viabilizada por uma oferta subsequente de ações que resultou em R$ 180,08 milhões captados no início do mês.
Desempenho da Méliuz no mercado e comparação
Valorização das ações
Desde que adotou a estratégia de tesouraria em bitcoin, as ações da Méliuz acumulam alta de 120–270%, superando significativamente o desempenho do mercado convencional.
3.2 Métricas cripto adotadas
A fintech divulga métricas específicas para avaliar o desempenho de sua tesouraria:
- BTC Yield: variação de bitcoin por ação;
- BTC Gain: ganho absoluto em número de BTC;
- BTC US$ Gain: ganho absoluto em dólares;
- mNAV: razão entre valor de mercado e reservas em BTC;
- mNAV Months to Cover: tempo para que reservas cubram esse múltiplo.
Segundo dados divulgados, o BTC Yield foi de 44% nos últimos 36 dias, com ganho de 140,5 BTC (≈US$ 14,5 milhões).
O posicionamento da Méliuz no ranking global
Ranking corporativo
Com 595,67 BTC, a Méliuz é:
- A maior entre empresas listadas da América Latina;
- A 36ª maior global, segundo o BitcoinTreasuries.net.
Comparativo internacional
Empresas como MicroStrategy, Semler Scientific e outras detêm milhares de BTC, ainda que a Méliuz destaque-se pelo movimento relevante em território latino-americano.
Motivações e benefícios da estratégia
Proteção de caixa
A compra de bitcoin serve como hedge contra desvalorização do real, inflação e instabilidade global — posição que fortalece a visão de longo prazo da fintech.
Crescimento por ação
Ao focar em maximizar BTC por ação, a Méliuz busca atrair investidores que querem exposição digital sem adquirir diretamente a criptomoeda.
Engajamento do mercado
A alta da ação após as compras ressalta a confiança do mercado em sua capacidade de execução e inovação estratégica.
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Riscos e desafios
Volatilidade do Bitcoin
Oscilações bruscas no preço do BTC podem impactar não apenas o valor patrimonial, mas também a percepção geral de risco da empresa.
Liquidez e balanço
Reservas em ativos pouco líquidos como criptomoedas exigem robustez de governança e estratégia operacional.
Pressão regulatória
Criptomoedas seguem em zona cinzenta regulatória no Brasil e no mundo. Empresas que adotam bitcoin devem estar preparadas para mais demandas do mercado e dos órgãos reguladores.
Perspectivas e próximos passos
Continuidade da estratégia
A empresa indica que as compras devem continuar de modo cumulativo, financiadas pelo caixa e apoio de acionistas.
Maior divulgação de métricas
Espera-se que a Méliuz continue a reportar métricas como yield, ganho em BTC e múltiplos de forma transparente e frequente.
Captação futura
A empresa sinaliza que pode realizar novas ofertas de ações ou emitir dívida para financiar os próximos aportes em bitcoin.
Considerações finais

A compra de 275,43 bitcoins por US$ 28,61 milhões, que eleva a reserva total para 595,67 BTC, reforça o compromisso da Méliuz com sua estratégia de tesouraria digital.
Ao atuar como a maior Bitcoin Treasury Company da América Latina, a fintech não só protege seu caixa contra inflação e volatilidade cambial, como também constrói valor por ação, engaja investidores e se posiciona como referência de inovação no mercado de capitais regionais.
A trajetória da Méliuz inspira outras empresas a considerar ativos digitais em suas tesourarias, embora os riscos inerentes à volatilidade, liquidez e regulação exijam esforço rigoroso de gestão e comunicação com o mercado.
