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Mercadão cria regras polêmicas para acabar com o golpe da fruta

Mercadão idealizou regras polêmicas para dar fim de vez ao golpe da fruta, muito comum no local; entenda em detalhes.

Beatriz CapiraziPor Beatriz Capirazi3 min de leitura
Mão segurando duas frutas amarelas perto de várias caixas de feira cheias de uvas.

Nos últimos meses, golpes envolvendo frutas, preços abusivos e um ambiente “intimidatório” começaram a ser relatados no Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão, considerado um dos principais pontos turísticos da cidade. 

Segundo relatos divulgados na internet, diversos clientes se sentiram coagidos a comprarem mais frutas do que gostariam. Além disso, alguns consumidores relataram que teriam sido ludibriados com a troca de preços na hora de pagar pelo produto.

O golpe, inclusive, seria aplicado com certa frequência em estrangeiros que não têm noção de qual é a média de preço dos alimentos. 

Regras polêmicas do Mercadão

Com o objetivo de dar fim a essas situações, o Mercadão de São Paulo criou diversas regras para tentar criar um ambiente mais confortável de compra para os clientes. Por exemplo, foi proibido o uso de lâminas de metal — usadas para cortar os pedaços de fruta dados como cortesia, mas que muitas vezes eram enxergadas de forma “ameaçadora”.

Além disso, o Mercadão proibiu que diversos compradores abordem um mesmo cliente, temendo que a ação o deixe constrangido de alguma forma. A administração do estabelecimento comercial ainda instrui que nenhum dos vendedores chegue muito perto, com a recomendação de que a venda seja feita a um metro de distância.

Ainda de acordo com a administração, medidas estão sendo adotadas desde o ano passado, e o local continuará a agir para frear golpes. Desde fevereiro de 2022, não foram registradas novas denúncias envolvendo a compra de frutas no Mercadão.

“Esse golpe da fruta não pode existir. Tive que tomar medidas enérgicas, como interditar e multar barracas”, disse Aldo Bonametti, diretor-presidente da Mercado SP SPE S.A., à Folhapress.

Caso golpe continue, medidas drásticas serão adotadas

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Além das regras polêmicas citadas anteriormente, há ainda outra medida drástica para ser adotada. Caso o golpe da fruta continue, a administração tem o direito de não renovar os contratos de aluguel com os vendedores.

Vale lembrar que antes isso não era possível, no entanto, agora a administração do Mercadão de São Paulo tem o direito de não renovar as locações. Com a privatização do local, os proprietários das bancas se tornaram locatários, não tendo a confirmação de que poderão permanecer no mesmo ponto pelo tempo que quiserem.

“Hoje eu posso multar e até entrar com o despejo, dependendo da gravidade, mas daqui a um ano, eu vou renovar o contrato com quem eu quiser. Não vou deixar aqui quem está manchando. Eu não posso deixar essa pecha”, declarou Bonametti.

Imagem: Bee Bonnet / Shutterstock.com

Beatriz Capirazi

Autor

Beatriz Capirazi

Jornalista especializada em Jornalismo Econômico pela Fundação Getúlio Vargas/Estadão com interesse em Economia, Política e Direitos Humanos. Autora do livro “Vidas Sucateadas — um olhar sobre a devolução de crianças adotadas”.

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