Nesta sexta-feira, 11 de julho de 2025, os mercados agrícolas internacionais iniciaram suas operações em queda, em meio a uma combinação de fatores que mantêm os investidores em alerta. O movimento é impulsionado principalmente pela persistente indefinição nas relações comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros globais, além do impacto positivo do clima sobre as safras americanas.
Abertura do mercado agrícola é marcada por queda
Mercado agrícola internacional começa em queda, afetado por clima favorável e incertezas comerciais dos EUA. Entenda.
Este cenário de incertezas e condições climáticas favoráveis para as plantações no Centro-Oeste dos EUA tem provocado reajustes nos preços dos principais grãos, como trigo, soja e milho. No Brasil, as variações refletem a influência do mercado internacional, ao mesmo tempo que apresentam nuances regionais.
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Trigo em baixa: o peso das relações comerciais e do clima

No mercado de trigo, os contratos futuros para os meses de setembro e dezembro recuaram na bolsa de Chicago. O preço do trigo para setembro foi cotado a US$ 550,76 por bushel, uma queda de 3,75 pontos, enquanto para dezembro a cotação fechou em US$ 571,75, recuando 3,25 pontos. Essa pressão sobre o trigo tem origem em dois fatores principais.
Primeiramente, a indefinição nas negociações comerciais da Casa Branca com compradores internacionais gera um ambiente de cautela entre investidores e operadores de mercado. Sem clareza sobre tarifas, acordos ou restrições, a demanda fica contida, impactando diretamente os preços.
Em segundo lugar, as recentes chuvas que atingiram as Grandes Planícies dos EUA beneficiam o andamento da colheita de inverno e fortalecem o desenvolvimento da safra de primavera, elevando as expectativas para um volume maior de produção. O aumento potencial da oferta atua como freio aos preços, contribuindo para a queda registrada.
No cenário brasileiro, o indicador CEPEA para o trigo apresentou um movimento misto. Enquanto no Rio Grande do Sul houve uma leve retração de 0,22%, com a saca cotada a R$ 1.323,79, o Paraná registrou um aumento marginal de 0,10%, fechando em R$ 1.475,11. Essa variação regional reflete as condições locais de mercado, em diálogo com as oscilações internacionais.
Soja: preços futuros em baixa e mercado físico em leve alta
A soja também acompanhou a tendência de queda no início das negociações, com contratos futuros em baixa na bolsa de Chicago. Para o vencimento de agosto, o preço ficou em US$ 1.010,50 por bushel (-2,00 pontos), enquanto para maio de 2026 a cotação fechou em US$ 1.054,25 (-1,50 pontos).
O mercado mantém cautela diante da proximidade do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado às 13h, um dos documentos mais aguardados para definir expectativas de produção, estoques e demanda global.
Outro ponto que contribui para a moderação dos preços é a ausência de forte demanda chinesa, tradicionalmente grande consumidora do grão americano. Paralelamente, o ritmo acelerado das vendas brasileiras e as condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras no Centro-Oeste do Brasil reforçam a confiança na oferta.
No mercado físico brasileiro, os preços da soja apresentam um comportamento oposto. Segundo dados do CEPEA, o preço no interior do Paraná subiu 1,15%, alcançando R$ 129,83 por saca. Já no porto de Paranaguá, o valor avançou 1,24%, para R$ 136,58. Essa valorização reflete a demanda interna e as particularidades da logística e comercialização locais.
Milho: pressão persistente diante da expectativa de safra recorde
Os preços do milho seguem pressionados, com o contrato para setembro negociado na CBOT (Bolsa de Chicago) a US$ 397,75 por bushel, uma queda de 1,40 pontos. Essa retração é impulsionada pela combinação de fatores relacionados à oferta e à demanda.
A ausência de acordos comerciais durante a atual trégua tarifária mantém o mercado retraído, uma vez que os compradores internacionais aguardam definições para firmar novas compras. Além disso, a expectativa de uma safra recorde de milho nos Estados Unidos pressiona os preços para baixo, pois a oferta em potencial tende a ser elevada.
No Brasil, o cenário é semelhante, com os contratos futuros negociados na B3 apresentando queda e o indicador CEPEA fechando a R$ 62,98, um recuo de 0,33%. A entrada da safrinha brasileira, que corresponde à segunda safra do ano, também contribui para a pressão descendente nos preços.
Fatores que influenciam o mercado agrícola: um olhar mais amplo
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Os mercados agrícolas globais são altamente sensíveis a uma série de variáveis interligadas. As incertezas políticas e comerciais, especialmente envolvendo os Estados Unidos, exercem forte impacto nas cotações internacionais. Ao mesmo tempo, o clima — quando favorável, como as chuvas recentes nas regiões produtoras americanas — pode aumentar a produção e fazer cair os preços.
Outro ponto determinante é a dinâmica da demanda, particularmente da China, que é um dos maiores compradores mundiais de soja e milho. A moderação no consumo chinês, combinada com o aumento das exportações brasileiras, pode alterar o equilíbrio do mercado.
No âmbito nacional, as condições climáticas, a logística de transporte e a relação oferta-demanda interna fazem com que os preços do mercado físico e dos contratos futuros se comportem de maneira não exatamente paralela, exigindo atenção redobrada por parte dos produtores, traders e consumidores.
Expectativas para os próximos dias: o que observar

Com a divulgação do relatório do USDA prevista para esta sexta-feira, o mercado agrícola deve experimentar maior volatilidade e reavaliação das tendências. Os números sobre produção, estoques e exportações influenciarão diretamente as decisões de compra e venda nas bolsas internacionais e nos mercados locais.
Além disso, o andamento das negociações comerciais internacionais será outro fator chave para definir o rumo dos preços. Qualquer sinalização clara de avanços ou retrocessos nos acordos pode provocar reações rápidas dos investidores.
Os produtores brasileiros, por sua vez, deverão acompanhar atentamente tanto o cenário externo quanto as condições climáticas domésticas, para ajustar sua estratégia produtiva e comercial.
Com informações de: Agrolink
