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Selic em alta novamente? Entenda os motivos por trás da expectativa do mercado

Taxas dos DIs sobem com expectativa de alta da Selic. Discurso do BC reforça aposta em novo aumento no Copom.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
selic

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta firme nesta quinta-feira (05/06), em um movimento de reprecificação das expectativas do mercado financeiro em relação à política monetária brasileira. O tom mais conservador adotado por membros do Banco Central, incluindo o presidente interino Gabriel Galípolo, fortaleceu as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode promover uma nova elevação de 25 pontos-base na Selic ainda neste mês.

Embora o pregão desta quinta não tenha contado com um gatilho específico, operadores do mercado ouvidos pela Reuters apontam uma mudança significativa na percepção sobre os próximos passos da autoridade monetária. Isso tem levado os agentes financeiros a reposicionarem suas estratégias, especialmente nos contratos futuros de juros.

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Imagem: Freepik e Canva

DIs sobem em todos os vencimentos

O movimento de alta nas taxas foi generalizado entre os principais vencimentos dos DIs. Os dados de fechamento do dia mostram uma forte reavaliação das posições de investidores:

VencimentoTaxa atualVariação do dia
Jan/202614,90%+0,08 ponto
Jan/202714,36%+0,15 ponto
Jan/203113,91%+0,14 ponto
Jan/203313,95%+0,14 ponto

O destaque ficou para os contratos de médio e longo prazo, com elevação de até 15 pontos-base, indicando que o mercado passou a incorporar um ciclo mais longo de juros altos do que o previsto anteriormente.

Discurso de Galípolo muda o humor dos investidores

A reprecificação das curvas foi impulsionada, em grande parte, por declarações recentes de Gabriel Galípolo, presidente em exercício do Banco Central. Em evento realizado na segunda-feira (03/06), Galípolo afirmou que o Copom ainda está discutindo o ciclo de alta da Selic, e não o início de cortes, como esperava parte do mercado.

“O sentimento de quem toma risco mudou. Os economistas de mesa claramente mudaram de posição sobre o Copom”, avaliou Laís Costa, analista da Empiricus Research.

Essa sinalização de cautela monetária surpreendeu analistas e investidores, que nas últimas semanas vinham consolidando a expectativa de manutenção da taxa básica nos 14,75% ao ano. A nova leitura indica que mais um ajuste pode ocorrer, o que deslocou rapidamente as apostas para uma alta de 0,25 ponto percentual.

Opções de Copom na B3 confirmam virada nas apostas

A mudança de percepção do mercado também se refletiu no mercado de opções de Copom na B3, que mostra as probabilidades implícitas para a decisão do comitê monetário do Banco Central.

Comparativo de apostas para a reunião de junho:

Data de referênciaManutenção da SelicAlta de 25 p.b.
27 de maio83,00%14,50%
05 de junho53,25%44,50%

Em apenas uma semana, a probabilidade de manutenção despencou 30 pontos percentuais, enquanto a aposta em alta triplicou. O mercado agora está quase dividido quanto ao rumo da Selic, com ligeira vantagem ainda para o cenário de estabilidade.

BC adota discurso mais prudente diante de incertezas

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A adoção de um tom mais conservador por parte da autoridade monetária ocorre em um contexto de dúvidas persistentes quanto ao equilíbrio fiscal do governo federal e pressões inflacionárias residuais. A postura de Galípolo e de outros membros do Copom reflete uma tentativa de preservar o espaço de credibilidade da política monetária.

Segundo Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, a postura do BC parece querer preparar o terreno para uma eventual alta:

“Ganhou força o 25 pontos-base de aumento, até pelo tom que o Galípolo vem adotando, de cautela e disciplina monetária.”

Essa prudência pode estar relacionada ao temor de desancoragem das expectativas de inflação, especialmente diante de sinais de resistência nos núcleos inflacionários e da volatilidade nos preços de combustíveis.

Discussões fiscais também entram no radar

Outro fator que ajudou a impulsionar as taxas futuras nesta quinta-feira foi o cenário fiscal doméstico. Investidores acompanham os desdobramentos em Brasília sobre medidas alternativas à elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cuja proposta foi mal recebida pelo mercado.

Embora o noticiário da quinta não tenha trazido grandes novidades, o tema continua no radar dos agentes. O receio é de que mudanças fiscais inconsistentes possam comprometer a sustentabilidade da dívida pública, o que pressionaria ainda mais os juros longos.

Movimento global favoreceu alta dos juros locais

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No exterior, o dia foi de oscilação nos Treasuries pela manhã, mas com alta firme das taxas no período da tarde, especialmente nos vencimentos mais curtos.

Título americanoVariaçãoTaxa final
Treasury 2 anos+5 p.b.3,928%
Treasury 10 anos+3 p.b.4,399%

Esse cenário internacional reforça o movimento de aversão ao risco, o que tende a pressionar ainda mais os mercados emergentes, como o Brasil, e reforça a necessidade de postura mais cautelosa do Banco Central.

Selic em junho: o que esperar?

Juros
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 18 e 19 de junho de 2025. Até lá, os investidores seguirão atentos a:

  • Novas falas de dirigentes do Banco Central
  • Resultados do IPCA e outros indicadores de inflação
  • Evolução das expectativas de mercado no boletim Focus
  • Sinais de atividade econômica e desempenho do varejo
  • Propostas do governo sobre o novo arcabouço fiscal

Possíveis cenários:

Cenário 1 – Manutenção da Selic em 14,75%

  • Continuidade da política restritiva
  • Espera por novos dados antes de decidir sobre o próximo passo
  • Evita desgaste político diante de pressões por corte

Cenário 2 – Alta de 0,25 p.p., para 15,00%

  • Reforça o compromisso com a meta de inflação
  • Sinaliza preocupação com ruídos fiscais e expectativa de inflação
  • Gera desconforto no setor produtivo e mercado de crédito

Ambos os cenários estão sobre a mesa e refletem dilemas da atual condução de política monetária no Brasil, em um ambiente de incerteza fiscal e volatilidade global.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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