O mercado financeiro revisou para cima a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, segundo a mais recente edição do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A mediana das projeções subiu de 2,02% para 2,14%, sinalizando uma leve melhora no cenário de atividade econômica nos próximos trimestres. Essa revisão ocorre em meio a um ambiente ainda marcado por juros elevados e uma inflação que se mantém acima da meta.
Previsão do PIB é elevada e dólar deve ficar mais barato até dezembro, diz mercado
Relatório Focus eleva previsão do PIB para 2,14% em 2025 e reduz estimativa do dólar; Selic segue alta e inflação preocupa Banco Central.
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Avaliação mais sensível mostra ainda mais otimismo

Considerando apenas as 62 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis — aquelas que costumam reagir com mais rapidez às novidades do cenário macroeconômico — a mediana foi ainda mais otimista: 2,17%. Essa alta indica que os agentes de mercado têm incorporado expectativas mais positivas quanto à capacidade de recuperação da economia, apesar das condições restritivas da política monetária.
Copom mantém tom duro: juros altos e atividade moderada
Na ata da reunião de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que a atual taxa básica de juros — considerada “significativamente contracionista” — tem conseguido frear a atividade econômica e controlar a inflação. A expectativa do próprio Banco Central, no entanto, ainda é conservadora: um crescimento de 1,9% no PIB de 2025.
Projeções para os anos seguintes
- PIB 2026: A mediana ficou estável em 1,70% pela quinta semana consecutiva.
- PIB 2027 e 2028: Permaneceram em 2,0%, sem alteração nas últimas oito e 63 semanas, respectivamente.
Inflação continua acima da meta
IPCA de 2025 permanece elevado
A inflação segue como um dos principais pontos de preocupação. A mediana para o IPCA de 2025 se manteve em 5,50%, mesmo após cinco semanas consecutivas de queda. O número está 1 ponto percentual acima do teto da meta, que é de 4,50%. A avaliação do Banco Central, conforme o comunicado do Copom, é que o IPCA deve encerrar o ano que vem em 4,8%.
Estabilidade nas projeções futuras
- IPCA 2026: 4,50%, colada ao teto da meta.
- IPCA 2027: 4,0% pela 14ª semana consecutiva.
- IPCA 2028: Leve alta, de 3,80% para 3,81%.
Inflação com meta contínua
Desde 2025, o regime de metas para a inflação é contínuo, calculado com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o índice se mantenha fora da faixa por seis meses seguidos, considera-se que o Banco Central falhou em sua missão.
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Projeções para o câmbio em 2025 e anos seguintes
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu pela quarta semana seguida, de R$ 5,82 para R$ 5,80. Há um mês, a expectativa era de R$ 5,90, o que demonstra uma valorização do real frente à moeda norte-americana. Para 2026, a estimativa permaneceu em R$ 5,90, mesma projeção de quatro semanas atrás.
Expectativas para o dólar até 2028
- 2027: R$ 5,80, sem alteração após duas semanas de quedas.
- 2028: Queda de R$ 5,85 para R$ 5,82.
As projeções do Focus são calculadas com base na média esperada para a taxa no mês de dezembro, modelo adotado desde 2021, substituindo a antiga prática de projeção para o último dia útil do ano.
Juros seguem em alta e devem continuar elevados
Selic alcança maior nível desde 2006
A taxa básica de juros (Selic) subiu para 14,75% na reunião do Copom de maio, um aumento de 0,5 ponto percentual. É o maior nível desde julho de 2006. Desde o início do ciclo de aperto monetário, em setembro do ano anterior, os juros acumularam alta de 4,25 pontos percentuais.
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Projeções para a Selic nos próximos anos
- Selic 2025: 14,75%, pela terceira semana consecutiva.
- Selic 2026: Estável em 12,50%, mas nas estimativas mais recentes subiu de 12,25% para 12,50%.
- Selic 2027: Manteve-se em 10,50%.
- Selic 2028: Sem alteração, em 10,0%.
O nível elevado dos juros é a principal ferramenta do Banco Central para combater a inflação. No entanto, também tende a desacelerar o crescimento do PIB, ao encarecer o crédito e reduzir o consumo.
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Tendência de estabilidade com viés de alta
Os dados do relatório Focus refletem uma visão cautelosa, mas com sinais pontuais de melhora. A elevação da projeção do PIB, mesmo que pequena, é significativa em um contexto de política monetária apertada. A manutenção das estimativas de inflação e câmbio sugere que os analistas ainda enxergam desafios importantes à frente.
Influência da política fiscal e externa
Fatores como a condução da política fiscal, reformas estruturais e o ambiente externo (especialmente o comportamento da economia dos Estados Unidos e da China) terão papel crucial na consolidação ou revisão dessas expectativas.
Conclusão: um cenário de transição
O Brasil vive um momento de transição, com crescimento levemente revisado para cima, inflação persistente e juros em patamar elevado. O mercado financeiro reconhece avanços pontuais, mas mantém o pé no chão diante dos inúmeros desafios que se colocam no horizonte.
As próximas reuniões do Copom e os indicadores fiscais do segundo semestre serão determinantes para confirmar se o otimismo moderado vai se consolidar ou será apenas um movimento pontual dentro de um cenário ainda marcado por incertezas.
