O mercado de trabalho formal brasileiro manteve ritmo positivo no mês de maio, com a criação de 148.940 vagas com carteira assinada, conforme divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A informação consta no levantamento do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), que consolida os dados de admissões e desligamentos em todo o país.
Mercado de trabalho tem saldo positivo em maio: Brasil gera mais de 149 mil empregos formais
Brasil cria 148,9 mil vagas de emprego formal em maio. Mercado de trabalho cresce com destaque para o setor de serviços, diz MTE.
Com esse resultado, o número total de vínculos formais ativos alcançou 48,2 milhões, o maior da série histórica iniciada em 2020. O desempenho reflete a recuperação do mercado de trabalho diante de um cenário econômico ainda marcado por desafios como inflação, juros elevados e instabilidade no setor externo.
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Setor de serviços lidera geração de empregos

Avanço expressivo nas áreas de saúde, educação e administração pública
O setor de serviços foi, mais uma vez, o motor da criação de empregos no país, respondendo por 70.916 vagas no mês de maio. O crescimento percentual do setor foi de 0,30%, com destaque para áreas como atividades administrativas, educação, atendimento à saúde e serviços sociais.
Segundo analistas do MTE, o desempenho positivo dos serviços acompanha a tendência de reativação da economia urbana, especialmente nos grandes centros, onde a reabertura e expansão de serviços presenciais sustentam a demanda por mão de obra.
Além disso, setores públicos e privados vêm ampliando contratações em funções voltadas para cuidados pessoais, saúde e ensino, refletindo tanto demandas estruturais quanto políticas de recomposição da força de trabalho pós-pandemia.
Comércio e indústria também seguem em alta
Consumo e produção impulsionam empregos no setor privado
O comércio registrou um saldo positivo de 23.229 vagas em maio, com crescimento de 0,22%. A expansão é puxada por redes varejistas e atacadistas, especialmente nos segmentos de alimentos, farmácias e materiais de construção.
Já a indústria criou 21.531 empregos formais, com alta de 0,24%. As maiores contribuições vieram da indústria de transformação, especialmente nos ramos de alimentos e bebidas, têxtil e metalúrgico. Há ainda uma recuperação gradual na indústria automotiva, embora o setor ainda enfrente gargalos logísticos e desafios na exportação.
De acordo com o MTE, esses resultados demonstram um avanço consistente na base produtiva nacional, ainda que alguns setores enfrentem ritmo mais lento de recuperação.
Agropecuária e construção mostram crescimento sólido
Estações de colheita e obras de infraestrutura sustentam geração de vagas
A agropecuária apresentou um dos maiores crescimentos proporcionais entre os setores, com 17.443 novas vagas, um aumento de 0,94% em relação ao mês anterior. O destaque ficou por conta das atividades sazonais de colheita em regiões produtoras do Centro-Oeste e do Sul do país.
O setor da construção civil, por sua vez, gerou 16.641 empregos, uma variação positiva de 0,56%. Esse desempenho está ligado ao avanço de obras públicas e privadas, incluindo programas habitacionais e investimentos em infraestrutura urbana e saneamento.
A combinação de projetos públicos com investimentos da iniciativa privada tem garantido um fluxo contínuo de contratações no setor, ainda que em ritmo inferior ao observado no primeiro trimestre.
Mercado de trabalho mostra resiliência em 2025

Resultado de maio reflete cenário de estabilidade e expectativa de crescimento
Com os dados positivos de maio, o saldo acumulado no ano já ultrapassa 1 milhão de novas vagas formais, segundo o MTE. Especialistas avaliam que esse desempenho reforça a resiliência do mercado de trabalho brasileiro, mesmo diante de um cenário econômico global de incertezas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que o bom resultado do Novo Caged “reflete a confiança dos empregadores na recuperação da economia brasileira”. Para ele, as políticas de estímulo ao emprego, como programas de qualificação e incentivos à formalização, estão começando a produzir efeitos duradouros.
Além disso, o crescimento da ocupação formal fortalece a base de arrecadação da Previdência Social e melhora as condições de consumo das famílias, promovendo um ciclo virtuoso de crescimento.
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Desafios persistem no mercado informal e na renda média
Crescimento de vagas ainda não se traduz em melhora salarial significativa
Apesar dos avanços na geração de empregos formais, economistas alertam que o mercado informal ainda representa uma parcela significativa da força de trabalho no Brasil. Segundo o IBGE, mais de 38 milhões de trabalhadores atuam fora da formalidade.
Outro desafio é o crescimento da renda média real, que tem mostrado sinais de estagnação. Mesmo com mais pessoas empregadas, os salários não têm acompanhado a inflação de forma proporcional, o que afeta o poder de compra e o consumo das famílias.
Programas de qualificação profissional e políticas voltadas para o aumento da produtividade são apontados como caminhos para ampliar os ganhos reais da população ocupada.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
Expectativa é de manutenção do saldo positivo, mas com cautela
A projeção do governo e de institutos de análise econômica é de que o segundo semestre mantenha a trajetória positiva de geração de empregos, ainda que em ritmo moderado.
Eventos como o aumento da taxa Selic no início do ano, a instabilidade nos preços de commodities e o cenário internacional ainda incerto podem impactar a velocidade de expansão do mercado de trabalho nos próximos meses.
Contudo, setores como tecnologia, agronegócio, energia renovável e infraestrutura são apontados como vetores de crescimento, capazes de sustentar novas contratações.
Imagem: Freepik

