Em meio à crescente institucionalização das criptomoedas, o Mercado Livre, maior empresa de comércio eletrônico da América Latina, confirma seu papel de vanguarda ao anunciar um acúmulo expressivo de ativos digitais em seu balanço.
Mercado Livre entra na elite cripto: por que a gigante latino-americana acumula milhões em Bitcoin e Ethereum
Mercado Livre reforça sua posição estratégica no mercado cripto com 570 BTC e 3.050 ETH em caixa. Veja por que isso está acontecendo!
A companhia, fundada por Marcos Galperin, agora detém 570 Bitcoins (BTC) e 3.050 Ethers (ETH), posicionando-se entre as primeiras corporações latino-americanas a tratar criptoativos como ativos estratégicos de longo prazo.
Leia mais:
5 lições fundamentais para transformar sua vida financeira com Bitcoin, segundo André Antunes
Expansão cripto da empresa no 1º trimestre de 2025
No relatório financeiro do primeiro trimestre de 2025, o Mercado Livre revelou a adição de mais de 157 BTC ao seu portfólio. A iniciativa marca um aumento significativo frente aos trimestres anteriores, e revela um padrão de comportamento semelhante ao de gigantes internacionais como Tesla, de Elon Musk, e MicroStrategy, de Michael Saylor.
“Não é mais uma aposta arriscada ou moda de tecnologia. Estamos diante de uma mudança estrutural na maneira como as grandes empresas gerenciam capital em mercados voláteis”, avalia Sebastián Serrano, CEO da Ripio.
Por que empresas estão comprando Bitcoin?

Com a inflação corroendo moedas locais em diversos países latino-americanos, o Bitcoin tem se apresentado como uma alternativa viável de proteção de valor. Segundo especialistas, sua escassez programada — apenas 21 milhões de unidades existirão — o torna um ativo cada vez mais atrativo para tesourarias corporativas.
Vantagens para operações internacionais
“Ter cripto no caixa não é apenas uma decisão financeira. É uma afirmação sobre o futuro do dinheiro e da inovação”, afirma Julián Colombo, diretor-geral da Bitso na Argentina.
A descentralização dos ativos digitais permite transações internacionais sem a necessidade de intermediários bancários tradicionais, o que pode otimizar custos e acelerar processos em empresas com atuação multinacional.
Alinhamento com inovação e reputação de mercado
Além das vantagens econômicas, deter criptoativos também gera valor simbólico e reputacional, especialmente para empresas de tecnologia. Segundo Marcelo Cavazzoli, CEO da Lemon, “ter Bitcoin hoje é sinal de visão estratégica e de liderança em inovação financeira”.
Empresas que apostam em Bitcoin: um movimento global
O movimento do Mercado Livre se junta a uma lista crescente de corporações que estão convertendo parte de seus ativos em Bitcoin. Veja as principais:
MicroStrategy (EUA)
- Quantidade de BTC: 568.840
- Valor estimado: US$ 58,75 bilhões
- % do fornecimento total de BTC: 2,71%
Marathon Digital Holdings (EUA)
- BTC: 48.237
- Valor estimado: US$ 4,98 bilhões
Riot Platforms (EUA)
- BTC: 19.211
- Valor estimado: US$ 1,98 bilhão
CleanSpark (EUA)
- BTC: 12.101
- Valor estimado: US$ 1,25 bilhão
Tesla (EUA)
- BTC: 11.509
- Valor estimado: US$ 1,18 bilhão
A posição do Mercado Livre em comparação
Com 570,4 BTC, o Mercado Livre detém um montante avaliado em US$ 58,91 milhões, o que representa 0,003% do suprimento total de Bitcoin. Em termos de proporção com sua capitalização de mercado, o percentual é de 0,04% — uma estratégia prudente, porém estratégica, dentro da lógica de diversificação.
Impacto regional: como o setor cripto cresce na América Latina
Outras empresas latino-americanas também já adotam políticas similares:
- A Lemon passou a acumular BTC como política de tesouraria em abril de 2025, convertendo o equivalente a um mês de receitas da empresa;
- A Bitso defende que manter BTC em caixa “alinha a empresa com os valores de transparência, inovação e descentralização”;
- A Ripio reportou que seu segmento corporativo movimentou mais de US$ 1 bilhão em um único trimestre de 2024, com crescimento anual de 100 vezes.
O boom das stablecoins entre as empresas
Segundo a Ripio, atualmente 70% do volume corporativo negociado corresponde a stablecoins, demonstrando uma ampla adoção não apenas de Bitcoin e Ethereum, mas também de alternativas menos voláteis como USDT e USDC.
“A criptoeconomia deixou de ser um nicho e está se integrando estruturalmente aos processos financeiros de grandes companhias”, afirma Serrano.
Bitcoin nas tesourarias: benefícios e desafios
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Principais vantagens
Proteção cambial
Empresas sediadas em países com moedas instáveis podem se proteger da desvalorização ao manter ativos em Bitcoin ou stablecoins atreladas ao dólar.
Liquidez global
Criptomoedas oferecem acesso rápido à liquidez global, mesmo em contextos de controles de capital ou sanções econômicas.
Valorização potencial
Com o histórico de valorização do Bitcoin, empresas expostas ao ativo podem capturar retornos substanciais em seus balanços ao longo do tempo.
Desafios e riscos
No entanto, especialistas alertam que a adoção de criptoativos requer uma sólida governança interna e compreensão profunda sobre riscos regulatórios, de mercado e de custódia.
“Não é para todas as empresas. Mas para as que se preparam bem, é uma vantagem competitiva significativa”, diz Colombo.
Perspectivas: o futuro da tesouraria cripto
Assim como a digitalização transformou setores inteiros nas últimas décadas, a criptoeconomia parece estar construindo um novo paradigma financeiro empresarial.
“Incorporar Bitcoin no caixa não é apenas uma estratégia, é um posicionamento frente ao futuro”, conclui Cavazzoli.
O movimento iniciado por empresas como MicroStrategy e Tesla está se espalhando. A tendência agora ganha força na América Latina, com Mercado Livre, Bitso, Lemon e Ripio liderando uma mudança profunda na forma como corporações percebem, armazenam e movimentam valor.
Conclusão: uma aposta em inovação, proteção e liderança

A decisão do Mercado Livre de manter Bitcoin e Ethereum em sua tesouraria simboliza mais que um investimento financeiro. Representa um posicionamento estratégico frente às incertezas econômicas, uma declaração de confiança na tecnologia blockchain e um compromisso com a inovação estrutural.
À medida que mais empresas seguem por esse caminho, a criptoeconomia vai deixando de ser um nicho para se tornar um componente fundamental da economia corporativa global.
