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Desemprego em 5,3% mantém pressão sobre decisões do Copom

Desemprego cai a 5,3% e ocupação bate recorde. Veja como renda e mercado de trabalho influenciam os próximos cortes da Selic.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Desemprego em 5,3% mantém pressão sobre decisões do Copom

O mercado de trabalho brasileiro continua apresentando força, mesmo diante dos efeitos de uma política monetária ainda restritiva. No trimestre encerrado em julho de 2026, a taxa de desemprego caiu para 5,3%, enquanto o número de pessoas ocupadas alcançou o recorde de 103,3 milhões, segundo a PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado mostra que a economia ainda possui capacidade de geração de ocupação, mas alguns indicadores começam a apontar para uma perda gradual de ritmo. Para o Banco Central, essa combinação é relevante porque um mercado de trabalho muito aquecido pode manter a renda, o consumo e os preços de serviços pressionados.

A leitura ajuda a explicar por que a trajetória da Selic tende a continuar sendo conduzida com cautela, mesmo depois do início do ciclo de redução dos juros.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A taxa de desocupação de 5,3% representa uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril, quando estava em 5,8%. Na comparação com o mesmo período de 2025, também houve redução, de 5,6% para 5,3%.

O resultado é o menor registrado para um trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. A população desocupada ficou em aproximadamente 5,8 milhões de pessoas, enquanto a população ocupada atingiu seu maior nível histórico.

Esse cenário, porém, não significa que o mercado esteja acelerando. O crescimento da ocupação ocorre em um ambiente no qual outros indicadores já mostram sinais de acomodação.

Um exemplo está na informalidade. A taxa chegou a 37,5%, equivalente a cerca de 38,8 milhões de trabalhadores. O percentual era de 37,2% no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, o número de empregados do setor privado sem carteira aumentou 3,6% no período, enquanto o contingente com carteira assinada permaneceu em 39,4 milhões, recorde da série, mas com estabilidade nas comparações recentes.

Construção civil se destaca na geração de vagas

Entre os setores analisados pelo IBGE, a construção teve papel importante no avanço da ocupação.

No trimestre encerrado em julho, o setor registrou crescimento de 5,1% em relação ao período anterior, com a entrada de aproximadamente 371 mil trabalhadores. Na comparação anual, a ocupação também avançou na construção, além de setores como transporte, armazenagem e correio.

O desempenho mostra que ainda existem segmentos com demanda por mão de obra, mesmo em um cenário de juros elevados.

Para os próximos meses, contudo, a questão central será saber se essa resistência continuará ou se os efeitos acumulados da política monetária começarão a provocar uma desaceleração mais evidente nas contratações.

Renda continua elevada e sustenta o consumo

Outro ponto de atenção é o rendimento dos trabalhadores.

O rendimento real habitual ficou em R$ 3.762 no trimestre encerrado em julho. O valor permaneceu estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou crescimento real de 3,3% em um ano.

A massa de rendimento real habitual, que considera o total recebido pelos trabalhadores, chegou a R$ 383,5 bilhões, o maior valor da série histórica. Na comparação anual, houve crescimento de 4,1%, equivalente a R$ 15,1 bilhões adicionais.

Esse indicador é especialmente importante para a política monetária. Mesmo que o salário médio deixe de crescer com a mesma intensidade, um número elevado de pessoas empregadas mantém grande quantidade de dinheiro circulando na economia.

Na prática, isso ajuda a sustentar o consumo das famílias e a demanda por produtos e serviços.

Por que o mercado de trabalho preocupa o Banco Central?

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O emprego influencia a inflação por diferentes caminhos.

Quando há poucas pessoas disponíveis para trabalhar, empresas podem enfrentar dificuldades para contratar e, consequentemente, oferecer salários maiores para atrair ou manter funcionários. Se esses custos forem repassados aos preços, a inflação de serviços pode permanecer resistente.

Além disso, trabalhadores empregados e com renda elevada tendem a manter maior capacidade de consumo. Em setores como restaurantes, transportes, educação, cuidados pessoais e outros serviços, uma demanda mais forte pode dificultar uma desaceleração rápida dos preços.

Por isso, um desemprego muito baixo pode representar um desafio adicional para o Banco Central, principalmente quando a inflação ainda não está completamente controlada.

O que os dados significam para a Selic?

Selic
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Copom reduziu a Selic para 14% ao ano na reunião de agosto de 2026. Na decisão, o Banco Central afirmou que a atividade econômica apresenta sinais de moderação, mas ainda permanece resiliente, enquanto o mercado de trabalho continua aquecido.

A autoridade monetária também destacou que as expectativas de inflação permanecem acima da meta, reforçando a necessidade de cautela na condução dos juros.

Nesse contexto, os números da PNAD Contínua não necessariamente impedem novos cortes. Porém, reduzem o espaço para uma aceleração do ritmo, caso outros indicadores também apontem resistência da inflação.

A próxima reunião do Copom está marcada para 15 e 16 de setembro de 2026.

O cenário mais provável, portanto, é de avaliação cuidadosa dos próximos dados de inflação, atividade, crédito, salários e emprego antes de qualquer mudança relevante no ritmo de flexibilização monetária.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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