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Trump, Flávio Bolsonaro e o recorde da Bolsa: entenda o efeito “venda América”

Ações de mercados emergentes sobem forte em 2025 com dólar fraco, EUA caros e Brasil no centro do novo movimento global de investimentos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Trump

O forte retorno das ações de mercados emergentes em 2025 reacendeu o apetite do investidor global e recolocou essas economias no centro das estratégias de alocação. O movimento não ocorre por acaso. Com o dólar mais fraco, juros elevados nos Estados Unidos e bolsas de mercados desenvolvidos negociando a múltiplos considerados caros, o capital internacional começa a buscar oportunidades onde o potencial de crescimento parece mais evidente.

Em termos práticos, quando o risco passa a oferecer melhor retorno fora do “óbvio”, o dinheiro se desloca. Esse reposicionamento ganhou tração ao longo do último ano e se intensificou nas primeiras semanas de 2025, consolidando um novo ciclo de valorização em países emergentes, com destaque para o Brasil.

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O novo ciclo de valorização dos emergentes

Dólar mais fraco e realocação de portfólio

A desvalorização do dólar frente a outras moedas globais tem sido um dos principais motores desse movimento. Um dólar mais fraco tende a beneficiar mercados emergentes ao reduzir o custo do capital externo e tornar ativos locais mais atrativos para investidores estrangeiros.

Além disso, a expectativa de um ciclo de flexibilização monetária gradual em economias centrais reforça a busca por retornos mais elevados em países que ainda oferecem prêmios de risco consideráveis.

Mercados desenvolvidos mais caros

Outro fator decisivo é o nível de preço das bolsas dos países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos. Após anos de forte valorização, muitos ativos americanos passaram a ser negociados com múltiplos elevados, o que limita o potencial de ganho no curto e médio prazo.

Nesse cenário, investidores institucionais globais começaram a reduzir exposição a Wall Street e aumentar posições em mercados considerados descontados, como América Latina, Ásia e partes da África.

O retorno do trade “Sell America”

O que significa o movimento

O chamado trade de “Sell America”, ou “venda América”, voltou ao radar dos investidores em 2025. A estratégia consiste em diminuir a alocação em ativos americanos e direcionar recursos para outros mercados com maior potencial relativo de crescimento.

Esse reposicionamento não significa abandono total dos Estados Unidos, mas sim uma diversificação mais agressiva, buscando equilíbrio entre risco e retorno em um ambiente global mais incerto.

Emergentes como alternativa estratégica

Dentro dessa lógica, os mercados emergentes surgem como vitrine do novo ciclo. Valuations mais baixos, crescimento econômico acima da média global e maior sensibilidade a fluxos externos tornam esses países destinos naturais do capital em momentos de realocação global.

Brasil no centro das atenções

Ibovespa em recorde histórico

O Brasil se consolidou como um dos principais beneficiários desse giro global. O Ibovespa subiu 3,3% e fechou em recorde histórico de 171.817 pontos na quarta-feira, impulsionado principalmente por compras de investidores estrangeiros.

Em apenas um mês, o índice acumula alta de 8,65%, desempenho que reforça o apetite por ativos brasileiros em um contexto de diversificação internacional longe dos Estados Unidos.

Entrada de capital estrangeiro

A retomada do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira tem sido um dos pilares dessa valorização. Investidores internacionais voltaram a enxergar o Brasil como um mercado com potencial de retorno ajustado ao risco atrativo, especialmente em setores ligados a commodities, bancos e empresas com forte geração de caixa.

A retórica mais suave dos Estados Unidos durante o Fórum Econômico Mundial de Davos contribuiu para melhorar o humor global e fortalecer esse movimento de entrada de recursos.

Cenário internacional e riscos geopolíticos

Tensões envolvendo os Estados Unidos

No pano de fundo, o mundo acompanha novos capítulos da política externa americana. Declarações do presidente Donald Trump sobre o avanço de negociações envolvendo a anexação da Groenlândia à esfera de influência dos Estados Unidos, em acordo com a Europa, adicionaram ruído ao cenário global.

Embora o impacto direto sobre os mercados ainda seja limitado, episódios como esse reforçam a percepção de risco geopolítico e incentivam investidores a buscar diversificação fora dos ativos tradicionalmente associados aos EUA.

Reflexos nos mercados globais

Em momentos de incerteza política e diplomática, ativos de mercados emergentes podem tanto se beneficiar do fluxo de diversificação quanto sofrer com a aversão ao risco. O equilíbrio entre esses dois vetores depende da leitura do investidor sobre a sustentabilidade do crescimento global.

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Política doméstica no radar do investidor

Eleições e expectativas no Brasil

No cenário interno, a política brasileira segue como variável-chave para o mercado. Pesquisa Atlas/Bloomberg indica que, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderar os cenários de reeleição, o nome de Flávio Bolsonaro ganha fôlego nas preferências do eleitorado.

Esse dado adiciona um novo elemento de incerteza ao horizonte político, influenciando decisões de investimento, principalmente de estrangeiros atentos à estabilidade institucional e às diretrizes econômicas futuras.

Impacto sobre ativos financeiros

Para o investidor, o noticiário político se soma a fatores como câmbio, juros e cenário fiscal. Mudanças na percepção de risco político tendem a se refletir rapidamente nos preços dos ativos, tanto na bolsa quanto no mercado de câmbio e renda fixa.

O que o investidor deve observar daqui para frente

Fluxo internacional de capital

A continuidade do rali dos mercados emergentes dependerá, em grande parte, da manutenção do fluxo internacional de capital. Caso o dólar siga mais fraco e os Estados Unidos permaneçam com crescimento moderado, a tendência é que os emergentes continuem no radar.

Política monetária e fiscal

Decisões de política monetária nos principais bancos centrais, bem como o compromisso dos governos emergentes com responsabilidade fiscal, serão determinantes para sustentar o movimento de valorização.

Volatilidade como parte do jogo

Apesar do otimismo, especialistas alertam que a volatilidade deve permanecer elevada. Investir em mercados emergentes oferece oportunidades relevantes, mas exige atenção redobrada ao risco, especialmente em um ambiente global marcado por incertezas econômicas e políticas.

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Imagem: Evan El-Amin/Shutterstock.com

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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