Os mercados financeiros encerraram a segunda-feira, 17 de agosto de 2026, em um ambiente marcado por cautela. No Brasil, o Ibovespa terminou praticamente estável, enquanto o dólar recuou após uma sequência de altas. No exterior, as bolsas de Nova York também fecharam em baixa, pressionadas principalmente pelo avanço do petróleo e pelas incertezas relacionadas ao cenário geopolítico.
O movimento mostra como fatores domésticos e internacionais continuam influenciando os ativos brasileiros. De um lado, investidores acompanham a atividade econômica, os juros e os riscos envolvendo empresas nacionais. De outro, a trajetória do petróleo e as tensões no Oriente Médio aumentam as preocupações com inflação e política monetária.
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Como fechou o mercado brasileiro
Ibovespa termina perto da estabilidade
O Ibovespa encerrou o pregão de segunda-feira com baixa de 0,09%, aos 166.783,57 pontos. Durante o dia, o principal índice da B3 oscilou entre 166.463,50 e 168.006,60 pontos, enquanto o volume financeiro alcançou aproximadamente R$ 24,38 bilhões.
O desempenho foi influenciado negativamente pelo setor bancário, em um momento no qual investidores avaliam os riscos relacionados ao crédito e à situação financeira de empresas brasileiras.
A notícia de que a Casas Bahia apresentou pedido de recuperação judicial também aumentou a cautela com o varejo. A companhia informou uma dívida sujeita à recuperação de cerca de R$ 17,3 bilhões, tornando o episódio relevante para a percepção de risco do mercado.
Na direção oposta, a Petrobras ajudou a limitar as perdas da Bolsa. A valorização do petróleo no mercado internacional favorece as ações de empresas produtoras da commodity e funcionou como um dos principais contrapesos ao movimento negativo.
Dólar recua após sequência de altas
O dólar à vista terminou a sessão em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,1998. O resultado interrompeu uma sequência de cinco pregões de valorização da moeda norte-americana.
A movimentação ocorreu em sintonia com a perda de força do dólar no exterior. No mercado brasileiro, entretanto, a moeda continua sensível às expectativas sobre juros, cenário fiscal e fluxo de capital estrangeiro.
O comportamento do câmbio também merece atenção porque alterações no preço do dólar podem afetar custos de importação, inflação e preços de produtos negociados internacionalmente.
Juros futuros recuam
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) também terminaram o dia em baixa. Os investidores avaliaram os dados mais recentes de atividade econômica e ajustaram posições depois da elevação observada em boa parte da semana anterior.
O contrato com vencimento em janeiro de 2028 passou de 14,035% para 13,99% ao ano. Já o DI para janeiro de 2035 ficou em 14,745%, ante 14,749% anteriormente.
O mercado continua acompanhando os sinais do Banco Central sobre a condução da política monetária. Dados mais fracos de atividade podem reforçar expectativas de juros menores no futuro, embora inflação, câmbio e cenário internacional continuem limitando esse espaço.
Bolsas dos Estados Unidos fecham em baixa
Em Wall Street, os três principais índices americanos terminaram a segunda-feira no vermelho.
O Dow Jones caiu 0,51%, para 53.459,78 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,52%, aos 7.745,06 pontos. O Nasdaq perdeu 0,32%, para 26.644,91 pontos.
A sessão foi marcada por uma combinação de fatores. Os investidores acompanharam a alta do petróleo e as incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. Ao mesmo tempo, o mercado aguarda resultados de grandes varejistas americanos para obter novas pistas sobre o comportamento dos consumidores.
Mesmo com a queda do dia, os principais índices permanecem próximos de níveis historicamente elevados, após um período de forte valorização em 2026.
Europa tem quarta queda consecutiva
As bolsas europeias também terminaram a sessão em baixa. O STOXX 600 caiu 0,22%, aos 656,41 pontos, marcando o quarto pregão consecutivo de perdas.
A pressão veio principalmente do avanço do petróleo, da alta dos rendimentos dos títulos públicos e da redução do apetite por risco diante das incertezas geopolíticas.
O setor de luxo esteve entre os destaques negativos, enquanto as ações ligadas à energia encontraram algum suporte com a valorização do petróleo.
O movimento de cautela continuou na terça-feira, quando o STOXX 600 chegou a registrar a quinta queda consecutiva, diante do aumento das preocupações com inflação e energia na Europa.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
O petróleo foi um dos principais destaques do mercado internacional.
O Brent subiu US$ 2,35, ou 2,65%, para US$ 90,87 por barril, enquanto o WTI avançou US$ 2,10, ou 2,55%, para US$ 84,50.
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A alta ocorreu diante das dificuldades nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A possibilidade de uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo aumentou a preocupação dos investidores com a oferta mundial.
Na terça-feira, a pressão continuou: o Brent chegou a aproximadamente US$ 91,07, enquanto o WTI alcançou US$ 84,99, ambos nos maiores níveis desde o fim de julho.
Para o Brasil, petróleo mais caro pode beneficiar empresas produtoras, como a Petrobras, mas também pode aumentar pressões sobre custos de combustíveis e inflação.
Commodities agrícolas também tiveram movimentos diferentes
No mercado agrícola internacional, as principais commodities apresentaram comportamentos distintos.
A soja subiu 23,50 centavos, para US$ 12,16 por bushel. O milho avançou 6,25 centavos, para US$ 4,895 por bushel.
Já o trigo teve pequena queda de 0,25 centavo, encerrando a US$ 6,8925 por bushel.
No mercado de açúcar, o contrato bruto ganhou 1,6%, para 16,87 centavos de dólar por libra-peso. O açúcar branco avançou 2,3%, para US$ 523 por tonelada.
O café arábica negociado na ICE subiu 1,1%, para US$ 3,179 por libra-peso, enquanto o robusta avançou 1,4%, para US$ 3.644 por tonelada.
O que explica a cautela dos investidores?

A sessão mostrou que os mercados estão reagindo simultaneamente a fatores econômicos e geopolíticos.
No Brasil, a atenção está concentrada na atividade econômica, nas perspectivas para os juros, no câmbio e nos riscos de crédito. A recuperação judicial da Casas Bahia adicionou preocupação sobre o endividamento de empresas, especialmente em setores mais dependentes de financiamento.
No exterior, o petróleo voltou a ser um dos principais indicadores acompanhados pelos investidores. Uma alta persistente da commodity pode aumentar a inflação e dificultar a redução dos juros em diferentes economias.
Por isso, mesmo movimentos aparentemente pequenos no Ibovespa, no dólar ou nas bolsas internacionais podem refletir uma combinação complexa de expectativas sobre inflação, juros, crescimento econômico e riscos geopolíticos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



