Os mercados iniciaram a sessão desta quinta-feira, 4, com atenção redobrada a uma agenda econômica carregada de indicadores tanto no Brasil quanto no exterior. Entre os destaques domésticos, está a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025, marcada para às 9h, que deve servir de termômetro para a economia brasileira.
PIB, leilão do pré-sal e LDO são os protagonistas do mercado nesta quinta-feira (4)
Mercados iniciam a quinta atentos ao PIB, pré-sal, Ibovespa e agenda política. Indicadores no Brasil, EUA e zona do euro impactam investidores.
Além disso, às 9h, a B3 realiza o leilão de áreas não contratadas do pré-sal, evento que tende a impactar diretamente as ações do setor de petróleo e gás, especialmente da Petrobras (PETR4). A expectativa de investidores é de que os resultados do leilão influenciem a valorização das ações ligadas ao segmento de energia.
Mais cedo, às 8h, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar), enquanto às 15h o Ministério da Indústria apresenta o saldo da balança comercial referente a novembro. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) publicará às 10h os dados de produção de veículos do mesmo mês, oferecendo indicadores relevantes para o setor industrial.
No campo político, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) deve apresentar parecer sobre a PEC da Segurança Pública na comissão especial, adicionando um elemento de atenção no Congresso Nacional e repercutindo possivelmente nos mercados diante de possíveis mudanças legislativas.
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Desempenho recente do Ibovespa
O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, renovando máximas e aproximando-se da marca dos 162 mil pontos. O movimento foi sustentado principalmente pelo avanço das ações da Vale e pela percepção de mercado de que os juros nos Estados Unidos podem ser reduzidos na próxima semana.
Dados divulgados nos EUA reforçaram essa expectativa. O relatório da ADP mostrou que foram fechados 32 mil postos de trabalho no setor privado norte-americano em novembro, acima da previsão de criação de 10 mil postos. Entre os agentes econômicos, há a percepção de que um novo corte de juros nos EUA pode elevar as chances de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic em janeiro.
Cenário internacional
No exterior, a 23ª Cúpula Anual Índia–Rússia ocorre em Nova Délhi, reunindo o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. O encontro tem foco em relações bilaterais e parcerias estratégicas, com potencial impacto nos mercados de energia e matérias-primas devido à relevância econômica de ambos os países.
Entre os principais indicadores internacionais, nos Estados Unidos, investidores monitoram os pedidos semanais de auxílio-desemprego às 10h30, com previsão de 220 mil solicitações. Ao meio-dia, são aguardadas as encomendas à indústria de setembro, com expectativa de aumento de 0,5%. Na zona do euro, as vendas no varejo de outubro serão divulgadas às 7h, projetadas para estabilidade mensal e crescimento anual de 1,3%, dados importantes para calibrar a expectativa sobre a recuperação do consumo no bloco.
Atividade do setor de serviços nos EUA
A atividade do setor de serviços norte-americano manteve-se estável em novembro, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto de Gestão de Fornecimento. O índice de gerentes de compras do setor não manufatureiro ficou em 52,6, contra 52,4 em outubro, superando levemente as expectativas de 52,1 apontadas por economistas consultados pela Reuters. O resultado indica manutenção da atividade e preços elevados de insumos, refletindo pressão sobre margens e decisões de política monetária.
Banco Mundial alerta sobre dívidas
O Banco Mundial divulgou que a lacuna entre os custos do serviço da dívida de países em desenvolvimento e os novos financiamentos atingiu US$741 bilhões entre 2022 e 2024, maior nível em mais de 50 anos. A instituição recomendou que os países aproveitem condições de financiamento global mais favoráveis para ajustar suas contas e fortalecer a sustentabilidade fiscal.
Brasil: agenda econômica e política
No Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou sessão do Congresso Nacional para votar exclusivamente a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 (PLN 2/2025). O relatório aprovado na quarta-feira pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) elevou as receitas em R$13,2 bilhões, totalizando aproximadamente R$2,6 trilhões, abrindo caminho para a análise final do Orçamento.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar determinando que apenas o procurador-geral da República pode solicitar a abertura de processo de impeachment contra ministros da corte. A decisão gerou reação do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, e reforça a autonomia do STF frente a tentativas de intimidação de magistrados.
Fluxo cambial e investimentos
O Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$7,115 bilhões em novembro, puxado pela via financeira, que inclui investimentos estrangeiros diretos, remessas de lucros e pagamentos de juros. O fluxo negativo evidencia o impacto das movimentações de capitais sobre a estabilidade cambial e influencia decisões de política monetária.
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Produção industrial e comércio exterior
O leilão do pré-sal realizado pela B3, aliado aos dados de produção industrial e balanço comercial, deve oferecer sinais sobre o desempenho do setor energético e industrial no fechamento de 2025. O Ministério da Indústria divulga o saldo da balança comercial de novembro às 15h, refletindo exportações e importações em momentos de recuperação econômica global.
Indicadores sociais: pobreza em queda
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o número de pessoas em situação de pobreza no Brasil caiu pelo terceiro ano consecutivo em 2024, com 8,6 milhões de brasileiros saindo dessa condição. O percentual de pobreza atingiu 23,1%, impulsionado por programas sociais e melhora do mercado de trabalho, mostrando continuidade na recuperação após o pico de 36,8% em 2021 durante a pandemia de Covid-19.
Agenda presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma agenda concentrada em Brasília nesta quinta-feira. Às 10h, participa da reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio Itamaraty. À tarde, recebe o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, às 14h40, seguido pelo encontro com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, às 15h. A agenda oficial se encerra às 16h30 com a reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.
Perspectivas de mercado
Investidores continuam atentos à combinação de fatores domésticos e internacionais. No Brasil, a divulgação do PIB, dados de produção industrial, balança comercial e leilão do pré-sal devem influenciar decisões de investimentos em ações e títulos públicos. Internacionalmente, decisões de política monetária nos EUA, dados da zona do euro e encontros bilaterais, como a cúpula Índia-Rússia, seguem como variáveis determinantes para fluxos de capitais e precificação de ativos.
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Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com
