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Baidu e Meta preveem o fim das agências de publicidade com avanço da IA

Com Meta e Baidu à frente, IA transforma o marketing e ameaça o futuro das agências de publicidade tradicionais no mundo digital.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Baidu e Meta preveem o fim das agências de publicidade com avanço da IA

Um novo marco foi alcançado recentemente na China e repercutiu globalmente no universo da publicidade digital: o empresário Luo Yonghao, conhecido por seu talento na venda de produtos ao vivo, arrecadou US$ 7 milhões em apenas seis horas de transmissão. Mas o mais impressionante não foi o número alcançado — e sim quem conduziu o evento: não foi Yonghao em pessoa, mas sim seu gêmeo digital gerado por inteligência artificial.

A façanha aponta para uma tendência que vem ganhando força nos bastidores do marketing digital: a ascensão da IA como protagonista na produção e execução de campanhas publicitárias. E os resultados, como mostram Yonghao e tantos outros casos recentes, começam a superar o desempenho humano em vários aspectos.

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Meta quer eliminar humanos do processo publicitário até 2026

meta baidu
Imagem: Divulgação / Meta IA

Em junho de 2025, Mark Zuckerberg fez um anúncio audacioso: até 2026, a Meta pretende eliminar completamente a intervenção humana na criação e veiculação de anúncios em suas plataformas. A empresa aposta que algoritmos de IA serão capazes de:

  • Criar peças publicitárias,
  • Definir públicos-alvo,
  • Distribuir os anúncios de forma otimizada,
  • E ainda ajustar campanhas em tempo real com base nos resultados.

A proposta marca uma ruptura radical com o modelo tradicional de agências full service, que há décadas dominam a cadeia de valor do marketing. Se implementado em larga escala, o plano da Meta pode tornar obsoletos inúmeros cargos nas áreas criativa, estratégica e de mídia.

A era das campanhas geradas por IA já começou

O caso Kalshi: um comercial 100% feito por IA

A startup Kalshi impactou o mercado ao exibir durante as finais da NBA, na YouTube TV, um comercial que foi completamente gerado com ferramentas de IA. O youtuber PJ Accetturo, responsável pela direção do projeto, revelou que a produção levou apenas dois dias — sem câmeras, sem estúdio, sem equipe técnica tradicional.

O anúncio, com estética inspirada em memes da internet e no universo do jogo Grand Theft Auto, não apenas chamou a atenção do público, mas também rompeu com os paradigmas de produção audiovisual. O resultado final, que normalmente exigiria semanas de trabalho de dezenas de profissionais, foi entregue em tempo recorde com baixo custo e grande impacto.

AMC e Runway: IA também chega a Hollywood

Outro exemplo dessa transformação veio da indústria cinematográfica. A AMC Networks firmou uma parceria com a startup Runway, especializada em inteligência artificial. A tecnologia será usada para:

  • Gerar imagens promocionais,
  • Agilizar a “pré-visualização” de cenas antes das filmagens,
  • Criar conteúdo visual em estágios iniciais de desenvolvimento.

Para uma indústria acostumada com roteiros, storyboards, locações e equipes numerosas, esse tipo de abordagem representa um corte significativo de custos e tempo, abrindo espaço para a IA também como ferramenta indispensável no entretenimento.

O fim das agências de publicidade?

De Don Draper ao algoritmo: uma mudança de era

Na série Mad Men, Don Draper encarna o auge da publicidade como arte e emoção. Em um dos episódios mais icônicos, ele transforma uma simples máquina de slides da Kodak numa “máquina do tempo”, evocando sentimentos de nostalgia profunda. O sucesso de campanhas era medido pela conexão emocional criada com o público, não apenas pelos cliques ou impressões.

Hoje, no entanto, esse romantismo dá lugar à frieza dos dados. Em vez de brainstormings noturnos com café e cigarro, algoritmos analisam padrões de comportamento e geram campanhas personalizadas em segundos. A criatividade humana, nesse cenário, é substituída pela produtividade quase infinita da IA.

A IA vai substituir todos os profissionais?

Nem todos os especialistas veem esse avanço como destrutivo. Alguns apontam que, embora muitas agências possam enxugar suas operações ou até encerrar atividades, outras se adaptarão, tornando-se curadoras ou integradoras de soluções de IA. O papel do publicitário não desapareceria, mas mudaria:

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  • De criador para estrategista de prompts,
  • De editor para analista de performance,
  • De diretor de arte para designer de experiências automatizadas.

O público ainda valoriza o toque humano?

Dedo ativando um painel de ferramentas holográfico
Imagem: Gerd Altmann/pixabay.com

O fator novidade pode ter prazo de validade

O comercial da Kalshi, por exemplo, gerou enorme repercussão porque foi o primeiro de seu tipo. Mas essa inovação pode perder o brilho com o tempo. A pergunta que permanece é: o público continuará reagindo positivamente ao conteúdo gerado por IA quando isso se tornar comum?

Estudos indicam que consumidores valorizam a autenticidade — e essa qualidade ainda está fortemente associada à produção humana. Imagens perfeitas demais, scripts impecáveis demais ou interações robóticas podem acabar afastando parte da audiência, especialmente nas redes sociais, onde o fator espontaneidade é chave.

IA e criatividade podem coexistir?

O futuro do marketing pode ser híbrido

É possível que o caminho mais sustentável seja a combinação entre humanos e máquinas. A IA pode assumir tarefas repetitivas, técnicas ou operacionais, enquanto os profissionais criativos se concentram em aspectos estratégicos e emocionais da comunicação.

Em vez de eliminar a criatividade humana, a inteligência artificial pode expandir seus horizontes, oferecendo novas ferramentas para que ela floresça. Afinal, por trás do sucesso dos gêmeos digitais de Yonghao ou do comercial da Kalshi, ainda há seres humanos programando, planejando e tomando decisões-chave.

Imagem: Stokkete / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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