O processo antitruste movido pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) contra a Meta atingiu um momento decisivo. Ao concluir sua defesa, a gigante da tecnologia apresentou uma narrativa firme: segundo a empresa, as aquisições de WhatsApp e Instagram foram cruciais para o sucesso dos dois aplicativos.
WhatsApp e Instagram tiveram evolução apenas após chegada da Meta, diz empresa
Meta defende que WhatsApp e Instagram só prosperaram após sua aquisição e rebate acusações de monopólio.
Contrariando a premissa da FTC, que questiona o impacto dessas aquisições sobre a concorrência, a Meta argumenta que os dois serviços não teriam prosperado de forma independente. Com depoimentos de fundadores e especialistas, a companhia sustenta que sua infraestrutura foi essencial para o crescimento e popularização das plataformas.
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Meta responde à FTC: crescimento veio com escala e suporte

Durante as últimas semanas do julgamento, a Meta construiu sua defesa com base em um argumento central: WhatsApp e Instagram não teriam alcançado o sucesso atual sem o respaldo da empresa.
A empresa chamou à audiência figuras-chave como Brian Acton, cofundador do WhatsApp, e antigos gestores de infraestrutura do Instagram. O objetivo foi apresentar uma versão dos fatos que destaca a necessidade de apoio técnico e financeiro robusto, algo que, segundo a Meta, somente uma grande companhia poderia oferecer.
Contraponto a Systrom: Meta nega ter limitado o Instagram
Uma das principais acusações da FTC foi baseada no depoimento de Kevin Systrom, cofundador do Instagram, que alegou que, após a aquisição, o app perdeu liberdade para investir e evoluir.
Em resposta, a Meta negou qualquer interferência que tenha prejudicado o desenvolvimento da plataforma. Pelo contrário: a empresa sustenta que, sem sua administração, tanto WhatsApp quanto Instagram poderiam ter perdido relevância em um mercado altamente competitivo.
Redefinindo concorrência: TikTok e YouTube como rivais
Outro ponto importante da defesa foi a tentativa da Meta de ampliar o conceito de concorrência nas redes sociais. Para a FTC, o foco do processo está em serviços sociais voltados à conexão entre amigos e familiares, área em que a Meta teria estabelecido um monopólio.
A Meta contestou essa visão. Para a empresa, plataformas como TikTok e YouTube, mesmo voltadas ao entretenimento, competem diretamente com Facebook e Instagram ao disputar tempo de tela, engajamento e receitas de publicidade dos usuários.
Economistas contratados pela Meta reforçaram essa visão. No entanto, o juiz James Boasberg questionou a abrangência do argumento. Em decisão anterior, ele chegou a ironizar que, sob essa lógica, “assistir a um filme com amigos ou ler um livro na biblioteca” também seriam atividades concorrentes.
Instagram já teria atingido limite de crescimento nos EUA
Em sua tentativa de rebater a acusação de monopólio, a Meta trouxe dados sobre o uso do Instagram nos Estados Unidos. Segundo Alex Schultz, diretor de marketing da empresa, “quase todos os usuários elegíveis no país já estão na plataforma”. Esse cenário explicaria a desaceleração recente no crescimento do aplicativo.
A Meta defende que, neste contexto, a verdadeira disputa acontece na atenção diária dos usuários, algo em que TikTok e YouTube surgem como ameaças reais à sua dominância.
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FTC rebate: crescimento não significa melhor experiência
Apesar dos números apresentados, a FTC questiona se o sucesso de Instagram e WhatsApp significa, de fato, uma melhor experiência para os consumidores. O economista Scott Hemphill afirmou que “o fato de o Instagram ter crescido sob a gestão da Meta não comprova que a experiência do usuário melhorou”.
Hemphill sugeriu que, em um mercado mais aberto, sem a concentração de poder nas mãos da Meta, o ecossistema de redes sociais poderia ter se desenvolvido de forma mais benéfica ao público.
Meta tenta resgatar essência social com novo recurso

Mesmo argumentando que a função de conectar amigos e familiares perdeu centralidade nas redes sociais, a Meta reconheceu que esse tipo de interação ainda é valorizado. Como resposta, a empresa lançou o recurso “OG Facebook”.
A novidade consiste em uma aba que exibe apenas postagens de conexões diretas, sem interferência do algoritmo de recomendações, um retorno ao que muitos consideram a essência original do Facebook.
Com informações de: Olhar Digital
