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Câmera deixa de funcionar em óculos smart modificados após ação da Meta

A Meta desativou remotamente as câmeras de uma parcela dos óculos inteligentes vendidos pela empresa após identificar aparelhos que tiveram o LED de gravação adulterado. O objetivo das modificações era impedir que a luz indicasse quando a câmera estava fotografando ou gravando vídeos. A informação foi confirmada pela própria Meta ao Tecnoblog. Segundo a companhia, […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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A Meta desativou remotamente as câmeras de uma parcela dos óculos inteligentes vendidos pela empresa após identificar aparelhos que tiveram o LED de gravação adulterado. O objetivo das modificações era impedir que a luz indicasse quando a câmera estava fotografando ou gravando vídeos.

A informação foi confirmada pela própria Meta ao Tecnoblog. Segundo a companhia, menos de 0,1% das unidades comercializadas passaram por esse tipo de alteração.

Embora o percentual pareça pequeno, ele pode representar milhares de aparelhos. Considerando cerca de 7 milhões de unidades vendidas pela EssilorLuxottica até o fim de 2025, a estimativa chega a aproximadamente 7 mil óculos afetados.

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Por que a Meta decidiu desligar as câmeras?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os óculos inteligentes da Meta possuem uma câmera integrada e um LED criado para avisar quem está por perto de que uma gravação está acontecendo.

O sistema funciona como uma espécie de sinal de transparência: ao iniciar uma captura, o indicador luminoso acende. Dessa forma, outras pessoas podem perceber que estão diante de um dispositivo capaz de registrar imagens.

O problema apareceu quando alguns usuários passaram a modificar fisicamente os aparelhos para esconder ou desativar esse sinal.

“Estimamos que menos de 0,1% das unidades vendidas tiveram a câmera adulterada para tentar desativar a luz de LED, e desligamos essas câmeras”, afirmou a Meta ao Tecnoblog.

A empresa, porém, não explicou quais mecanismos utiliza para identificar remotamente que um aparelho teve o sistema alterado.

Meta já havia criado uma proteção contra o LED coberto

A desativação das câmeras não foi a única medida adotada pela empresa.

Na semana passada, a Meta implementou uma atualização que impede os óculos de continuar gravando caso o LED seja coberto durante a captura.

A mudança veio depois que usuários encontraram uma maneira de contornar o mecanismo de segurança. Era possível iniciar uma gravação normalmente e, em seguida, bloquear fisicamente a luz indicadora.

Com a atualização, os óculos passam a interromper a gravação quando detectam que o indicador foi obstruído.

A medida tenta impedir justamente o uso do dispositivo para registrar imagens sem que as pessoas próximas tenham conhecimento da gravação.

Cerca de 7 mil aparelhos podem ter sido afetados

A Meta não divulgou o número exato de óculos que tiveram as câmeras desativadas.

O cálculo de aproximadamente 7 mil aparelhos é uma estimativa baseada na informação de que menos de 0,1% das unidades vendidas apresentaram adulterações e no volume de aproximadamente 7 milhões de óculos comercializados até o fim de 2025.

Por isso, não é correto afirmar que exatamente 7 mil dispositivos foram bloqueados. O número serve apenas para dimensionar a ordem de grandeza do problema.

Também não há informação pública sobre quantos aparelhos foram identificados em cada país.

Óculos inteligentes viraram uma preocupação de privacidade

A discussão acontece em um momento de crescimento no uso dos chamados smart glasses.

Os modelos da Meta permitem fotografar e gravar vídeos a partir da perspectiva do usuário sem que seja necessário pegar um celular. Também possuem microfones, alto-falantes e recursos de inteligência artificial.

A praticidade, entretanto, cria um problema: uma câmera muito pequena posicionada na altura dos olhos pode ser mais difícil de perceber do que um smartphone apontado diretamente para alguém.

Nas redes sociais, já circulam vídeos de pessoas utilizando os óculos para abordar desconhecidos, fazer pegadinhas e registrar situações constrangedoras.

Em muitos desses casos, a discussão não está relacionada apenas ao uso da tecnologia, mas à percepção de quem está sendo filmado e ao consentimento para o registro.

O que o LED representa nesse debate?

O indicador luminoso é uma das principais barreiras criadas pela Meta para tornar a gravação perceptível.

Se alguém vê o LED aceso, consegue identificar que o dispositivo está capturando imagens. Quando essa luz é adulterada ou bloqueada, essa camada de proteção deixa de cumprir sua função.

Por isso, a preocupação vai além da possibilidade de modificar um componente físico.

O episódio mostra que fabricantes de dispositivos vestíveis precisam considerar não apenas a segurança do próprio usuário, mas também os direitos das pessoas que podem aparecer nas imagens capturadas.

Os óculos inteligentes da Meta são vendidos no Brasil?

Sim.

A Meta comercializa no país os óculos inteligentes das linhas Ray-Ban Meta e Oakley Meta. Os aparelhos combinam câmera, microfones, alto-falantes e recursos de inteligência artificial.

Os modelos disponíveis no Brasil partem de aproximadamente R$ 3,3 mil, dependendo da versão.

A terceira geração dos Meta Glasses também já foi homologada para venda no país, embora ainda não tenha uma data de lançamento confirmada.

Isso significa que a discussão sobre privacidade já tem impacto direto no mercado brasileiro, onde esses dispositivos podem ser utilizados em locais públicos, estabelecimentos comerciais e ambientes de convivência.

Brasil também discute os riscos dos smart glasses

A preocupação com os óculos equipados com câmeras chegou às autoridades brasileiras.

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para solicitar uma investigação sobre possíveis riscos relacionados ao uso desses dispositivos.

A discussão envolve questões como captura de imagens sem consentimento, privacidade e utilização de informações obtidas por meio dos aparelhos.

O debate tende a ganhar força conforme câmeras e sistemas de inteligência artificial se tornam cada vez menores e passam a fazer parte de objetos utilizados diariamente.

Noruega avalia restringir óculos com câmeras

O debate não está restrito ao Brasil.

Na Noruega, autoridades avaliam medidas para restringir ou até proibir determinados óculos inteligentes equipados com câmeras.

A preocupação está relacionada à possibilidade de utilização desses dispositivos para monitorar pessoas em espaços públicos sem que elas saibam que estão sendo filmadas.

A ministra da Digitalização da Noruega, Karianne Tung, afirmou que é necessário impedir que equipamentos desse tipo sejam utilizados para monitorar outras pessoas em locais públicos.

O país também pretende discutir o tema com especialistas e avaliar formas de proteger a privacidade diante da evolução dos dispositivos vestíveis.

O que acontece com quem teve a câmera desativada?

Até o momento, a Meta não divulgou um procedimento público detalhado para esses casos.

A empresa confirmou apenas que desligou as câmeras dos aparelhos identificados como adulterados.

Também não foi explicado se existe algum processo para recuperar a funcionalidade depois que o dispositivo volta a operar dentro das condições originais.

Para os demais proprietários, a recomendação é manter o software atualizado e não modificar fisicamente o LED ou outros mecanismos de segurança dos óculos.

O caso revela uma nova questão sobre dispositivos conectados

A decisão da Meta também chama atenção por outro motivo: a empresa conseguiu restringir remotamente uma função de um produto que já estava nas mãos do consumidor.

Isso mostra como dispositivos conectados dependem não apenas do hardware comprado, mas também de softwares, atualizações e sistemas controlados pelo fabricante.

No caso dos óculos inteligentes, essa relação tende a se tornar ainda mais relevante à medida que novas funções de inteligência artificial forem incorporadas aos aparelhos.

O episódio deixa, portanto, uma questão em aberto para o mercado: até onde uma fabricante pode controlar remotamente as funções de um dispositivo depois que ele já foi comprado?

O que esperar dos óculos inteligentes daqui para frente?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A tendência é que fabricantes reforcem os mecanismos destinados a indicar quando câmeras e microfones estão ativos.

Ao mesmo tempo, governos e entidades de defesa do consumidor devem discutir regras específicas para dispositivos capazes de registrar imagens e sons de maneira discreta.

O caso da Meta mostra que o desafio não está apenas em desenvolver óculos cada vez mais tecnológicos. É preciso garantir que a praticidade oferecida ao usuário não transforme outras pessoas em alvos involuntários de gravações.

Enquanto essa regulamentação avança, o LED continua sendo uma das principais ferramentas para tornar o funcionamento da câmera visível — e a tentativa de burlá-lo já levou a Meta a tomar uma medida extrema: desligar remotamente as câmeras dos aparelhos adulterados.

Conclusão

A decisão da Meta mostra que o problema dos óculos inteligentes vai além de uma simples alteração no aparelho. Ao adulterar o LED, o usuário elimina um dos principais sinais de que a câmera está gravando, aumentando os riscos à privacidade.

Com a popularização desses dispositivos, fabricantes e autoridades terão de criar mecanismos cada vez mais eficazes para evitar gravações sem consentimento. Para os proprietários, a recomendação é manter o aparelho atualizado e não modificar seus sistemas de segurança.

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