A Meta Platforms, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, surpreendeu o mercado ao registrar uma despesa extraordinária de quase US$ 16 bilhões no terceiro trimestre de 2025, relacionada ao projeto de lei Big Beautiful Bill, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Meta em crise? Gigante tem lucro fraco e sofre queda forte após encargo bilionário
Meta registra gasto de US$ 16 bi com lei de Trump e mantém foco em IA e data centers, mesmo com ações em queda e cortes.
O anúncio, feito durante a divulgação dos resultados financeiros, gerou forte reação em Wall Street. As ações da Meta caíram mais de 7% após o fechamento do mercado, refletindo a preocupação dos investidores com os impactos de curto prazo sobre o lucro da companhia.
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Despesa bilionária e impacto no lucro
De acordo com o relatório oficial enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), o custo de US$ 15,93 bilhões reduziu drasticamente o lucro líquido da Meta no trimestre — que caiu de US$ 18,64 bilhões para US$ 2,71 bilhões.
A empresa afirmou que, sem a despesa extraordinária, o lucro teria apresentado crescimento expressivo. O impacto contábil, no entanto, foi considerado necessário para se adequar às novas exigências fiscais e regulatórias introduzidas pelo Big Beautiful Bill, uma legislação que tem afetado grandes empresas de tecnologia sediadas nos EUA.
Segundo analistas, a despesa está relacionada a provisões fiscais e ajustes de conformidade internacional, uma consequência direta da proposta de Trump de repatriar lucros de multinacionais e impor novos tributos sobre ativos digitais.
Meta projeta aumento expressivo nos investimentos
Apesar do impacto negativo no balanço, a Meta deixou claro que continuará aumentando seus investimentos de capital (CapEx). A projeção para 2026 foi revisada para entre US$ 70 bilhões e US$ 72 bilhões, superando a faixa anterior de US$ 66 bilhões a US$ 72 bilhões.
O aumento se deve à expansão agressiva dos data centers de inteligência artificial e ao fortalecimento da infraestrutura necessária para a criação de modelos de superinteligência — uma aposta que o CEO Mark Zuckerberg considera essencial para o futuro da empresa.
“Estamos construindo as bases para uma nova era de computação”, afirmou Zuckerberg em comunicado.
“A IA está no centro de tudo o que a Meta fará nos próximos dez anos.”
Publicidade impulsionada por inteligência artificial

Mesmo diante das turbulências financeiras, a Meta segue se beneficiando de sua enorme base de usuários ativos — que ultrapassa 3,8 bilhões de pessoas em suas plataformas — e de uma plataforma de anúncios cada vez mais otimizada por IA.
Como a IA está transformando o negócio de anúncios da Meta
A companhia utiliza inteligência artificial para:
- Automatizar campanhas publicitárias;
- Aprimorar a qualidade dos vídeos e imagens usados em anúncios;
- Traduzir anúncios automaticamente em diferentes idiomas;
- Gerar imagens personalizadas para públicos específicos.
Essas ferramentas, somadas à escala global do Facebook, Instagram e WhatsApp, consolidam a Meta como a maior plataforma de publicidade digital do mundo, competindo diretamente com a Alphabet (Google) e com o TikTok, da chinesa ByteDance.
Expansão de anúncios e novas frentes de receita
WhatsApp e Threads entram no jogo
A Meta tem explorado novas fontes de monetização ao incluir anúncios no WhatsApp, seu aplicativo de mensagens mais popular, e na rede social Threads, criada para rivalizar com o X (antigo Twitter), de Elon Musk.
Essas iniciativas ampliam o ecossistema de receita da companhia e diversificam os canais de publicidade, especialmente em regiões emergentes como América Latina, África e Índia.
Reels vs TikTok e YouTube Shorts
O Reels, formato de vídeos curtos do Instagram, continua a disputar o mercado publicitário com o TikTok e o YouTube Shorts, com forte crescimento nas taxas de engajamento e retenção.
A Meta afirma que, graças aos avanços em IA, a entrega de vídeos no Reels se tornou mais personalizada e eficiente, aumentando o tempo médio de uso da plataforma.
Superinteligência e a criação da unidade Superintelligence Labs
Em junho de 2025, a Meta anunciou a criação da unidade Superintelligence Labs, responsável por centralizar seus esforços em inteligência artificial avançada. O movimento ocorreu após a saída de executivos sêniores e a recepção negativa ao modelo Llama 4, o mais recente modelo de linguagem da companhia.
Meta quer alcançar a superinteligência
Zuckerberg tem como meta desenvolver sistemas capazes de raciocinar além da capacidade humana, conceito conhecido como superinteligência.
A empresa planeja investir centenas de bilhões de dólares na construção de grandes data centers de IA, equipados com os chips mais avançados do mercado.
Atualmente, a Meta está entre as principais compradoras de GPUs da Nvidia, empresa que domina o fornecimento de hardware para treinamento de modelos generativos de IA.
Projeto Hyperion e o maior acordo de capital da história da Meta
Na semana anterior à divulgação dos resultados, a Meta firmou um acordo histórico de financiamento de US$ 27 bilhões com a Blue Owl Capital, um dos maiores gestores de ativos privados do mundo.
O valor será destinado à construção do complexo de data centers “Hyperion”, localizado em Richland Parish, Louisiana, considerado um dos maiores projetos de infraestrutura tecnológica do planeta.
O projeto deve empregar mais de 15 mil trabalhadores durante as fases de construção e operação, e será o principal polo de treinamento de IA da Meta na América do Norte.
Cortes de 600 vagas e reestruturação interna
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Apesar dos investimentos recordes, a Meta também anunciou um corte de cerca de 600 vagas em sua divisão de IA. A medida faz parte de um plano para otimizar a tomada de decisões e aumentar a responsabilidade de cada equipe.
Segundo comunicado interno, o objetivo é tornar a empresa mais enxuta e eficiente, sem comprometer o ritmo de desenvolvimento de novas tecnologias.
Esses cortes se somam às reduções realizadas em 2023 e 2024, quando a Meta eliminou mais de 20 mil cargos como parte do programa de reestruturação conhecido internamente como “Year of Efficiency”.
Pressões financeiras e riscos de uma bolha da IA
Os custos bilionários com infraestrutura e chips de IA têm pressionado o caixa de grandes empresas de tecnologia, incluindo Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e CoreWeave.
De acordo com estimativas do Morgan Stanley, o investimento global em infraestrutura de IA em 2025 deve ultrapassar US$ 400 bilhões — um aumento de 35% em relação ao ano anterior.
Temor de uma bolha tecnológica
Especialistas alertam que esse crescimento acelerado pode repetir o cenário da bolha das “ponto com” nos anos 2000, caso os investimentos não gerem retornos concretos no curto prazo.
Analistas do setor preveem que a pressão sobre os executivos para apresentar resultados mensuráveis e sustentáveis aumentará, o que pode levar a:
- Cortes de pessoal adicionais;
- Cancelamento de projetos de IA de alto risco;
- Revisões nos conselhos administrativos.
Perspectivas para 2026: crescimento, risco e aposta em IA

A Meta aposta que sua estratégia de longo prazo em inteligência artificial trará ganhos exponenciais. O foco está em criar ecossistemas de produtos interconectados, capazes de gerar valor por meio de automação, personalização e recomendação inteligente.
A visão de Zuckerberg
“Estamos investindo para construir a base da superinteligência, e acreditamos que esse será o maior avanço tecnológico da história da humanidade”,
disse Mark Zuckerberg, CEO da Meta, em conferência com investidores.
Apesar das críticas sobre o aumento dos gastos, o executivo mantém o otimismo e garante que os investimentos atuais sustentarão o crescimento da empresa por décadas.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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