A utilização de vídeos manipulados por meio de inteligência artificial (IA), conhecidos como deepfakes, se tornou uma ferramenta perigosa no cenário digital, capaz de enganar milhares de pessoas.
Meta deverá apagar vídeo falso de Haddad utilizado em golpe financeiro
Governo brasileiro exige que Meta retire vídeo deepfake de Fernando Haddad utilizado em golpe financeiro. Vídeo falso indica fraude em resgates de valores esquecidos. A AGU notificou a plataforma e promete ações legais
Recentemente, o governo brasileiro, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou a Meta, responsável pelas redes sociais Facebook e Instagram, para retirar do ar um vídeo falso que atribui declarações fraudulentas ao Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Este vídeo foi utilizado em um golpe financeiro que promete resgatar valores esquecidos em contas bancárias de usuários, induzindo-os a fornecer dados pessoais e sensíveis.
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O que são Deepfakes e como eles funcionam?
Definição e Tecnologias Envolvidas
Os deepfakes são vídeos, áudios ou imagens manipuladas por IA, que imitam a aparência e a voz de uma pessoa de forma tão realista que muitas vezes é difícil perceber que são falsos.
A tecnologia por trás dos deepfakes utiliza redes neurais e algoritmos avançados de aprendizado de máquina, conhecidos como generative adversarial networks (GANs), para criar essas manipulações. Em muitas situações, essas produções são usadas para enganar ou manipular o público, disseminando desinformação e gerando impacto negativo em indivíduos ou instituições.
Deepfakes como Ferramenta para Golpes
Embora os deepfakes sejam frequentemente associados a fake news e manipulação política, como no caso recente envolvendo Fernando Haddad, eles também têm sido usados como ferramenta em crimes financeiros.
Ao criar um vídeo de uma pessoa pública – como um político, celebridade ou líder de opinião – fazendo declarações falsas, os golpistas podem enganar o público e induzi-lo a ações prejudiciais, como fornecer dados bancários ou acessar sites fraudulentos.
O caso do vídeo falso de Fernando Haddad, que simula o ministro recomendando um site para resgatar valores esquecidos no Banco Central, é um exemplo claro desse tipo de manipulação.
O Golpe do Vídeo Falso: Como Funciona?
A Simulação de Fernando Haddad
No vídeo manipulado, o deepfake de Fernando Haddad aparece fazendo uma recomendação alarmante sobre a necessidade urgente de resgatar valores esquecidos em contas bancárias. O áudio do vídeo, com uma voz que soa como a do ministro, instrui os espectadores a acessar um site fraudulento, inserir seus dados pessoais e realizar transações financeiras.
O golpe é projetado para criar uma sensação de urgência, alegando que o prazo para o resgate se encerraria em breve, o que aumenta a chance de as vítimas agirem sem questionar a veracidade do conteúdo.

O Papel do Banco Central no Golpe
No Brasil, o Banco Central mantém o Sistema de Valores a Receber (SVR), que permite aos cidadãos recuperarem valores esquecidos em contas bancárias. Contudo, o golpe se aproveita da popularidade e da credibilidade dessa iniciativa, distorcendo as informações.
O deepfake faz com que a vítima acredite estar interagindo com uma fonte oficial, enganando-a ao direcioná-la para um site fraudulento que coleta dados sensíveis.
A Disseminação nas Redes Sociais
Após a publicação, o vídeo começou a ser compartilhado rapidamente, principalmente em plataformas como Facebook e Instagram. Nessas redes sociais, golpistas utilizam perfis falsos, frequentemente criados com fotos geradas por IA, para espalhar o conteúdo.
A tática é eficaz porque ela combina o rosto de uma figura pública com um apelo urgente e a ilusão de autenticidade. É um golpe sofisticado, projetado para enganar até mesmo aqueles mais cautelosos com informações online.
A Resposta do Governo: A Notificação da AGU
A Ação da Advocacia-Geral da União (AGU)
Diante da gravidade do caso, a AGU tomou uma posição firme e notificou a Meta para que o vídeo fosse removido imediatamente. A plataforma foi alertada sobre a violação das políticas de uso, especialmente as que proíbem conteúdo fraudulento e atividades que possam enganar ou explorar os usuários.
Em sua notificação, a AGU ainda deixou claro que, caso o pedido não fosse atendido, medidas judiciais seriam tomadas para responsabilizar a Meta pela manutenção do conteúdo ilegal.
A AGU exigiu que a plataforma fornecesse informações detalhadas sobre o vídeo, como as métricas de engajamento, a monetização do conteúdo e a identificação dos responsáveis pela postagem.
O Impacto do Golpe na Imagem do Governo
Além do prejuízo financeiro causado às vítimas, a disseminação do vídeo falso afeta a credibilidade das políticas públicas implementadas pelo governo, especialmente no que se refere ao sistema de recuperação de valores esquecidos.
O golpe distorce a informação oficial e pode gerar desconfiança nas ações do Ministério da Fazenda, prejudicando a comunicação e a transparência com a população.
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A Resposta da Meta: Compromisso com as Autoridades
A Nota Oficial da Meta
Em resposta à notificação da AGU, a Meta declarou que o conteúdo violador das suas regras seria removido, uma vez que violava as políticas da plataforma contra fraudes e desinformação.
A empresa afirmou que “atividades que tenham como objetivo enganar, fraudar ou explorar pessoas não são permitidas em nossas plataformas”, reiterando seu compromisso com a remoção de conteúdos nocivos.
Além disso, a Meta disse que utiliza uma combinação de denúncias de usuários, tecnologia de IA e revisão humana para identificar e remover conteúdos violadores. A empresa também se comprometeu a cooperar com as autoridades dentro dos limites da legislação.
A Dúvida Sobre a Eficácia das Ações
Embora a Meta tenha afirmado que está colaborando com as autoridades, a falta de ação imediata em casos como este levanta questões sobre a eficácia das políticas de moderação e a responsabilidade das grandes plataformas de redes sociais na luta contra a desinformação.
O Golpe e a Recuperação de Valores Esquecidos: Como Proteger-se?
O Sistema de Valores a Receber do Banco Central
O Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central é uma iniciativa legítima que visa permitir aos cidadãos resgatar valores esquecidos em contas bancárias, como contas correntes ou poupanças.
Contudo, é importante que os usuários estejam cientes de que o Banco Central nunca enviará mensagens de texto ou vídeos com links para realizar transações. Todo o processo de resgate deve ser feito através de canais oficiais, como o site do próprio Banco Central.

Como Evitar Golpes Digitais
Para evitar cair em golpes como o do vídeo falso de Fernando Haddad, é essencial adotar práticas de segurança digital, como:
- Verificar fontes: Sempre confirme as informações recebidas por meio de canais oficiais, como sites governamentais;
- Desconfie de urgências: Golpes frequentemente utilizam prazos curtos para induzir uma ação precipitada;
- Nunca forneça dados pessoais: Evite clicar em links desconhecidos ou fornecer informações sensíveis através de sites não verificados;
- Use ferramentas de segurança: Ative a autenticação em duas etapas em suas contas online e utilize softwares antivírus.
Imagem: Pira25 / Shutterstock.com
