Adolescentes dos Estados Unidos terão o acesso ao Instagram e ao Facebook limitado a duas horas por dia por padrão. As plataformas também serão bloqueadas durante a madrugada, deixarão de enviar a maior parte das notificações no horário escolar e oferecerão mais ferramentas de supervisão aos responsáveis.
As medidas fazem parte de um acordo entre a Meta e procuradores-gerais de dezenas de estados norte-americanos. A negociação busca encerrar processos que acusam a empresa de desenvolver recursos capazes de estimular o uso excessivo das redes sociais e provocar danos a crianças e adolescentes.
As mudanças, porém, não serão aplicadas imediatamente. O acordo ainda depende de aprovação judicial e prevê um período de implementação. Além disso, as novas regras estão limitadas aos estados e territórios participantes dos Estados Unidos.
No Brasil, adolescentes já contam com algumas proteções, mas não existe, por enquanto, um limite automático de duas horas com bloqueio do acesso. Entenda o que vai mudar nos Estados Unidos, como os controles funcionarão e quais recursos estão disponíveis para famílias brasileiras.
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Por que a Meta anunciou novas regras para adolescentes?

A Meta enfrentava ações judiciais apresentadas por estados norte-americanos. Os processos acusavam a companhia de criar funcionalidades que incentivam crianças e adolescentes a permanecer por mais tempo no Instagram e no Facebook.
As acusações envolviam recursos como rolagem infinita, reprodução automática, notificações frequentes e recomendações personalizadas. Esse conjunto pode fazer com que o usuário continue navegando mesmo quando não pretendia permanecer tanto tempo na plataforma.
Também foram levantadas preocupações relacionadas à saúde mental, exposição a conteúdos inadequados, comparação de aparência, contato com adultos suspeitos e presença de menores de 13 anos nas redes.
Ao fechar o acordo, a Meta não admitiu ter cometido as irregularidades alegadas. A empresa afirmou que as medidas criam um padrão para o setor e defendeu que concorrentes como TikTok e YouTube adotem regras semelhantes.
O acordo prevê pagamento de até aproximadamente US$ 17 bilhões ao longo de dez anos, segundo procuradores estaduais e documentos judiciais. Parte dos valores e das obrigações ainda depende das condições previstas no texto.
Quando as novas regras começam a valer?
As mudanças não entram em vigor imediatamente após o anúncio.
O acordo precisa ser aprovado pela Justiça dos Estados Unidos. Depois dessa aprovação, a Meta terá prazos para implementar os recursos nos estados e territórios participantes.
A previsão divulgada é que a maior parte das mudanças seja aplicada dentro de até um ano após a entrada em vigor do acordo. Algumas obrigações permanecerão válidas por dez anos.
Isso significa que adolescentes norte-americanos não terão necessariamente os aplicativos bloqueados ou limitados a partir do dia seguinte ao anúncio.
A aplicação também dependerá da capacidade da Meta de identificar corretamente a idade e relacionar diferentes contas pertencentes ao mesmo usuário.
Como funcionará o limite de duas horas?
O Instagram e o Facebook terão um limite diário padrão de duas horas para usuários menores de 18 anos.
O tempo será cumulativo entre as duas plataformas. Portanto, não serão duas horas no Instagram e mais duas no Facebook.
Se um adolescente utilizar o Instagram por uma hora e meia e depois navegar pelo Facebook durante 30 minutos, terá atingido o limite diário.
A Meta afirma que também tentará identificar contas secundárias. Assim, criar outro perfil não deveria reiniciar automaticamente o contador.
O adolescente poderá retirar o limite?
O limite será ativado por padrão, mas não será necessariamente impossível utilizar as plataformas por mais tempo.
Para desativar ou alterar a restrição, o adolescente precisará de autorização dos pais ou responsáveis dentro das ferramentas de supervisão.
A medida pretende transferir parte da decisão para a família. Em vez de o jovem simplesmente ignorar um aviso, o responsável terá de aprovar a mudança.
O funcionamento exato pode variar conforme a idade e a configuração da supervisão parental.
O limite interromperá mensagens importantes?
Os documentos ainda precisam ser traduzidos em funções práticas nos aplicativos. Será necessário observar como a Meta tratará mensagens, recursos de segurança e situações de emergência após o limite.
Durante o modo escolar, por exemplo, mensagens diretas e alertas relacionados à proteção da conta estarão entre as exceções ao bloqueio das notificações.
A proposta é reduzir estímulos desnecessários sem impedir completamente comunicações consideradas importantes.
O Instagram e o Facebook serão bloqueados durante a madrugada?
Sim. O acordo prevê um modo noturno com bloqueio padrão entre meia-noite e 6h.
Nesse período, adolescentes não poderão publicar ou visualizar áreas como:
- Feed;
- Stories;
- Reels;
- Explorar;
- publicações de outros perfis.
A medida é mais rígida do que apenas silenciar notificações. Ela restringe efetivamente o acesso a diversas funções dos aplicativos.
A intenção é reduzir o uso durante o horário normalmente destinado ao sono. O uso noturno de telas pode atrasar o descanso, especialmente quando as notificações e os vídeos mantêm o usuário em estado de alerta.
Para modificar essa configuração, o adolescente deverá depender da permissão do responsável.
O que é o modo escolar?
Entre 8h e 15h, as notificações serão silenciadas por padrão.
O adolescente não receberá a maioria das notificações push, aquelas mensagens que aparecem na tela do celular mesmo quando o aplicativo está fechado.
Algumas comunicações continuarão disponíveis, como:
- mensagens diretas;
- alertas de segurança;
- avisos sobre proteção da conta.
O modo escolar não significa necessariamente que o aplicativo ficará completamente bloqueado nesse horário. A principal mudança anunciada é a interrupção dos avisos que chamam o jovem de volta à plataforma.
A medida procura reduzir distrações durante as aulas. Mesmo quando o celular não é aberto, uma sequência de notificações pode prejudicar a atenção e criar a sensação de que é preciso responder imediatamente.
Quais avisos de tempo de tela serão exibidos?
Os adolescentes receberão lembretes a cada 15 minutos de uso contínuo no Facebook ou no Instagram.
Também haverá alertas quando o tempo total diário atingir:
- 60 minutos;
- 90 minutos;
- duas horas.
A ideia é interromper a navegação automática e ajudar o usuário a perceber quanto tempo já passou.
O alerta de 15 minutos não bloqueará o aplicativo imediatamente. Ele funcionará como um lembrete para que o jovem avalie se deseja continuar.
Ao atingir o limite diário, a restrição mais ampla será aplicada conforme as configurações da conta e da supervisão dos responsáveis.
O que muda no feed do adolescente?
A Meta oferecerá a possibilidade de utilizar um feed sem personalização algorítmica como opção padrão.
No feed algorítmico, o sistema escolhe o conteúdo com base no comportamento do usuário. Curtidas, comentários, tempo de visualização e perfis acessados ajudam a definir o que aparecerá em seguida.
Essa personalização pode facilitar a descoberta de conteúdos interessantes. Ao mesmo tempo, pode criar uma sequência difícil de interromper e reforçar determinados assuntos.
No feed não personalizado, as publicações das contas seguidas aparecem principalmente em ordem cronológica, sem depender da mesma lógica de recomendação.
Os adolescentes serão lembrados periodicamente sobre essa opção. Os responsáveis poderão exigir que o feed não personalizado permaneça como configuração padrão.
Isso não significa que todo conteúdo recomendado desaparecerá automaticamente para todos. A mudança dependerá da escolha do jovem ou da configuração determinada pelos pais.
A reprodução automática poderá ser desativada?
Sim. Os adolescentes poderão desligar a reprodução automática de vídeos.
Quando essa função está ativa, um vídeo começa assim que o anterior termina ou quando aparece na tela. O usuário não precisa tomar uma nova decisão para continuar assistindo.
Com a reprodução automática desligada, será necessário tocar ou deslizar deliberadamente para acessar o próximo conteúdo.
Os responsáveis poderão determinar que essa opção permaneça desativada. O recurso procura reduzir o consumo passivo e a sequência contínua de vídeos.
Curtidas e reações ficarão escondidas?
Os números de curtidas e reações serão ocultados por padrão para adolescentes.
A regra vale tanto para as publicações do próprio jovem quanto para conteúdos de outras pessoas.
Ocultar essas métricas busca diminuir a pressão relacionada à comparação social. Um adolescente poderá publicar sem acompanhar constantemente se recebeu mais ou menos aprovação do que amigos ou influenciadores.
A mudança não elimina comentários, interações ou todos os sinais de popularidade. Ainda assim, retira uma das métricas mais visíveis das redes.
Quais filtros serão proibidos?
A Meta afirma que continuará bloqueando filtros que simulam procedimentos de cirurgia plástica para adolescentes.
A empresa também passará a impedir o uso de filtros considerados extremos de maquiagem.
Esses efeitos podem alterar significativamente formato do rosto, pele, olhos, nariz e outras características. O risco discutido por especialistas é que o uso constante reforce padrões irreais de aparência.
Filtros leves ou recursos comuns de câmera não serão necessariamente proibidos. A restrição é direcionada aos efeitos classificados pela plataforma como extremos ou associados a procedimentos estéticos.
A definição prática será importante. A Meta precisará estabelecer critérios consistentes para evitar que filtros semelhantes recebam tratamentos diferentes.
Como ficará a supervisão dos pais?
Os responsáveis receberão ferramentas adicionais para acompanhar e controlar a experiência dos adolescentes.
Entre as medidas previstas estão alertas sobre:
- criação ou identificação de contas secundárias;
- tentativas de alterar configurações de proteção;
- contato com perfis considerados suspeitos;
- pesquisas relacionadas a conteúdos potencialmente prejudiciais;
- mudanças no tempo de uso;
- denúncias feitas pelo adolescente.
A Meta também deverá facilitar a vinculação da conta do jovem à supervisão parental.
Isso não significa acesso irrestrito às conversas privadas. As ferramentas de supervisão procuram apresentar informações gerais sobre uso e segurança, sem necessariamente mostrar o conteúdo completo das mensagens.
Pais e responsáveis precisarão configurar corretamente a supervisão. Apenas entregar o celular ao adolescente sem verificar as opções pode deixar parte dos controles inativa.
Como a Meta pretende descobrir a idade real dos usuários?
As novas regras só funcionam se a plataforma conseguir identificar quem é adolescente.
Atualmente, muitos serviços dependem da data de nascimento informada durante o cadastro. Esse modelo é fácil de contornar: basta declarar uma idade adulta.
A Meta afirma que investirá em tecnologias para:
- localizar contas pertencentes a menores de 13 anos;
- identificar adolescentes que declararam idade adulta;
- reconhecer sinais de idade em diferentes contas;
- colocar usuários de 13 a 17 anos nas proteções adequadas;
- reduzir tentativas de escapar das restrições.
Os documentos do acordo mencionam métodos comerciais de verificação de identidade e estimativa facial de idade. Também podem ser utilizados sinais fornecidos por sistemas operacionais e lojas de aplicativos.
Verificação facial significa reconhecimento facial?
Não necessariamente.
A estimativa facial de idade analisa uma imagem para calcular uma faixa etária provável. Em tese, o objetivo não é descobrir a identidade da pessoa, mas estimar se ela é criança, adolescente ou adulta.
Ainda assim, a coleta de imagem gera preocupações de privacidade. Será necessário observar como os dados serão processados, armazenados e excluídos.
O acordo prevê acompanhamento por auditor independente. Esse profissional deverá verificar se a Meta implementou corretamente parte das obrigações.
As novas regras valem para o Brasil?
Não por enquanto.
O acordo foi firmado com procuradores-gerais de estados e territórios dos Estados Unidos. As obrigações automáticas são direcionadas aos usuários menores de 18 anos nessas localidades.
A Meta não confirmou que aplicará voluntariamente o mesmo limite de duas horas, o bloqueio entre meia-noite e 6h e o modo escolar no Brasil.
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Algumas mudanças poderão ser ampliadas futuramente como recursos globais, mas isso não está garantido.
Famílias brasileiras não devem esperar que a conta seja atualizada automaticamente com todas as regras anunciadas nos Estados Unidos.
Quais proteções já existem no Instagram brasileiro?
As Contas de Adolescente chegaram ao Brasil em 2025. Elas incluem configurações mais restritivas para usuários de 13 a 17 anos.
Entre os recursos já apresentados pela Meta estão:
- conta privada por padrão em determinadas faixas etárias;
- restrições sobre quem pode enviar mensagens;
- controle mais rígido de conteúdo sensível;
- limitação de contato com adultos suspeitos;
- aviso após 60 minutos de uso;
- silenciamento das notificações entre 22h e 7h;
- respostas automáticas durante o período de descanso;
- necessidade de autorização parental para jovens menores de 16 anos reduzirem algumas proteções;
- ferramentas de supervisão para responsáveis.
Há uma diferença importante: no Brasil, o aviso de 60 minutos é um lembrete, e o modo de descanso silencia notificações. Nos Estados Unidos, o novo acordo prevê limite padrão acumulado de duas horas e bloqueio mais amplo durante a madrugada.
O Brasil pode adotar regras semelhantes?
O país já ampliou a regulação sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
O ECA Digital, estabelecido pela Lei nº 15.211/2025, prevê segurança por padrão, ferramentas gratuitas de supervisão parental e medidas de proteção de dados.
A legislação também exige maior cuidado com sistemas que possam expor menores a conteúdos inadequados, publicidade direcionada, exploração ou outras formas de violência.
A Agência Nacional de Proteção de Dados participa da regulamentação e da fiscalização dessas obrigações. Em agosto de 2026, a ANPD iniciou ações de monitoramento sobre plataformas digitais, lojas de aplicativos e ferramentas de inteligência artificial.
Isso não significa que a lei brasileira já determine exatamente duas horas de uso ou o bloqueio entre meia-noite e 6h. As exigências brasileiras seguem uma estrutura própria.
O anúncio norte-americano, no entanto, poderá aumentar a pressão para que medidas semelhantes sejam oferecidas a adolescentes de outros países.
O limite de tempo resolve o uso excessivo?
Não sozinho.
O limite pode ajudar a reduzir o tempo gasto em uma plataforma, mas adolescentes utilizam vários aplicativos. Ao bloquear o Instagram, o jovem pode migrar para TikTok, YouTube, jogos ou outros serviços.
A própria Meta utilizou esse argumento ao pedir que empresas concorrentes adotem regras semelhantes.
Além disso, o tempo total não é o único aspecto relevante. Duas horas de conteúdo educativo, conversa com amigos ou produção criativa podem ter impacto diferente de duas horas de exposição a ataques, comparações ou vídeos prejudiciais.
Por isso, o acompanhamento familiar precisa observar:
- horário de uso;
- tipo de conteúdo consumido;
- comportamento depois de acessar a rede;
- qualidade do sono;
- queda no rendimento escolar;
- isolamento;
- ansiedade ao ficar sem o celular;
- contato com desconhecidos;
- exposição a violência ou conteúdo sexual.
As ferramentas técnicas podem ajudar, mas não substituem diálogo, orientação e presença dos responsáveis.
O que os pais brasileiros podem fazer agora?
Mesmo sem as novas regras norte-americanas, famílias brasileiras já podem configurar limites e supervisão.
O primeiro passo é confirmar se a conta possui a idade correta. Depois, o responsável deve acessar a Central da Família ou as configurações de supervisão disponíveis no aplicativo.
Também é possível utilizar os controles do próprio celular, como Bem-estar Digital no Android ou Tempo de Uso no iPhone.
Uma rotina prática pode incluir:
- definir limite diário para os aplicativos;
- programar horário sem redes sociais;
- impedir o uso do celular durante o sono;
- desativar notificações no período escolar;
- revisar as configurações de privacidade;
- verificar quem pode enviar mensagens;
- conversar sobre pedidos de fotos e contatos desconhecidos;
- explicar como denunciar e bloquear perfis;
- evitar regras secretas ou vigilância sem diálogo;
- rever os limites conforme a idade e a maturidade.
Se houver sinais de sofrimento emocional, automutilação, violência, chantagem ou exploração sexual, o caso exige atenção imediata. A família deve preservar provas, denunciar o perfil e buscar apoio profissional e das autoridades.
O que deve acontecer agora?
O acordo ainda passará pela aprovação judicial nos Estados Unidos. Depois, a Meta deverá implementar os controles dentro dos prazos estabelecidos e demonstrar que está cumprindo as obrigações.
Um auditor independente acompanhará parte do processo. A empresa também precisará melhorar os sistemas usados para identificar menores de idade.
No Brasil, as proteções atuais continuam valendo. Não há confirmação de que o limite de duas horas ou o bloqueio da madrugada chegará automaticamente aos usuários brasileiros.
Para os responsáveis, o próximo passo é não esperar por uma mudança futura. As ferramentas de supervisão e os limites do próprio celular já podem ser configurados agora.
Perguntas frequentes

O Instagram será limitado a duas horas por dia?
Nos estados e territórios norte-americanos participantes do acordo, adolescentes terão um limite padrão de duas horas somando Instagram e Facebook. A regra ainda depende de aprovação judicial e implementação.
As duas horas são separadas entre Instagram e Facebook?
Não. O tempo será acumulado. Se o adolescente usar uma hora no Instagram e uma hora no Facebook, terá atingido o limite diário.
O adolescente poderá retirar o limite?
A desativação dependerá da autorização dos pais ou responsáveis por meio das ferramentas de supervisão.
O Instagram será bloqueado durante a madrugada?
Nos Estados Unidos, haverá bloqueio padrão entre meia-noite e 6h para adolescentes abrangidos pelo acordo.
As novas regras valem no Brasil?
Não por enquanto. O acordo tem aplicação nos estados e territórios participantes dos Estados Unidos. A Meta não confirmou a extensão das mesmas regras ao Brasil.
Quais proteções já existem no Brasil?
As Contas de Adolescente incluem restrições de conteúdo e mensagens, aviso após 60 minutos e modo de descanso entre 22h e 7h, além de ferramentas de supervisão parental.
Pais poderão ler as mensagens dos filhos?
A supervisão não significa necessariamente acesso ao conteúdo completo das conversas. Ela oferece informações e controles sobre uso, contatos e segurança.
Menores de 13 anos podem ter Instagram?
A idade mínima padrão é 13 anos. A Meta afirma que reforçará tecnologias para encontrar e remover contas de usuários abaixo dessa idade.



