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Metas fiscais de 2026 podem não ser alcançadas, diz IFI

A Instituição Fiscal Independente afirma que as metas fiscais de 2026 não serão alcançadas sem mudanças estruturais.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Iguatemi

A IFI, ligada ao Senado Federal, emitiu um sinal de alerta sobre o futuro das contas públicas do Brasil. Em seu 101º Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado na terça-feira, 24 de junho, a instituição classificou como “inatingíveis” as metas fiscais previstas para 2026 caso o cenário atual seja mantido. O documento reforça a necessidade de uma reforma fiscal estrutural urgente para evitar o colapso do arcabouço fiscal e recuperar a capacidade de investimento do Estado.

Déficit primário e o risco à trajetória da dívida

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Imagem: Andrzej Rostek / Shutterstock.com

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A previsão de um contingenciamento de vinte bilhões e setecentos milhões de reais no orçamento de 2025 não será suficiente para impedir um novo rombo nas contas públicas. De acordo com a IFI, o governo deve encerrar o ano com um déficit primário estimado em cerca de oitenta e três bilhões e cem milhões de reais. O valor, que será incorporado integralmente à dívida pública, reforça a avaliação do órgão de que as medidas atuais de ajuste fiscal são insuficientes para conter a deterioração do cenário econômico.

Necessidade urgente de reforma estrutural

Para que a meta fiscal de 2025 seja alcançada dentro do novo arcabouço, seria necessário um bloqueio adicional de R$ 30,9 bilhões — valor que, até o momento, não está no radar do governo. O cenário, segundo a IFI, aponta que a meta poderá ser cumprida “no limite”, dentro da margem de tolerância, mas isso não será suficiente para evitar o avanço da dívida pública.

Sem reforma, metas de 2026 são “irrealizáveis”

O relatório afirma que, mantida a estrutura fiscal atual, as metas de 2026 não poderão ser atingidas. Isso ocorre porque os principais fatores de pressão sobre o orçamento, como a rigidez das despesas obrigatórias e o teto para novos gastos, continuam atuando sem contrapartidas suficientes do lado da arrecadação.

Diálogo entre governo, Congresso e sociedade é essencial

A IFI defende que um amplo debate nacional sobre a sustentabilidade fiscal é inevitável. Segundo o documento, apenas uma reforma estrutural ampla, envolvendo receitas, despesas e regras do arcabouço fiscal, será capaz de conter o avanço da dívida e restaurar a confiança dos investidores.

Arcabouço fiscal sob pressão

Modelo atual está no limite de sua efetividade

A análise técnica mostra que o novo arcabouço fiscal, embora tenha sido criado para substituir o teto de gastos, já opera próximo de seu limite de credibilidade. A combinação de metas rígidas com receitas voláteis e despesas crescentes compromete sua efetividade.

Gastos congelados e novos desafios

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Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que o aumento de gastos está congelado até que o país encontre um caminho sustentável para as contas públicas. Ele destacou que o governo só aceitará novos compromissos orçamentários se forem absolutamente necessários.

A limitação de despesas tem afetado diretamente a capacidade de investimento do governo. Sem reformas que permitam reequilibrar o orçamento, setores como infraestrutura, educação e saúde podem enfrentar ainda mais restrições nos próximos anos.

FAQ: Perguntas frequentes

Quais são as metas fiscais para 2026?

As metas fiscais de 2026 preveem um superávit primário, mas, segundo a IFI, elas não serão cumpridas caso o cenário atual das contas públicas seja mantido.

Qual é o déficit primário estimado para 2025?

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A IFI estima um déficit primário de R$ 83,1 bilhões para 2025, mesmo após contingenciamentos de R$ 20,7 bilhões já anunciados.

O que pode acontecer com a dívida pública?

Projeções indicam que a dívida pública pode atingir 100% do PIB em 2030 e 124,9% até 2035.

O que é o arcabouço fiscal?

É o conjunto de regras criado para substituir o antigo teto de gastos, estabelecendo metas de resultado primário e limites para o crescimento das despesas do governo.

Por que a arrecadação está estagnada?

A estagnação das receitas decorre de um cenário de baixo crescimento econômico e de dificuldades na aprovação de novas fontes de arrecadação, como taxações sobre fintechs e aplicações financeiras.

Considerações finais

A mensagem da IFI é direta: sem um amplo pacto político e social que permita rever o modelo de gastos e reestruturar o sistema tributário, o Brasil enfrentará um ciclo de desequilíbrio fiscal contínuo, com impacto negativo sobre o crescimento econômico, o emprego e o bem-estar da população.

É chegada a hora de decisões estruturantes. O tempo político é limitado, e a janela para reformas eficazes está se estreitando. Manter o curso atual pode custar caro para as futuras gerações.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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