A IFI, ligada ao Senado Federal, emitiu um sinal de alerta sobre o futuro das contas públicas do Brasil. Em seu 101º Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado na terça-feira, 24 de junho, a instituição classificou como “inatingíveis” as metas fiscais previstas para 2026 caso o cenário atual seja mantido. O documento reforça a necessidade de uma reforma fiscal estrutural urgente para evitar o colapso do arcabouço fiscal e recuperar a capacidade de investimento do Estado.
Metas fiscais de 2026 podem não ser alcançadas, diz IFI
A Instituição Fiscal Independente afirma que as metas fiscais de 2026 não serão alcançadas sem mudanças estruturais.
Déficit primário e o risco à trajetória da dívida

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A previsão de um contingenciamento de vinte bilhões e setecentos milhões de reais no orçamento de 2025 não será suficiente para impedir um novo rombo nas contas públicas. De acordo com a IFI, o governo deve encerrar o ano com um déficit primário estimado em cerca de oitenta e três bilhões e cem milhões de reais. O valor, que será incorporado integralmente à dívida pública, reforça a avaliação do órgão de que as medidas atuais de ajuste fiscal são insuficientes para conter a deterioração do cenário econômico.
Necessidade urgente de reforma estrutural
Para que a meta fiscal de 2025 seja alcançada dentro do novo arcabouço, seria necessário um bloqueio adicional de R$ 30,9 bilhões — valor que, até o momento, não está no radar do governo. O cenário, segundo a IFI, aponta que a meta poderá ser cumprida “no limite”, dentro da margem de tolerância, mas isso não será suficiente para evitar o avanço da dívida pública.
Sem reforma, metas de 2026 são “irrealizáveis”
O relatório afirma que, mantida a estrutura fiscal atual, as metas de 2026 não poderão ser atingidas. Isso ocorre porque os principais fatores de pressão sobre o orçamento, como a rigidez das despesas obrigatórias e o teto para novos gastos, continuam atuando sem contrapartidas suficientes do lado da arrecadação.
Diálogo entre governo, Congresso e sociedade é essencial
A IFI defende que um amplo debate nacional sobre a sustentabilidade fiscal é inevitável. Segundo o documento, apenas uma reforma estrutural ampla, envolvendo receitas, despesas e regras do arcabouço fiscal, será capaz de conter o avanço da dívida e restaurar a confiança dos investidores.
Arcabouço fiscal sob pressão
Modelo atual está no limite de sua efetividade
A análise técnica mostra que o novo arcabouço fiscal, embora tenha sido criado para substituir o teto de gastos, já opera próximo de seu limite de credibilidade. A combinação de metas rígidas com receitas voláteis e despesas crescentes compromete sua efetividade.
Gastos congelados e novos desafios

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que o aumento de gastos está congelado até que o país encontre um caminho sustentável para as contas públicas. Ele destacou que o governo só aceitará novos compromissos orçamentários se forem absolutamente necessários.
A limitação de despesas tem afetado diretamente a capacidade de investimento do governo. Sem reformas que permitam reequilibrar o orçamento, setores como infraestrutura, educação e saúde podem enfrentar ainda mais restrições nos próximos anos.
FAQ: Perguntas frequentes
Quais são as metas fiscais para 2026?
As metas fiscais de 2026 preveem um superávit primário, mas, segundo a IFI, elas não serão cumpridas caso o cenário atual das contas públicas seja mantido.
Qual é o déficit primário estimado para 2025?
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A IFI estima um déficit primário de R$ 83,1 bilhões para 2025, mesmo após contingenciamentos de R$ 20,7 bilhões já anunciados.
O que pode acontecer com a dívida pública?
Projeções indicam que a dívida pública pode atingir 100% do PIB em 2030 e 124,9% até 2035.
O que é o arcabouço fiscal?
É o conjunto de regras criado para substituir o antigo teto de gastos, estabelecendo metas de resultado primário e limites para o crescimento das despesas do governo.
Por que a arrecadação está estagnada?
A estagnação das receitas decorre de um cenário de baixo crescimento econômico e de dificuldades na aprovação de novas fontes de arrecadação, como taxações sobre fintechs e aplicações financeiras.
Considerações finais
A mensagem da IFI é direta: sem um amplo pacto político e social que permita rever o modelo de gastos e reestruturar o sistema tributário, o Brasil enfrentará um ciclo de desequilíbrio fiscal contínuo, com impacto negativo sobre o crescimento econômico, o emprego e o bem-estar da população.
É chegada a hora de decisões estruturantes. O tempo político é limitado, e a janela para reformas eficazes está se estreitando. Manter o curso atual pode custar caro para as futuras gerações.
