A Microsoft anunciou nesta sexta-feira (25) uma reformulação ampla do Copilot, reunindo novas ferramentas em três áreas principais: Home, Code e Autopilot. A mudança pretende transformar o aplicativo de um assistente baseado principalmente em conversas em uma plataforma capaz de executar tarefas, criar aplicações e acompanhar atividades de trabalho de forma contínua.
O principal destaque é o Autopilot, novo nome do projeto anteriormente chamado Scout. O recurso permite criar agentes persistentes que permanecem ativos na nuvem e podem acompanhar tarefas, cobrar respostas e retomar projetos mesmo quando o usuário não está interagindo diretamente com o Copilot.
A novidade chega em um momento de consolidação da estratégia da Microsoft para inteligência artificial. A empresa já havia unificado seus aplicativos Copilot para consumidores e empresas e agora amplia a proposta para integrar produtividade, programação e agentes dentro de uma mesma experiência.
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O que muda no novo Copilot?

A nova versão passa a organizar a experiência em três áreas. Cada uma atende a um tipo diferente de tarefa, reduzindo a necessidade de escolher manualmente entre diferentes ferramentas de inteligência artificial.
Home concentra as tarefas do dia a dia
A aba Home passa a funcionar como porta de entrada do Copilot. Ela reúne o Chat, voltado para perguntas, ideias e rascunhos, e o Cowork, que permite delegar trabalhos mais complexos para a IA.
Na prática, a diferença está no nível de autonomia. Enquanto uma conversa tradicional depende de comandos sucessivos, o Cowork pode receber uma tarefa e devolver um resultado estruturado, como um briefing ou um material de trabalho.
A tela inicial também passa a mostrar atividades recentes e sugestões sobre maneiras de utilizar o Copilot.
Today quer antecipar o que precisa ser feito
A Microsoft também prepara o Today, inicialmente em prévia privada a partir de outubro.
A proposta é transformar o Home em um painel mais proativo, reunindo informações de emails, calendário, conversas no Teams e tarefas.
A partir desse contexto, o sistema poderá preparar rascunhos e sugerir alterações de agenda. A ideia é diminuir a quantidade de tarefas que dependem de uma solicitação explícita do usuário.
Copilot Code transforma descrições em aplicativos
A segunda área é o Code, voltado à criação de software.
Em vez de escrever manualmente toda a estrutura de um programa, o usuário poderá descrever o que deseja criar. O Copilot então determina uma abordagem e constrói o aplicativo, automação, painel ou widget solicitado.
A ferramenta utiliza tecnologia relacionada ao GitHub Copilot e trabalha em um ambiente isolado. Segundo a Microsoft, o código também poderá ser hospedado dentro do ambiente empresarial da organização.
Isso amplia o público potencial da programação assistida por IA. Em vez de ficar restrita à geração de trechos de código, a ferramenta passa a mirar a construção de soluções completas a partir de instruções em linguagem natural.
Os desenvolvedores, entretanto, não precisam abandonar o GitHub Copilot. A Microsoft afirma que as duas experiências continuarão podendo ser utilizadas no trabalho cotidiano.
Autopilot é a principal novidade
É no Autopilot que está a mudança mais significativa da nova versão.
O recurso é descrito pela Microsoft como um agente persistente hospedado na nuvem. O usuário define seu nome, função e objetivo, e o agente pode continuar trabalhando dentro do ambiente do Microsoft 365 sem precisar receber uma nova instrução a cada etapa.
O conceito é uma evolução direta do Scout, apresentado pela Microsoft em junho. Na época, a empresa descreveu o sistema como um assistente persistente capaz de manter identidade, memória e habilidades ao longo do tempo.
Como um agente desses funcionaria?
Imagine, por exemplo, um profissional responsável por acompanhar um projeto.
Em vez de perguntar diariamente ao Copilot quais tarefas estão pendentes, ele poderia configurar um agente com a função de acompanhar o projeto. O Autopilot poderia monitorar determinadas conversas, identificar respostas que ainda não chegaram e fazer acompanhamentos conforme as regras definidas.
A Microsoft também afirma que o agente poderá criar cronogramas e sugerir os próximos passos de tarefas e reuniões.
Ele terá identidade, memória, computador e espaço de trabalho próprios dentro do ambiente empresarial, além de poder ser mencionado com @ no Teams, Outlook e documentos.
Isso aproxima o Copilot de um modelo em que a IA não apenas responde a solicitações, mas permanece envolvida em processos contínuos.
O que significa uma IA que trabalha 24 horas?
A expressão “24 horas” não significa necessariamente que o agente esteja realizando uma tarefa ininterruptamente a cada segundo.
O conceito apresentado pela Microsoft é de um agente persistente, hospedado na nuvem, que pode continuar acompanhando atividades mesmo quando o usuário não está diante do computador.
Essa diferença é importante. Um chatbot tradicional normalmente espera uma mensagem para agir. Um agente persistente pode receber um objetivo, acessar os recursos autorizados e executar etapas posteriores de acordo com sua configuração.
A estratégia acompanha uma tendência recente da indústria de IA, com empresas desenvolvendo sistemas que passam de respostas pontuais para execução de tarefas em várias etapas.
O Copilot também poderá criar arquivos do Office
Outra mudança anunciada pela Microsoft envolve os próprios documentos.
O novo Copilot poderá criar e editar arquivos reais de Word, Excel e PowerPoint. Esses arquivos permanecem sincronizados com os respectivos aplicativos do Microsoft 365 e podem continuar sendo editados por outras pessoas.
A integração é relevante porque reduz uma etapa comum no uso de IA: gerar um conteúdo em uma interface separada e depois transferi-lo manualmente para o documento utilizado pela equipe.
Com a nova abordagem, a produção e a edição passam a acontecer mais próximas do ambiente de trabalho original.
Como será a cobrança do novo Copilot?
A Microsoft adotará modelos diferentes de cobrança.
A User Subscription License (USL) cobre o Copilot no Chat e nos aplicativos do Microsoft 365, incluindo o recurso Auto, que seleciona automaticamente o modelo mais adequado para cada solicitação dentro do custo fixo previsto pela licença.
Já recursos como Cowork, Code e Autopilot passam a utilizar cobrança baseada em uso. Os modelos de fronteira Astra e Fable também seguem essa lógica, segundo a empresa.
O Agent 365 terá controles de gastos relacionados ao Code e ao Managed Runtime, enquanto o suporte a agentes do Copilot Studio está previsto para outubro.
A Microsoft não divulgou, no anúncio, valores específicos para todos esses recursos.
Quando as novidades chegam?
A distribuição será gradual.
O Home começará a ser disponibilizado nas próximas semanas por meio do programa Frontier, destinado ao acesso antecipado a recursos da Microsoft.
O Code está previsto para chegar ao Frontier no fim de setembro.
Já o Autopilot, anteriormente chamado Scout, deve entrar em prévia privada também no fim do mês.
As datas divulgadas são globais. Até o momento do anúncio, a Microsoft não informou uma data específica para a disponibilidade das novidades no Brasil.
O Copilot vai escolher sozinho qual ferramenta usar?
Essa é uma das mudanças planejadas para a experiência.
A Microsoft afirma que, futuramente, o usuário não precisará necessariamente decidir se uma tarefa deve ser executada no Chat, Cowork ou Code.
O próprio Copilot deverá analisar a solicitação e encaminhá-la para a ferramenta mais adequada.
Isso segue a estratégia apresentada anteriormente pela companhia de transformar o Copilot em uma espécie de porta de entrada para diferentes agentes e capacidades de IA.
O que muda para empresas?
Para as empresas, a reformulação representa uma mudança de foco: a inteligência artificial deixa de ser apresentada apenas como uma ferramenta para responder perguntas e passa a ocupar uma posição mais próxima da execução de processos.
Isso pode envolver desde a preparação de documentos até o acompanhamento de projetos, criação de aplicações internas e automação de tarefas recorrentes.
A Microsoft informou anteriormente que o Microsoft 365 Copilot havia ultrapassado 30 milhões de licenças pagas, indicando a escala da base empresarial sobre a qual a companhia pretende ampliar o uso de agentes.
Ao mesmo tempo, recursos com maior autonomia tornam questões como permissões, segurança, controle de gastos e supervisão mais relevantes. A própria Microsoft vem tratando governança e controle como componentes centrais de sua estratégia para IA empresarial.
E para usuários brasileiros?
Por enquanto, não há uma data específica anunciada para o Brasil.
As primeiras liberações ocorrerão dentro dos programas de acesso antecipado da Microsoft, e a empresa ainda não detalhou quais recursos chegarão primeiro ao mercado brasileiro nem quanto custarão localmente.
Portanto, quem utiliza Copilot no Brasil pode encontrar a interface atual por algum tempo, mesmo depois do anúncio global.
O que esperar daqui para frente?

A nova estrutura mostra uma mudança clara na forma como a Microsoft pretende posicionar o Copilot. A experiência deixa de ser organizada apenas em torno de uma caixa de conversa e passa a combinar assistência, desenvolvimento de software e agentes persistentes.
O Autopilot é o componente que mais altera esse modelo, porque introduz a possibilidade de delegar objetivos para uma IA que continua acompanhando o trabalho ao longo do tempo.
A disponibilidade, os preços e o comportamento desses recursos durante os testes ainda serão determinantes para entender como a proposta funcionará na prática. Por enquanto, a Microsoft confirmou o lançamento gradual, mas ainda não revelou detalhes específicos para o mercado brasileiro.
Conclusão
A reformulação do Copilot mostra que a Microsoft pretende ampliar o papel da inteligência artificial no trabalho, indo além das respostas em chat. Com o Home, o Code e, principalmente, o Autopilot, a plataforma passa a combinar assistência, criação de software e execução contínua de tarefas.
As novidades ainda serão liberadas gradualmente, e detalhes como preços e disponibilidade no Brasil permanecem pendentes. Mesmo assim, a proposta sinaliza uma mudança importante: em vez de apenas responder aos comandos, o Copilot começa a assumir parte das tarefas e acompanhar processos de forma mais autônoma.
