O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, abriu o credenciamento para hospitais, clínicas e empresas privadas ou filantrópicas que desejam integrar o programa Agora Tem Especialistas.
Programa agora tem especialistas: Ministério abre inscrições para adesão
Programa Agora Tem Especialistas abre adesão para rede privada ampliar atendimento no SUS e reduzir filas por cirurgias e exames.
A iniciativa tem como objetivo ampliar a oferta de serviços especializados para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo o tempo de espera para consultas, exames e cirurgias.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, qualquer ente privado pode participar do programa, desde que não possua dívidas com a União. Em troca, as instituições poderão obter créditos tributários para abater em impostos, um estímulo para fortalecer a parceria público-privada na área da saúde.
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Áreas prioritárias do programa

O programa foca inicialmente em seis especialidades médicas consideradas prioritárias para o SUS:
- Oncologia
- Ginecologia
- Cardiologia
- Ortopedia
- Oftalmologia
- Otorrinolaringologia
O ministro Alexandre Padilha ressaltou que, conforme a demanda de estados e municípios, outras áreas poderão ser incorporadas futuramente, ampliando o alcance e a efetividade da iniciativa.
Meta inicial e estratégia de atuação
Rodrigo Oliveira, coordenador do programa, explicou que a meta inicial é oferecer cerca de 1,3 mil procedimentos mensais com o apoio da rede privada. Para isso, o programa prevê diversas ações para agilizar o atendimento:
- Turnos estendidos em hospitais públicos
- Utilização de unidades móveis para levar atendimento a regiões remotas, como territórios indígenas e comunidades quilombolas
- Realização de mutirões de atendimento aos finais de semana e feriados
Mutirões e força-tarefa para ampliar oferta
Atuação da Ebserh no esforço concentrado
Um exemplo prático dessas ações ocorrerá já neste sábado (5), quando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realizará um mutirão de cirurgias, exames e consultas em seus 45 hospitais universitários federais.
De acordo com o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, estão agendados para o mutirão mais de:
- 1 mil cirurgias, incluindo procedimentos de grande porte
- 5,6 mil exames
- 1,2 mil consultas médicas
Ele ressaltou que, apesar do número expressivo de procedimentos, o impacto vai muito além da quantidade, considerando a complexidade dos atendimentos ofertados. A Ebserh já planeja realizar novas ações de esforço concentrado para os meses de setembro e dezembro de 2025.
Modalidades de credenciamento e financiamento
Modalidade 1: contratação direta com estados e municípios
Nesta modalidade, o Ministério da Saúde destinará R$ 2 bilhões por ano para que estados e municípios possam contratar diretamente os estabelecimentos credenciados.
Os responsáveis pelas unidades deverão informar os serviços especializados que podem oferecer por região, criando uma matriz de oferta — uma espécie de “prateleira de serviços” que permitirá aos gestores contratar conforme as necessidades locais e regionais.
Caso haja estabelecimentos não contratados localmente, as entidades parceiras, como a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), poderão realizar contratações subsidiárias.
Modalidade 2: ampliação da capacidade ociosa na rede pública
O ministério disponibilizará R$ 2,5 bilhões por ano para contratação de serviços privados que atuarão em hospitais públicos e unidades conveniadas ao SUS, preenchendo a capacidade ociosa desses estabelecimentos.
As empresas contratadas deverão disponibilizar profissionais, equipamentos, insumos e medicamentos, podendo também oferecer serviços de telessaúde, ampliando de duas a três vezes o número de atendimentos especializados realizados.
Modalidade 3: unidades móveis para atendimento em áreas remotas
Nesta terceira modalidade, o Ministério da Saúde destinará R$ 1 bilhão para contratação de 150 carretas equipadas para consultas médicas, exames e pequenas cirurgias.
Essas unidades móveis têm como público-alvo populações vulnerabilizadas de regiões de difícil acesso, como comunidades indígenas, quilombolas e áreas rurais remotas.
O atendimento será realizado conforme planejamento da AgSUS, que também será responsável pela contratação das empresas credenciadas que fornecerão toda a estrutura necessária.
Benefícios do programa Agora Tem Especialistas
Redução das filas no SUS
O programa representa um esforço coordenado para enfrentar um dos principais desafios do sistema público: as longas filas para atendimento especializado.
A ampliação da oferta com a participação da iniciativa privada visa diminuir o tempo de espera, garantindo o acesso mais rápido a tratamentos essenciais e de alta complexidade.
Fortalecimento da parceria público-privada
Além de ampliar o atendimento, o programa cria mecanismos que beneficiam tanto a saúde pública quanto os prestadores privados.
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A possibilidade de troca por créditos tributários e a contratação direta fomentam um ambiente colaborativo, com ganhos para toda a sociedade.
Inclusão digital e telessaúde
O incentivo a serviços de telessaúde amplia o alcance do atendimento, especialmente para populações em regiões afastadas, onde o acesso a especialistas é limitado.
Isso permite a realização de consultas, exames e orientações médicas de forma remota, reduzindo deslocamentos e custos.
Desafios e perspectivas futuras

Gestão integrada e regionalizada
A diversidade e a complexidade do SUS exigem que a oferta dos serviços seja ajustada à realidade local de cada estado e município.
A criação da matriz de oferta e a participação dos gestores locais na contratação são estratégias para garantir que as ações atendam às necessidades específicas das populações.
Monitoramento e avaliação
O Ministério da Saúde reforça a importância de um acompanhamento rigoroso dos resultados do programa, garantindo a qualidade dos atendimentos, o uso eficiente dos recursos públicos e a satisfação dos usuários.
Expansão do programa
Conforme o programa avança, há expectativa de ampliação do número de especialidades atendidas, aumento do número de procedimentos e expansão da parceria com o setor privado.
A iniciativa pode servir de modelo para futuras políticas de saúde que integrem recursos públicos e privados em benefício do SUS.
Conclusão
O lançamento da adesão ao programa Agora Tem Especialistas representa um importante passo na busca por soluções para os desafios do Sistema Único de Saúde.
Com a participação da rede privada, o governo federal busca fortalecer o atendimento especializado, reduzir filas e ampliar o acesso a serviços essenciais, sobretudo para as populações mais vulneráveis.
A combinação de recursos públicos, incentivos tributários e inovação na gestão reforça o compromisso do Ministério da Saúde com a melhoria da saúde pública e o fortalecimento do SUS.
A expectativa é que, a partir de agosto de 2025, os primeiros atendimentos já possam ser realizados, dando início a uma nova fase para o sistema de saúde brasileiro, mais ágil, integrado e eficiente.
