O processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil pode passar por uma transformação significativa. O Ministério dos Transportes está finalizando uma proposta que permitirá o uso de carros elétricos e com câmbio automático nos exames práticos de direção.
Governo quer modernizar CNH com testes em carros elétricos e automáticos
Descubra como a nova CNH promete ser mais barata e moderna. Saiba tudo sobre as mudanças e como elas afetam você.
Além disso, a obrigatoriedade de passar por autoescolas para as categorias A e B poderá ser eliminada, criando alternativas mais acessíveis ao cidadão. A iniciativa, em análise na Casa Civil, pretende tornar o processo de habilitação mais moderno, inclusivo e econômico, alinhado a práticas internacionais já consolidadas.
Leia mais:
Quais foram os carros mais vendidos no Brasil em julho? Confira
Por que o governo quer mudar a CNH?

Redução de custos como prioridade
Atualmente, tirar a CNH no Brasil pode custar mais de R$ 3 mil, dependendo do estado e da categoria. O governo pretende reduzir esse valor para algo entre R$ 750 e R$ 1 mil, uma queda de até 80%. Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, a intenção é democratizar o acesso à habilitação, especialmente para jovens e pessoas de baixa renda.
“Queremos tirar entraves financeiros e burocráticos, sem abrir mão da segurança no trânsito”, declarou o ministro.
Inclusão tecnológica e ambiental
Permitir o uso de veículos elétricos e automáticos nos exames é visto como um passo rumo à modernização e à sustentabilidade. Com o crescimento da frota de carros com câmbio automático no Brasil e o avanço da eletromobilidade, a medida busca alinhar a CNH ao perfil atual do mercado automotivo.
Como será a nova formação de condutores?
Prova teórica com maior autonomia
A preparação para a prova teórica continuará obrigatória, mas o candidato poderá escolher como estudar:
- Aulas presenciais nos CFCs (Centros de Formação de Condutores);
- Ensino à distância por empresas credenciadas;
- Material digital gratuito da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).
Com essa flexibilização, a expectativa é permitir que cada pessoa escolha o melhor formato de aprendizagem, compatível com sua realidade.
Prova prática sem obrigatoriedade de autoescola
Hoje, a legislação exige 20 horas de aula prática em autoescolas. Com a proposta, esse requisito será eliminado. O candidato poderá se preparar com instrutores autônomos credenciados pela Senatran, desde que passem por curso específico e estejam registrados oficialmente na Carteira Digital de Trânsito.
Papel dos instrutores autônomos
Os instrutores independentes seriam habilitados após passarem por cursos de formação digital e homologados por órgãos oficiais. Isso cria uma alternativa mais barata e flexível à formação tradicional.
Carros automáticos e elétricos nos exames: o que muda?
A principal inovação técnica do projeto está na possibilidade de realizar os exames práticos em veículos com câmbio automático e motores elétricos. Essa mudança acompanha a evolução da frota brasileira, cada vez mais equipada com essas tecnologias.
Fim da exigência por câmbio manual
Atualmente, candidatos que fazem o exame em carro automático recebem uma CNH com restrição, só podendo dirigir veículos com esse tipo de câmbio. Com a proposta, essa limitação poderá ser eliminada, permitindo mais liberdade de escolha.
Sustentabilidade e inovação
A proposta também estimula o uso de veículos elétricos na formação de condutores, favorecendo a transição para uma frota mais limpa e alinhada às metas ambientais do Brasil.
Críticas e resistência das autoescolas
Setor questiona segurança da proposta
Apesar da ênfase na modernização e economia, o projeto enfrenta forte oposição das autoescolas e entidades ligadas ao setor. Um dos principais argumentos é o risco de aumento nos acidentes de trânsito, caso os motoristas não sejam suficientemente preparados.
“A retirada da obrigatoriedade das aulas práticas em autoescolas pode comprometer a segurança”, alertou o presidente da Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas).
Governo reforça controle e qualidade
O Ministério dos Transportes rebate as críticas afirmando que as provas teóricas e práticas continuarão rigorosas, impedindo que condutores despreparados obtenham a CNH. O objetivo é garantir formação flexível, mas com responsabilidade.
Comparação com modelos internacionais
O modelo proposto pelo governo brasileiro não é inédito. Países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Uruguai e Paraguai já adotam sistemas semelhantes, com foco na autonomia do candidato e menos exigência institucionalizada.
Exemplo norte-americano
Nos EUA, é comum que os aspirantes à habilitação estudem por conta própria e façam aulas práticas com familiares ou instrutores particulares. O exame é feito em veículos pessoais e os custos são significativamente menores.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Realidade sul-americana
No Uruguai, a formação é descentralizada e os exames são organizados por autoridades municipais. A adesão a novas tecnologias e veículos sustentáveis também é estimulada.
Quais são os próximos passos?
A proposta está em análise na Casa Civil e, se aprovada, seguirá para regulamentação no Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O cronograma ainda não foi divulgado, mas fontes do governo indicam que a expectativa é iniciar testes-piloto já em 2026.
Implementação gradual
As mudanças devem ser implantadas de forma gradual e regionalizada, com estados e Detrans podendo aderir conforme suas capacidades técnicas.
Impactos esperados para o cidadão

Menor custo para tirar a CNH
Com o fim da obrigatoriedade das autoescolas e mais opções de preparo, o custo total para obter a CNH pode cair de R$ 3 mil para cerca de R$ 1 mil, tornando o processo mais acessível a milhões de brasileiros.
Mais liberdade de escolha
O candidato poderá montar sua própria jornada de aprendizagem, escolhendo como, onde e com quem se preparar, sem estar preso a um único formato.
Estímulo à mobilidade elétrica
Com os testes em carros elétricos sendo reconhecidos oficialmente, espera-se um aumento na demanda por esse tipo de veículo, incentivando o mercado e contribuindo para a redução das emissões de carbono.
Conclusão
A modernização da CNH proposta pelo governo federal representa uma guinada importante na forma como o Brasil forma seus motoristas. Ao priorizar a redução de custos, flexibilidade na formação e a adoção de tecnologias mais sustentáveis, o país se aproxima de padrões internacionais mais modernos.
Ainda que a proposta gere debate e encontre resistência, principalmente do setor das autoescolas, a tendência global aponta para sistemas menos engessados, mais digitais e adaptados à realidade do século XXI.
Imagem: Freepik
