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Importação de veículos desmontados: descubra montadoras com isenção tributária

Descubra quais montadoras têm isenção para importar veículos desmontados e como isso afeta o mercado automotivo.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Veículos em linha de produção de fábrica

O governo federal divulgou uma lista com 16 montadoras autorizadas a importar veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in desmontados (CKD) ou semi-desmontados (SKD) com alíquota zero por seis meses.

A medida, prevista na Portaria Secex nº 420/2025, acende debates sobre competitividade, incentivo à mobilidade limpa e riscos à indústria nacional.

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Montadoras contempladas

Montadora de veículos com linha de produção em andamento automóveis BYD
Imagem: John Gress Media Inc / Shutterstock.com

A autorização vale até o limite de US$ 463 milhões (R$ 2,58 bilhões) em isenção tributária, valor que será dividido por cotas entre as fabricantes. Entre as contempladas estão grandes nomes do mercado automotivo mundial:

  • Audi;
  • BMW;
  • BYD;
  • Caoa Montadora;
  • GAC;
  • GWM;
  • Honda;
  • Hyundai;
  • Mercedes-Benz Cars & Vans;
  • Toyota;
  • Omoda Jaecoo;
  • Porsche;
  • Volvo Car;
  • Renault;
  • Jaguar Land Rover.

Das 16 empresas, nove já operam no Brasil ou estão em fase de instalação de fábricas e centros de montagem, como Audi, BMW, BYD, Caoa Chery, GWM, Honda, Hyundai, Renault e Toyota.

O que são CKD e SKD?

CKD – Completely Knocked Down

Refere-se à importação de veículos totalmente desmontados, em que as peças chegam separadas e são montadas no país de destino. É uma estratégia para reduzir custos de produção e tributos, além de permitir alguma customização local.

SKD – Semi Knocked Down

Nesse formato, os veículos chegam parcialmente montados, com menos etapas de finalização na fábrica local. Embora mais prático que o CKD, ainda gera redução de custos em relação à importação de um carro completo.

Embate entre montadoras e indústria nacional

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) manifestou forte oposição à ampliação das isenções, defendendo a manutenção do imposto de importação de 35% sobre kits de montagem.

Segundo a entidade, a prática ameaça postos de trabalho e investimentos na indústria automotiva brasileira, pois a maior parte das peças importadas vem da China, reduzindo a demanda por fornecedores locais.

Disputa com a BYD

A montadora chinesa BYD defendia a redução da alíquota para 10%, argumentando que isso aceleraria a adoção de veículos elétricos no país e reduziria preços para o consumidor final. No entanto, a Anfavea conseguiu antecipar o início da cobrança integral para janeiro de 2027, em vez de julho de 2028.

A reação da BYD foi imediata: a empresa divulgou uma carta chamando outras montadoras de “dinossauros”, acusando-as de resistir à modernização e à transição energética.

Critérios para distribuição das cotas

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda divulgará os valores exatos que cada montadora poderá importar com isenção. A divisão levará em conta:

  • Volume de importações realizadas entre janeiro de 2023 e junho de 2025;
  • Quantidade de licenciamentos de veículos concedidos pela Senatran no mesmo período;
  • Capacidade instalada e relevância de cada montadora no mercado brasileiro.

Efeitos esperados no mercado

Impacto para o consumidor

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A isenção temporária tende a reduzir os preços de veículos elétricos e híbridos importados no curto prazo, tornando-os mais acessíveis.

Efeito sobre a indústria nacional

Por outro lado, fabricantes com produção local podem enfrentar maior concorrência de modelos montados com peças estrangeiras, o que pode desacelerar investimentos em novas fábricas e linhas de produção.

Pano de fundo ambiental

Linha de montagem de veículos Volkswagen
Imagem: Reprodução / Volkswagen

A medida também está alinhada a políticas públicas que incentivam mobilidade sustentável, com foco na redução das emissões de carbono. O incentivo para importação de veículos de baixa emissão acompanha a tendência mundial de eletrificação da frota.

Entretanto, críticos apontam que importar kits CKD e SKD não garante desenvolvimento de tecnologia nacional e pode deixar o país dependente de fornecedores externos para componentes essenciais.

Conclusão: o que esperar a partir de 2026

Especialistas acreditam que o cenário mudará significativamente quando o imposto de 35% sobre kits CKD e SKD entrar em vigor. Isso deve forçar empresas que hoje priorizam importação a investirem mais na produção local ou estabelecerem parcerias com fornecedores brasileiros.

A importação de veículos desmontados com isenção tributária é uma medida que favorece a concorrência e amplia a oferta de modelos elétricos e híbridos, mas também levanta preocupações sobre emprego, indústria e independência tecnológica.

Nos próximos meses, o equilíbrio entre incentivos à mobilidade limpa e proteção da indústria nacional será decisivo para definir o rumo do setor automotivo no Brasil.

Imagem: Jasen Wright / shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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