Ser demitido por justa causa é uma das formas mais severas de desligamento no mercado de trabalho brasileiro. Quando ocorre, o empregado perde direitos importantes, como aviso prévio, 13º salário proporcional, seguro-desemprego e multa rescisória sobre o FGTS.
Trabalhador pode ser demitido por estes motivos; veja quais!
Veja os principais motivos para ser demitido por justa causa, como evitá-la e o que fazer caso acredite ter sido demitido injustamente.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece critérios rigorosos para esse tipo de rescisão, garantindo que só seja aplicada em casos graves e devidamente comprovados. No entanto, muitos trabalhadores desconhecem os motivos que podem levar à demissão por justa causa e como se proteger de injustiças.
Neste artigo, você entenderá as principais causas para a dispensa por justa causa, a importância das provas para a sua aplicação, quais direitos são perdidos e como agir caso considere que a demissão foi indevida.
Leia Mais:
Antecipação do 13º do INSS em 2025? Veja o que o governo planeja
O que é a demissão por justa causa?

Diferente da demissão sem justa causa, onde o empregador pode dispensar o funcionário sem precisar justificar o motivo, a justa causa exige a comprovação de uma falta grave por parte do empregado.
A CLT define um conjunto de infrações que podem resultar nesse tipo de desligamento, sempre considerando que a penalidade deve ser proporcional ao erro cometido.
Principais motivos para a demissão por justa causa
A seguir, listamos as principais razões que podem levar um trabalhador a ser demitido por justa causa:
1. Ato de improbidade
O ato de improbidade envolve condutas desonestas como furto, fraude, falsificação de documentos, desvio de dinheiro ou qualquer atitude que configure violação da confiança entre empregado e empregador.
2. Incontinência de conduta ou mau procedimento
Esse motivo refere-se a comportamentos inadequados no ambiente de trabalho, como assédio sexual, uso de linguagem obscena, brigas, desrespeito a colegas e qualquer ação que comprometa o bom funcionamento da empresa.
3. Negociação habitual no local de trabalho
Se o funcionário realiza atividades comerciais próprias dentro da empresa sem autorização e que possam concorrer com os negócios do empregador, pode ser desligado por justa causa.
4. Condenação criminal
Caso o empregado seja condenado por um crime e não possa continuar exercendo suas funções, o empregador pode rescindir o contrato imediatamente.
5. Desídia no desempenho das funções
A desídia ocorre quando o trabalhador apresenta negligência contínua, baixa produtividade, atrasos frequentes ou falta de comprometimento.
6. Embriaguez habitual ou em serviço
O consumo excessivo de álcool ou drogas que comprometa a execução das funções pode levar à demissão. Isso vale tanto para o uso durante o expediente quanto para casos em que o trabalhador chega ao local de trabalho sob efeito dessas substâncias.
7. Violação de segredo da empresa
A divulgação de informações estratégicas ou confidenciais sem autorização pode prejudicar a empresa e é motivo para justa causa.
8. Ato de indisciplina ou insubordinação
Se o funcionário se recusar a obedecer ordens diretas de seus superiores, desrespeitar normas internas ou demonstrar comportamento rebelde, pode ser demitido.
9. Abandono de emprego
A ausência injustificada por período prolongado pode ser interpretada como abandono de emprego. Em geral, 30 dias consecutivos de falta sem justificativa são suficientes para configurar a demissão por justa causa.
10. Ofensas físicas ou verbais
Agressões contra colegas, superiores ou clientes – seja por palavras ofensivas ou atos de violência física – são considerados motivos para a dispensa.
A importância das provas na demissão por justa causa
Para que a justa causa seja válida, o empregador precisa apresentar provas concretas da falta cometida pelo trabalhador.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
“O empregador deve fornecer documentação, testemunhos ou registros que comprovem o comportamento inadequado. Na ausência de provas, a Justiça do Trabalho tende a reverter a penalidade”, explica a advogada trabalhista Fernanda Sousa.
Caso a demissão seja revertida judicialmente, o trabalhador terá direito ao pagamento das verbas rescisórias integrais, como ocorre na demissão sem justa causa.
Como agir em caso de demissão injusta?

Se o empregado acredita que sua dispensa foi injusta, deve tomar algumas medidas:
- Buscar um advogado trabalhista – O profissional poderá avaliar o caso e verificar se há elementos para contestar a demissão.
- Reunir provas – Registros de e-mails, mensagens de WhatsApp, testemunhas e outros documentos são fundamentais para comprovar a inocência do trabalhador.
- Registrar uma reclamação trabalhista – Caso necessário, o empregado pode ingressar com uma ação para tentar reverter a justa causa.
- Solicitar indenização por danos morais – Se a demissão causou exposição pública ou constrangimento, o trabalhador pode pedir compensação na Justiça.
O que o trabalhador perde ao ser demitido por justa causa?
A demissão por justa causa traz prejuízos financeiros ao empregado, pois ele perde diversos direitos. Confira o que ainda pode receber e o que é perdido:
| Verba Rescisória | Direito do Empregado |
|---|---|
| Saldo de salário | Sim |
| Férias vencidas + 1/3 | Sim |
| 13º salário proporcional | Não |
| Aviso prévio | Não |
| Multa de 40% sobre FGTS | Não |
| Seguro-desemprego | Não |
Como evitar a demissão por justa causa?

Manter uma conduta profissional e seguir as normas da empresa são as melhores formas de evitar esse tipo de dispensa. O trabalhador deve:
- Respeitar regras internas da empresa;
- Ser pontual e assíduo;
- Agir com ética e transparência;
- Proteger informações sigilosas da empresa;
- Cumprir as ordens do empregador de maneira respeitosa;
- Evitar brigas e desentendimentos no ambiente de trabalho.
É importante lembrar que a justa causa não pode ser utilizada como punição arbitrária. Ela deve ser aplicada de forma proporcional à falta cometida e sempre com base em provas.
Conclusão
A demissão por justa causa é uma medida extrema aplicada quando o trabalhador comete uma falta grave prevista na CLT. Entre os principais motivos estão atos de improbidade, insubordinação, abandono de emprego, agressões físicas ou verbais e desídia no trabalho.
Para ser válida, a justa causa exige provas concretas, garantindo que o empregado não seja penalizado injustamente. Se houver dúvidas sobre a legalidade da demissão, é fundamental buscar orientação jurídica e, se necessário, ingressar com uma reclamação trabalhista.
O ideal é que o trabalhador mantenha uma postura ética e profissional para evitar qualquer situação que possa resultar nesse tipo de desligamento. Afinal, perder benefícios como seguro-desemprego, aviso prévio e multa do FGTS pode comprometer a estabilidade financeira de qualquer profissional.
Imagem: Antonio Guillem/shutterstock.com
Pode ser do seu interesse:

