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Motoristas são alvo de golpe com falso pedágio Free Flow cobrado por Pix

Motoristas que utilizam rodovias com sistema de pedágio eletrônico free flow precisam redobrar a atenção ao consultar ou pagar tarifas. Um levantamento da Kaspersky identificou 480 sites falsos relacionados ao sistema ao longo de um ano, criados para simular páginas de concessionárias e induzir condutores a fazer pagamentos via PIX. O problema ganhou força rapidamente: […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
Free Flow

Motoristas que utilizam rodovias com sistema de pedágio eletrônico free flow precisam redobrar a atenção ao consultar ou pagar tarifas. Um levantamento da Kaspersky identificou 480 sites falsos relacionados ao sistema ao longo de um ano, criados para simular páginas de concessionárias e induzir condutores a fazer pagamentos via PIX.

O problema ganhou força rapidamente: somente em uma semana, foram registrados 80 novos endereços fraudulentos. As páginas costumam solicitar a placa do veículo e, logo depois, apresentar uma suposta dívida acompanhada de um código PIX para quitação.

A estratégia explora uma dificuldade real dos motoristas: antes da integração das informações no aplicativo oficial CNH do Brasil, era necessário recorrer aos canais de diferentes concessionárias para verificar passagens e efetuar pagamentos.

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Como funciona o golpe do free flow

Free flow
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O free flow é um modelo de cobrança de pedágio sem praças tradicionais e sem cancelas. Pórticos instalados na rodovia identificam o veículo e registram a passagem, permitindo que o motorista siga viagem sem precisar parar.

É justamente essa dinâmica que os criminosos exploram. Como o motorista pode não saber imediatamente se passou por um determinado pórtico ou qual valor deverá pagar, os golpistas criam páginas que aparentam oferecer uma consulta rápida.

Os sites fraudulentos geralmente têm uma estrutura bastante simples. Primeiro, pedem a placa do veículo. Depois, exibem uma cobrança que pode parecer legítima e disponibilizam um PIX para pagamento.

Segundo a Kaspersky, foram encontrados casos com cobranças próximas de R$ 25. Valores relativamente baixos podem aumentar a chance de a vítima não desconfiar da cobrança e concluir o pagamento.

O dinheiro, segundo o levantamento, é direcionado para contas de terceiros utilizadas pelos criminosos, os chamados “laranjas”.

Por que os sites falsos conseguem enganar motoristas?

Um dos principais fatores é a aparência de legitimidade. As páginas costumam utilizar informações relacionadas ao sistema de pedágio e evitam textos longos que poderiam revelar inconsistências.

Outro recurso é apresentar uma cobrança compatível com aquilo que o motorista espera encontrar. Em vez de valores muito elevados, os criminosos podem utilizar quantias que parecem plausíveis para uma tarifa de rodovia.

A Kaspersky também alerta para a velocidade de adaptação dos criminosos. Quando determinado assunto ganha espaço nas redes sociais ou no noticiário, novas páginas podem ser criadas rapidamente para explorar a preocupação dos usuários.

Por isso, encontrar uma página ao pesquisar “free flow” em um buscador não significa que ela seja um canal oficial de pagamento.

CNH do Brasil passa a concentrar informações do free flow

Uma das principais mudanças para os motoristas ocorreu com a atualização do aplicativo CNH do Brasil, do governo federal.

A ferramenta passou a permitir a consulta de passagens registradas em pedágios free flow de rodovias municipais, estaduais e federais, independentemente da concessionária responsável pelo trecho.

Na prática, o motorista ganhou um ponto central de consulta. O aplicativo informa a passagem registrada e também orienta onde e como a tarifa pode ser paga.

A medida reduz uma das dificuldades que existiam anteriormente: o condutor precisava procurar os canais de atendimento de diferentes concessionárias para descobrir se tinha alguma tarifa pendente.

A centralização também dificulta a ação de páginas fraudulentas, já que o motorista tem uma alternativa oficial para conferir a existência da cobrança antes de fazer qualquer pagamento.

O que muda para quem usa tag?

Motoristas que utilizam uma tag de pagamento automático devem observar as regras da própria operadora.

Nesses casos, a cobrança segue o mecanismo contratado, como lançamento em fatura ou utilização de saldo previamente disponibilizado. Portanto, uma mensagem inesperada solicitando que o motorista faça um PIX para quitar uma passagem deve ser tratada com desconfiança.

A recomendação é verificar diretamente os canais oficiais da empresa responsável pela tag caso exista alguma dúvida sobre uma cobrança.

Como consultar uma cobrança de free flow com segurança?

A maneira mais segura é utilizar o aplicativo oficial CNH do Brasil, disponível para Android e iPhone, e conferir se existe uma passagem registrada.

Também é possível procurar diretamente os canais oficiais da concessionária responsável pela rodovia. O cuidado principal é não utilizar um endereço encontrado aleatoriamente em anúncios, mensagens ou páginas de terceiros.

Antes de pagar, confira também quem receberá o PIX. Uma cobrança legítima de pedágio não deve ser direcionada para uma pessoa física.

O que fazer antes de pagar

  • Consulte a passagem pelo aplicativo oficial CNH do Brasil;
  • Confira a concessionária responsável pelo trecho;
  • Evite links recebidos por SMS, WhatsApp, e-mail ou redes sociais;
  • Não confie automaticamente em anúncios exibidos nos buscadores;
  • Confira o nome do destinatário antes de confirmar um PIX;
  • Desconfie de cobranças incompatíveis com os canais oficiais;
  • Para quem utiliza tag, confira primeiro o aplicativo ou sistema da operadora.

Como identificar uma página falsa de pedágio?

Não existe um único elemento que permita identificar todos os golpes, mas alguns sinais ajudam a reduzir o risco.

Pedido de PIX para uma pessoa física é um dos principais alertas. Também merece atenção uma página que aparece por meio de anúncio ou mensagem e solicita imediatamente a placa do veículo para gerar uma cobrança.

Outro cuidado é observar o endereço eletrônico. Uma página visualmente parecida com a de uma concessionária não necessariamente pertence à empresa.

O mais seguro é não acessar o serviço por meio do link recebido. Digite o endereço oficial conhecido ou utilize o aplicativo oficial para chegar à consulta.

E se o motorista já tiver feito o PIX?

Quem percebe que caiu em um golpe deve agir rapidamente.

O primeiro passo é entrar em contato com o banco ou instituição financeira responsável pela conta utilizada no pagamento e informar que a transação foi vítima de fraude. Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar comprovantes, conversas, links, capturas de tela e demais informações relacionadas à cobrança.

Quanto mais rapidamente a fraude for comunicada, maiores são as possibilidades de que a instituição financeira consiga adotar medidas sobre a transação.

O motorista também deve ficar atento a novas mensagens. Depois de um primeiro pagamento, criminosos podem tentar utilizar os dados obtidos para realizar novas abordagens.

A nova consulta pelo aplicativo elimina o risco de golpe?

Não. A centralização das informações reduz uma brecha explorada pelos criminosos, mas não impede que novas páginas fraudulentas sejam criadas.

A própria Kaspersky afirma que os criminosos costumam acompanhar assuntos que estão em evidência para adaptar suas campanhas. O surgimento de aplicativos com nomes semelhantes ao oficial também mostra que a atenção precisa continuar mesmo fora dos navegadores.

Por isso, o principal cuidado continua sendo verificar a cobrança em um canal oficial antes de realizar qualquer pagamento.

O que o motorista deve fazer na prática?

Free Flow
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A regra mais simples é: não pague uma cobrança de free flow apenas porque recebeu uma mensagem ou encontrou uma página na internet.

Primeiro, consulte a passagem no CNH do Brasil ou diretamente no canal oficial da concessionária. Depois, confirme o valor, o trecho e a forma de pagamento.

Se houver qualquer divergência, interrompa a operação e procure a concessionária responsável. Em pagamentos via PIX, conferir o destinatário antes de confirmar a transação é uma etapa essencial.

Com a expansão do free flow nas rodovias brasileiras, golpes relacionados ao sistema podem continuar aparecendo. A melhor proteção é combinar a consulta em fontes oficiais com atenção aos links, aplicativos e destinatários dos pagamentos.

Conclusão

O crescimento de sites falsos que simulam cobranças do free flow mostra que os motoristas precisam ter atenção redobrada antes de fazer qualquer pagamento. A consulta centralizada pelo aplicativo CNH do Brasil facilita a verificação das passagens e reduz a necessidade de recorrer a páginas encontradas aleatoriamente na internet.

Na prática, a principal orientação é simples: não pague uma cobrança recebida por mensagem ou encontrada em um site sem antes confirmar a passagem em um canal oficial. Conferir o destinatário do PIX, evitar links suspeitos e utilizar aplicativos legítimos são medidas que podem impedir que uma tarifa de pedágio se transforme em prejuízo financeiro.

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