Em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 2552/2024, proposto pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), pode representar uma mudança significativa para motoristas de aplicativos no Brasil.
Novo projeto de lei: motoristas de app poderão usar o FGTS para adquirir veículos!
O PL 2552/2024 propõe o uso de até 60% do saldo do FGTS para motoristas de app comprarem veículos próprios. Saiba mais sobre a proposta.
A proposta autoriza o uso de até 60% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de veículos novos ou usados, desde que sejam exclusivamente destinados ao transporte de passageiros.
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Como o Projeto de Lei 2552/2024 beneficiará os motoristas?

A proposta surge para oferecer uma alternativa aos motoristas que dependem de veículos alugados. Segundo levantamento da fintech StopClub, 27,3% dos motoristas de aplicativo nas 15 maiores cidades do país utilizam carros alugados para trabalhar.
Com a possibilidade de compra de veículos próprios, esses profissionais podem reduzir seus custos e ganhar mais autonomia, além de potencialmente melhorar a qualidade do serviço oferecido.
Requisitos para utilizar o FGTS na compra de veículos
Para usufruir do benefício proposto, o motorista de aplicativo deverá cumprir alguns critérios específicos:
- Cadastramento: estar registrado em um aplicativo de transporte há pelo menos seis meses;
- Veículo: não possuir outro veículo registrado em seu nome;
- Comprovação de renda: apresentar comprovantes que demonstrem capacidade financeira para arcar com as despesas de manutenção do carro.
A fiscalização desses critérios e quaisquer ajustes adicionais serão definidos pelo conselho gestor do FGTS.
Por que o uso do FGTS para motoristas de aplicativo?
O projeto foi proposto com o objetivo de proporcionar maior segurança e estabilidade para motoristas de aplicativo, uma categoria que vem crescendo rapidamente no Brasil. Segundo o cofundador e CEO da StopClub, Luiz Gustavo Neves, a iniciativa representa um avanço para a classe:
“A possibilidade de usar o FGTS para adquirir um carro próprio é um avanço significativo para os motoristas de aplicativo, especialmente aqueles que ainda dependem de veículos alugados. Essa medida proporciona mais autonomia, reduz os custos operacionais e melhora a qualidade do serviço”.
O uso do FGTS para essa finalidade pode diminuir a dependência de contratos de aluguel, frequentemente caros, e garantir que os motoristas possam atender melhor seus clientes, além de permitir uma gestão financeira mais equilibrada.
Etapas para a aprovação do Projeto de Lei
O Projeto de Lei 2552/2024 ainda está nas etapas iniciais de tramitação e precisa passar por algumas comissões antes de ser encaminhado para votação. Atualmente, ele aguarda análise nas seguintes comissões:
- Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
- Comissão de Finanças e Tributação;
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Após ser aprovado pelas comissões, o projeto seguirá para votação na Câmara dos Deputados. Se aprovado, passará para o Senado e, finalmente, dependerá de sanção presidencial para entrar em vigor.
Como o FGTS pode ser utilizado atualmente?
O FGTS, criado para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa, possui regras rígidas de saque. Hoje, ele pode ser utilizado nas seguintes situações:
- Aquisição da casa própria;
- Tratamento de doenças graves;
- Aposentadoria;
- Demissão sem justa causa, entre outros.
O Projeto de Lei 2552/2024 é inovador ao sugerir o uso do FGTS para aquisição de veículos, abrindo um precedente para novos usos desse recurso em outras categorias profissionais, o que pode beneficiar milhões de brasileiros que atuam como motoristas de aplicativo.
Opiniões sobre o Projeto de Lei: benefícios e desafios
Especialistas avaliam que o projeto pode trazer vantagens e desafios para os motoristas de aplicativo:
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Benefícios
- Autonomia e economia: a compra de um veículo próprio elimina custos mensais com aluguel e possibilita o planejamento financeiro a longo prazo.
- Valorização profissional: ao possuir seu próprio veículo, o motorista pode investir em manutenção de qualidade, o que impacta diretamente na satisfação do passageiro.
- Segurança: muitos motoristas se queixam da necessidade de alugar carros para trabalhar, pois alguns contratos apresentam termos desfavoráveis. Com o FGTS, a categoria terá acesso facilitado ao próprio veículo.
Desafios
- Comprometimento do FGTS: retirar parte do FGTS pode comprometer o montante disponível em casos de emergência, como demissão ou aposentadoria.
- Garantia de manutenção: adquirir um carro é apenas uma parte do custo. É preciso garantir que o motorista consiga manter o veículo em boas condições, o que pode representar despesas adicionais.
- Fiscalização: assegurar que os veículos adquiridos sejam realmente destinados ao transporte de passageiros pode ser um desafio logístico para o governo.
Perspectivas para os motoristas de aplicativo
Caso o Projeto de Lei seja aprovado, ele poderá servir de incentivo para que motoristas de aplicativos invistam em sua carreira e profissionalização. Ao ter um veículo próprio, o motorista conquista maior estabilidade e a oportunidade de aumentar sua renda, com menos despesas fixas de aluguel.
Por outro lado, é importante que esses trabalhadores se organizem financeiramente para garantir que os recursos do FGTS sejam utilizados da melhor maneira possível, evitando comprometer o fundo para emergências futuras.
Considerações finais
O Projeto de Lei 2552/2024 representa uma proposta inovadora para os motoristas de aplicativo no Brasil. Ao possibilitar o uso do FGTS para a compra de veículos próprios, o governo atende a uma demanda crescente dessa categoria, que busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis.
A iniciativa ainda precisa passar por diversas aprovações antes de ser implementada, mas tem o potencial de impactar positivamente milhares de motoristas em todo o país.
Este é um passo importante para a valorização e segurança desses profissionais, ao mesmo tempo em que propõe novas formas de utilização do FGTS.
Imagem: Prostock-studio / Shutterstock.com
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