A política brasileira amanheceu em crise nesta quarta-feira (25).
Motta pauta derrubada do decreto do iof e surpreende governo
Hugo Motta pauta a derrubada do decreto do IOF, surpreendendo o governo e aumentando tensão sobre orçamento e pagamento de emendas.
O motivo foi a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que surpreendeu o Palácio do Planalto ao pautar a votação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derruba o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A medida, implementada pelo governo Lula em maio, tinha como objetivo reforçar o caixa federal no curto prazo. No entanto, a decisão unilateral de Motta expôs rachaduras na base aliada e revelou um clima de insatisfação crescente entre o Congresso Nacional e o Executivo.
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Governo não esperava a votação do IOF agora

Segundo fontes do governo, a votação desta quarta não estava no radar das negociações políticas. O Planalto esperava discutir previamente a medida com a base aliada, especialmente com o presidente da Câmara, antes de definir qualquer data. A antecipação é vista como uma quebra de confiança.
“Não se respeita mais rito nesta Câmara. O governo foi surpreendido com essa pauta para hoje. Ainda espero uma conversa com o Hugo Motta pela manhã. Foi quebra de relação”, afirmou ao blog do jornalista Gerson Camarotti um articulador político do governo.
A tensão se agravou pelo modo como a decisão foi comunicada: Motta anunciou a inclusão da pauta em sua conta na rede social X (antigo Twitter), às 23h35 da noite anterior, sem qualquer aviso prévio ao Palácio do Planalto.
IOF: imposto estratégico no centro da discórdia
O IOF é um tributo com função regulatória e arrecadatória. A elevação do imposto foi uma medida tomada pelo governo federal para compensar gastos e manter a estabilidade fiscal, ainda que temporária. A derrubada do decreto por parte do Congresso compromete diretamente o fluxo de caixa do governo.
Decreto já havia sido “desidratado”
Fontes do Ministério da Fazenda afirmam que o aumento do IOF já havia sido ajustado com cortes e limitações, o que tornava o tributo ainda mais importante para evitar uma paralisia orçamentária.
A receita oriunda do IOF seria utilizada inclusive para assegurar o pagamento de emendas parlamentares — ironicamente, o ponto central da insatisfação dos deputados.
Fernando Haddad e a fricção com o Congresso
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem adotado um tom crítico ao Congresso em diversas entrevistas. As recentes declarações de Haddad foram consideradas “pouco diplomáticas” por integrantes do Legislativo, o que alimentou a animosidade que culminou na decisão de Motta.
Emendas parlamentares: o gatilho da insatisfação
A raiz da crise entre Executivo e Congresso remonta ao ritmo de liberação das emendas parlamentares. Mesmo com a promessa de aceleração nos repasses, deputados e senadores reclamam da morosidade e da falta de previsibilidade.
Emendas impositivas em debate no STF
Na próxima sexta-feira (27), Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comparecerão pessoalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em audiência com o ministro Flávio Dino.
A pauta será justamente a transparência das emendas impositivas, foco de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) em tramitação na Corte.
“O Legislativo quer deixar claro que não aceitará qualquer tentativa de enfraquecimento do seu poder sobre o orçamento público”, declarou uma fonte próxima aos presidentes das duas casas legislativas.
A audiência é vista como uma forma de pressionar o STF e, indiretamente, o próprio governo Lula, já que Dino foi indicado ao Supremo pelo presidente.
Articulação política tenta conter estrago
Com o impacto fiscal que a derrubada do decreto do IOF pode causar, a articulação política do governo corre contra o tempo para reverter ou, ao menos, adiar a votação. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pretende se reunir com Motta ainda nesta manhã para tentar recompor o diálogo.
Ponto de não retorno?
Apesar dos esforços, há uma percepção entre os aliados do governo de que o gesto de Motta marca um ponto de inflexão na relação entre Legislativo e Executivo. A quebra do rito, a comunicação feita via redes sociais e a ausência de um acordo prévio abrem precedentes perigosos para a governabilidade.
Clima de desconfiança mútua
Além das emendas, parlamentares relataram incômodo com a centralização das decisões econômicas e políticas no Palácio do Planalto. Já o governo, por sua vez, considera que o Congresso tem agido com oportunismo eleitoral, usando o orçamento como moeda de troca e tensionando a coalizão política.
Impactos da derrubada do IOF
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Se a derrubada do decreto for confirmada, a consequência imediata será uma perda de arrecadação estimada em bilhões. O impacto afeta não apenas os cofres da União, mas compromete a viabilidade de projetos em andamento e pode prejudicar o cronograma de repasses aos estados e municípios.
Reação do mercado
O mercado financeiro acompanha a movimentação com apreensão. A instabilidade entre os poderes e a dificuldade em garantir previsibilidade fiscal são fatores que elevam o risco país e pressionam o câmbio e os juros.
“Uma decisão como essa, tomada de forma abrupta, pode comprometer o equilíbrio fiscal e aumentar o custo de captação do governo”, avaliou um analista da XP Investimentos.
O que vem a seguir?

Tentativa de acordo de última hora
Nos bastidores, interlocutores do Planalto ainda tentam costurar um acordo que permita postergar a votação até a apresentação do relatório bimestral de receitas e despesas, marcada para 22 de julho.
Com esse relatório, o governo teria base para negociar um novo pacote de medidas compensatórias com o Congresso.
Reforço do papel institucional da Casa Civil
Diante da crise, a Casa Civil deve ganhar protagonismo nas próximas semanas, assumindo a liderança na articulação entre ministérios, base aliada e Congresso. A ideia é restaurar a previsibilidade política e blindar o Executivo de novas surpresas legislativas.
Risco de efeito dominó
A crise envolvendo o IOF pode desencadear um efeito dominó, com outras medidas do governo sendo questionadas no Congresso. Deputados e senadores estão de olho em temas como a reforma tributária, os novos marcos regulatórios e a condução das políticas sociais.
Conclusão
A decisão de Hugo Motta de pautar, sem aviso prévio, a votação que derruba o aumento do IOF, representa muito mais que uma discordância pontual: é o sintoma de uma relação institucional fragilizada.
O episódio escancara a instabilidade da base aliada do governo Lula e sinaliza que o Congresso está disposto a endurecer o jogo político em defesa de suas prerrogativas orçamentárias. Para evitar o agravamento da crise, será necessário mais que negociação — será preciso reconstruir pontes.
