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Mounjaro: entenda como funciona e qual o preço do medicamento

Anvisa aprova Mounjaro (tirzepatida) para obesidade. Com aplicação semanal, remédio promete maior perda de peso que o Ozempic. Veja como funciona.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
mounjaro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oficialmente nesta segunda-feira (9) o uso do Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de obesidade no Brasil. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União e marca um novo capítulo na abordagem clínica da doença, considerada crônica e multifatorial.

Até então, o medicamento estava disponível no país apenas para pacientes com diabetes tipo 2. Com a nova liberação, o Mounjaro passa a ser uma opção também para pessoas com sobrepeso e obesidade, colocando-se como um concorrente direto de tratamentos como Ozempic e Wegovy, já utilizados para o controle de peso.

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Como o Mounjaro age no organismo

Mounjaro anvisa
Imagem: Mohammed_Al_Ali/Shutterstock

Dupla ação: GIP e GLP-1

Diferentemente de seus concorrentes, que atuam apenas sobre o receptor GLP-1, a tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — tem dupla ação, atuando também no receptor GIP. Ambos são hormônios intestinais liberados em resposta à ingestão de alimentos e têm papéis fundamentais no controle da glicemia e da saciedade.

Essa dupla atuação proporciona maior potencial de perda de peso e controle glicêmico, como explica a endocrinologista e metabologista Rachel Giovanella:

“O Mounjaro reduz mais a ingesta de alimentos e aumenta a secreção de insulina, potencializando mais o controle da glicose e a perda de peso”.

Efeitos fisiológicos

  • Retarda o esvaziamento gástrico
  • Aumenta a saciedade
  • Reduz o apetite
  • Diminui a absorção de glicose
  • Regula o metabolismo pós-prandial

Esses efeitos colaboram não apenas para a perda de peso, mas também para a melhoria do controle metabólico geral, sendo úteis tanto para diabéticos quanto para pessoas obesas.

Benefícios esperados do Mounjaro

Resultados superiores em perda de peso

Estudos clínicos indicam que pacientes tratados com doses elevadas de tirzepatida obtêm reduções de peso superiores a 20% em 57% dos casos, o que representa um avanço importante em relação à semaglutida (principio ativo do Ozempic e do Wegovy), que tem eficácia média de 15% de redução de peso corporal.

Outros benefícios relatados:

  • Controle mais eficiente da glicose no sangue
  • Redução da pressão arterial
  • Melhora nos níveis de triglicerídeos
  • Potencial impacto positivo sobre fatores de risco cardiovascular

Quem pode usar o Mounjaro

mounjaro
Imagem: Freepik

Inicialmente indicado para pacientes com diabetes tipo 2, o Mounjaro agora também pode ser utilizado por pessoas com:

  • IMC ≥ 30 (obesidade)
  • IMC ≥ 27 com comorbidades associadas (como hipertensão ou dislipidemia)

A medicação está liberada para uso contínuo em adultos, mediante prescrição médica e acompanhamento especializado, sendo contraindicada para pacientes com:

  • Histórico de pancreatite
  • Triglicerídeos muito altos
  • Câncer medular da tireoide (histórico pessoal ou familiar)

Tratamento: como é feito o uso da tirzepatida

Administração e posologia

O Mounjaro é aplicado por via subcutânea uma vez por semana. As doses variam entre:

  • 2,5mg
  • 5mg
  • 7,5mg
  • 10mg
  • 12,5mg
  • 15mg

O tratamento costuma iniciar com a menor dose (2,5mg), com aumentos graduais conforme tolerância e necessidade clínica. Segundo especialistas, o uso contínuo e progressivo é fundamental para evitar efeitos colaterais e alcançar a fase de manutenção de forma segura.

Uso crônico

A endocrinologista Rachel Giovanella ressalta que o Mounjaro, assim como o Ozempic e o Wegovy, é indicado para uso crônico:

“Obesidade e diabetes são doenças crônicas. Ao interromper o medicamento, há tendência de reganho de peso e piora da glicose. Não há prazo definido para o uso.”

Efeitos colaterais e riscos associados

Como qualquer medicamento de ação hormonal, o Mounjaro pode causar efeitos colaterais, especialmente durante a fase de adaptação.

Efeitos colaterais comuns:

  • Náusea
  • Refluxo
  • Constipação
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Tontura
  • Fadiga
  • Sensação de desconforto gástrico

A endocrinologista alerta que os efeitos costumam ser menos intensos do que os observados com a semaglutida, embora o acompanhamento médico continue sendo essencial.

Efeito rebote

O efeito rebote ocorre quando o tratamento é interrompido abruptamente, resultando em:

  • Retorno do peso perdido
  • Reelevação dos níveis glicêmicos
  • Reativação dos mecanismos de fome

Comparação entre Mounjaro, Ozempic e Wegovy

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Segundo Melissa Barcellos Azevedo, endocrinologista do Hospital Mãe de Deus:

Substância ativa

  • Ozempic e Wegovy: semaglutida (GLP-1)
  • Mounjaro: tirzepatida (GLP-1 + GIP)

Indicações

  • Ozempic: diabetes tipo 2
  • Wegovy: obesidade
  • Mounjaro: diabetes tipo 2 e, agora, também obesidade

Dose máxima

  • Ozempic: 1 mg
  • Wegovy: 2,4 mg
  • Mounjaro: até 15 mg

Efeitos colaterais

  • Sem grandes diferenças, já que os medicamentos atuam em vias hormonais semelhantes
  • Náuseas são o sintoma mais comum entre todos

Disponibilidade e preços no Brasil

Desde maio de 2025, o Mounjaro já estava disponível nas farmácias brasileiras, mas apenas com indicação para diabetes. Com a nova aprovação da Anvisa, ele passa a ter uso legal e ampliado para a obesidade.

O preço pode variar entre R$ 800 e R$ 1.500, dependendo da dosagem e da rede de farmácias. Ainda não há previsão de incorporação ao SUS ou a planos de saúde, mas discussões sobre inclusão em protocolos públicos de tratamento de obesidade já começam a ganhar força.

O futuro do tratamento da obesidade no Brasil

A liberação do Mounjaro pela Anvisa representa um avanço significativo no combate à obesidade, uma doença que afeta mais de 20% da população brasileira adulta e está fortemente associada a doenças cardiovasculares, metabólicas e articulares.

Especialistas apontam que a chegada de novas terapias com melhor eficácia e menos efeitos colaterais pode mudar o paradigma do tratamento, desde que:

  • Haja acesso ampliado e equitativo
  • O uso seja feito com prescrição e acompanhamento médico
  • Seja parte de um plano de saúde integral, que inclui alimentação, atividade física e apoio psicológico

Considerações finais

A aprovação do Mounjaro (tirzepatida) pela Anvisa para o tratamento da obesidade marca um importante avanço na medicina brasileira. Com dupla ação hormonal, maior potencial de perda de peso e bons resultados no controle da glicemia, a medicação surge como uma opção promissora no tratamento de doenças crônicas como diabetes tipo 2 e obesidade.

Apesar dos benefícios, é essencial lembrar que o tratamento deve ser individualizado, prescrito por médico especialista e acompanhado de perto, especialmente para controle de efeitos colaterais e planejamento de longo prazo.

A obesidade é uma doença complexa e multifatorial — e, com o Mounjaro, o Brasil passa a contar com uma ferramenta ainda mais eficaz para enfrentá-la.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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