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Programa Move Brasil quer atrair mais taxistas e motoristas de aplicativo

Move Brasil amplia financiamento para 84 meses e aceita carros de até R$ 200 mil. Veja quem participa, taxas, cadastro e prazo para contratar.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
move brasil

O governo federal alterou as regras do Move Brasil Táxi e Aplicativos para tentar aumentar a participação de motoristas no programa. O prazo máximo do financiamento passou de 72 para 84 meses, enquanto o valor limite do automóvel subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil.

Também foi ampliada a relação de veículos híbridos que podem ser comprados. Agora, o programa aceita mais combinações entre motor elétrico e motor a combustão abastecido com gasolina, etanol ou ambos, desde que o modelo esteja na lista oficial.

As mudanças procuram resolver um problema prático: apesar de haver R$ 30 bilhões disponíveis, apenas R$ 3,55 bilhões haviam sido liberados até 18 de agosto, aproximadamente 12% do total. Dificuldades na análise de crédito, restrições cadastrais e oferta limitada de modelos estavam entre os obstáculos apontados.

O financiamento, porém, não é aprovado automaticamente. O motorista precisa primeiro comprovar que atende aos critérios do programa e, depois, passar pela avaliação financeira do banco.

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O que mudou no Move Brasil?

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O Conselho Monetário Nacional aprovou a ampliação do prazo de pagamento para até 84 meses, equivalente a sete anos. Até então, o financiamento estava limitado a 72 meses.

O conselho também confirmou o novo teto de R$ 200 mil para o valor do automóvel. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o limite maior amplia o alcance potencial de 63% para 88% do mercado brasileiro de veículos.

As mudanças principais são:

CondiçãoRegra anteriorNova regra
Valor máximo do carroR$ 150 milR$ 200 mil
Prazo de pagamentoAté 72 mesesAté 84 meses
CarênciaAté seis mesesAté seis meses
Veículos híbridosDefinição mais restritaMais combinações aceitas
FinanciamentoAté 100%Pode chegar a 100%

A decisão do CMN foi divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Prazo maior significa prestação menor?

Em geral, dividir o saldo por mais meses reduz o valor da prestação. Isso pode ajudar motoristas que não conseguiam demonstrar capacidade financeira para pagar o financiamento em seis anos.

O prazo maior, entretanto, tende a aumentar o custo total. Mesmo que a parcela fique mais baixa, haverá incidência de juros durante um período mais longo.

Por isso, o interessado deve comparar simulações de 60, 72 e 84 meses. A melhor escolha não é necessariamente o prazo máximo, mas aquele que oferece uma prestação sustentável sem elevar demais o total pago.

O que é o Move Brasil Táxi e Aplicativos?

O Move Brasil é uma linha de financiamento apoiada pelo governo federal e operada pelo BNDES em parceria com bancos credenciados.

A iniciativa foi criada para facilitar a compra de automóveis por taxistas e motoristas de aplicativos. O foco está na renovação da frota e na aquisição de veículos novos com maior eficiência energética.

O programa não entrega carros gratuitamente nem concede um auxílio. O motorista contrata um financiamento e assume a obrigação de pagar as prestações.

Os recursos do BNDES permitem oferecer taxas máximas inferiores às normalmente encontradas no mercado. Os bancos, porém, continuam responsáveis pela análise de crédito e podem negar a solicitação.

Quem pode participar?

O programa atende taxistas e motoristas de aplicativos que trabalham com transporte individual de passageiros.

Para o motorista de aplicativo, é necessário:

  • ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses;
  • comprovar ao menos 100 corridas nesse período;
  • ter as corridas registradas na mesma plataforma;
  • usar uma plataforma participante;
  • fazer o cadastro como pessoa física.

As 100 corridas não podem ser somadas entre diferentes aplicativos. Se o trabalhador realizou 60 viagens em uma plataforma e 50 em outra, ele não atende ao requisito por meio dessa soma.

Também não é possível usar o histórico de uma plataforma antiga com o cadastro recente em outra. A conta informada precisa reunir os 12 meses de atividade e as 100 corridas.

Quais são as regras para taxistas?

O taxista deve estar devidamente registrado, com licença ativa e situação regular perante os órgãos responsáveis.

A verificação é feita por meio dos dados disponíveis na Receita Federal. Segundo o FAQ do governo, o profissional pode precisar ter solicitado a isenção de IPI para taxistas nos últimos dois anos para que sua atividade seja identificada no cadastro.

Motoristas de cooperativas de táxi também podem participar quando a entidade estiver regularmente constituída e autorizada a prestar o serviço.

Empresas podem comprar pelo programa?

Não. O Move Brasil Táxi e Aplicativos é voltado a pessoas físicas e permite o financiamento de um automóvel por CPF.

Cooperativas podem atuar na organização ou no reconhecimento da atividade, mas a contratação destinada ao motorista permanece submetida às condições do programa.

Quais veículos podem ser financiados?

A regra atual contempla veículos novos com valor final de nota fiscal de até R$ 200 mil. O preço considerado já inclui os descontos aplicados pela concessionária.

O modelo precisa atender aos critérios de sustentabilidade e eficiência energética. Podem ser aceitos:

  • carros flex considerados eficientes;
  • veículos movidos a etanol;
  • automóveis elétricos;
  • híbridos flex;
  • híbridos que combinem eletricidade com gasolina;
  • híbridos que usem eletricidade, gasolina e etanol.

Não basta encontrar um automóvel dentro do preço. O modelo precisa constar na lista de bens financiáveis do programa.

O veículo também deve ser fabricado por empresa habilitada no Programa Mobilidade Verde e Inovação, conhecido como Mover. Entre as montadoras participantes estão marcas como Fiat, Volkswagen, Chevrolet, Renault, Toyota, Hyundai, Honda, Nissan, Peugeot, BMW, BYD e GWM.

Carro seminovo já pode ser financiado?

Ainda não de forma geral. A regulamentação prevê a possibilidade futura de incluir determinados seminovos fabricados a partir de 2024, especialmente elétricos e híbridos.

Enquanto essa etapa não for regulamentada e operacionalizada, o motorista deve considerar que a linha disponível é destinada a carros novos.

Anúncios de venda que prometam financiamento imediato de qualquer seminovo pelo Move Brasil precisam ser vistos com cautela.

Quais são os juros do Move Brasil?

O custo máximo definido pelo programa é de até 11,5% ao ano para mulheres e até 12,6% ao ano para os demais motoristas.

Nas referências mensais divulgadas pelo governo, os limites correspondem aproximadamente a:

  • até 0,91% ao mês para mulheres;
  • até 0,99% ao mês para os demais participantes.

A diferenciação procura ampliar o acesso das mulheres ao crédito e incentivar a presença feminina no transporte de passageiros.

O banco pode cobrar uma taxa menor, mas não deve ultrapassar o teto aplicável ao perfil do contratante. O consumidor precisa conferir o Custo Efetivo Total antes de assinar.

O que é o Custo Efetivo Total?

O Custo Efetivo Total, ou CET, reúne juros e demais despesas relacionadas ao contrato. Ele mostra quanto o financiamento realmente custa.

Entre os valores que podem aparecer estão:

  • juros;
  • seguro do veículo;
  • seguro prestamista;
  • encargos relacionados à garantia;
  • despesas permitidas na operação.

A cobrança de tarifa de cadastro foi proibida nas operações do programa pela Resolução CMN nº 5.319/2026.

Para mulheres, itens de segurança destinados à atividade podem representar até 10% do valor total financiado, conforme as regras do BNDES.

É preciso dar entrada?

O programa permite financiar até 100% dos itens elegíveis, mas isso não garante que todos conseguirão comprar o veículo sem entrada.

O banco responsável pode exigir um valor inicial de acordo com sua política de crédito, o perfil do cliente e o risco da operação.

Na prática, um motorista pode ser aprovado para financiar todo o automóvel, enquanto outro precisará oferecer entrada para reduzir o saldo e o valor das parcelas.

A decisão é da instituição financeira. O BNDES fornece os recursos, mas não interfere na aprovação individual.

Como pedir o financiamento?

O procedimento possui três etapas principais: cadastro, confirmação da elegibilidade e análise bancária.

Faça o cadastro no portal oficial

O motorista deve acessar a plataforma Move Brasil usando uma conta Gov.br. Durante o cadastro, será solicitada autorização para consultar as informações necessárias.

Não é preciso anexar comprovantes de corridas nessa primeira fase. Os dados são enviados pelas plataformas participantes e cruzados pelo sistema.

Aguarde a resposta de elegibilidade

O governo informa se o motorista está apto em até cinco dias úteis. A resposta é enviada para a caixa postal da conta Gov.br e pode ser comunicada pelo WhatsApp cadastrado.

Ser considerado apto significa apenas que os requisitos de participação foram confirmados. Isso ainda não representa aprovação do financiamento.

Procure a concessionária ou o banco

Depois da confirmação, o interessado pode procurar uma concessionária que venda um veículo elegível ou solicitar o financiamento diretamente a uma instituição financeira participante.

O banco fará uma nova avaliação, considerando:

  • renda;
  • histórico de pagamentos;
  • score de crédito;
  • dívidas existentes;
  • valor do veículo;
  • entrada oferecida;
  • capacidade de pagar as parcelas.

Se o crédito for aprovado, a instituição encaminhará o pedido ao BNDES para validação.

Por que poucos motoristas conseguiram o crédito?

O programa dispõe de R$ 30 bilhões, mas havia liberado cerca de R$ 3,55 bilhões até 18 de agosto. O resultado representava aproximadamente 12% dos recursos disponíveis.

Uma das razões é a diferença entre elegibilidade e aprovação bancária. O motorista pode comprovar tempo de trabalho e quantidade de corridas, mas ainda ser reprovado por renda insuficiente ou restrição cadastral.

Outro obstáculo era o antigo limite de R$ 150 mil. Parte dos veículos usados no transporte por aplicativo, principalmente modelos maiores ou híbridos, ficava acima desse teto.

O prazo de 72 meses também podia resultar em prestações consideradas altas. Com 84 meses, o governo espera adequar melhor as parcelas à renda dos profissionais.

Além disso, nem todas as plataformas, instituições financeiras e concessionárias implementaram os procedimentos ao mesmo tempo. Essa diferença de ritmo pode dificultar a contratação em determinadas regiões.

Motorista negativado pode participar?

A pessoa negativada pode fazer o cadastro e passar pela análise de elegibilidade. A restrição, porém, pode impedir a aprovação do crédito pelo banco.

O programa não obriga a instituição a financiar um cliente com dívida atrasada. A decisão continua baseada na política de risco de cada agente financeiro.

Quem teve o pedido negado deve perguntar ao banco qual foi o motivo e verificar se existe alguma pendência que possa ser regularizada.

O motorista também pode consultar outra instituição participante, mas deve evitar fazer várias solicitações simultâneas sem planejamento, pois sucessivas consultas de crédito podem interferir na avaliação cadastral.

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A garantia do programa elimina o risco do motorista?

Não. Algumas operações podem contar com apoio do Fundo Garantidor para Investimentos na modalidade do Programa Emergencial de Acesso a Crédito, o FGI Peac.

O fundo reduz parte do risco assumido pela instituição financeira. Isso pode facilitar a aprovação de profissionais que teriam dificuldade em obter um financiamento comum.

A garantia não funciona como seguro para o motorista. Se as prestações não forem pagas, o banco poderá cobrar a dívida e adotar as medidas previstas no contrato.

Também pode existir um Encargo por Concessão de Garantia. Esse custo precisa aparecer de forma clara na simulação e integrar o CET.

Qual é o prazo para contratar?

As instituições credenciadas devem contratar as operações até 15 de setembro de 2026, data final de vigência da Medida Provisória nº 1.359/2026, que sustenta o programa.

O prazo poderá terminar antes se os recursos disponíveis forem esgotados. Por isso, quem pretende participar não deve deixar o cadastro para os últimos dias.

Como a análise inicial pode levar até cinco dias úteis e ainda existe a avaliação bancária, iniciar o procedimento perto do encerramento aumenta o risco de não concluir a contratação.

Uma eventual continuidade após essa data dependerá de aprovação legislativa ou de nova decisão do governo. Até que isso ocorra, o motorista deve considerar 15 de setembro como prazo final.

Vale a pena financiar um carro pelo Move Brasil?

As taxas são mais baixas que as encontradas normalmente em financiamentos tradicionais, mas isso não significa que a compra será vantajosa para todos.

Antes de assinar, o motorista deve calcular:

  • prestação mensal;
  • entrada;
  • seguro;
  • IPVA;
  • licenciamento;
  • manutenção;
  • combustível ou recarga;
  • comissão cobrada pela plataforma;
  • depreciação do veículo;
  • quantidade de horas necessárias para pagar os custos.

Um carro de R$ 150 mil financiado por sete anos pode ter uma prestação aparentemente acessível, mas exigirá pagamentos durante 84 meses. Nesse período, o profissional continuará arcando com manutenção e perda de valor do automóvel.

O cálculo deve considerar a renda líquida, ou seja, quanto sobra depois de combustível, alimentação, manutenção e taxas do aplicativo. Usar o faturamento bruto pode criar uma falsa impressão de capacidade financeira.

O que fazer se o cadastro for recusado?

Motoristas de aplicativo devem solicitar à plataforma o relatório de corridas. Se houver erro nas informações enviadas, é necessário pedir a correção e o reenvio dos dados ao governo.

Taxistas precisam verificar se seus registros estão ativos e se a situação fiscal está regular. Também pode ser necessário conferir a solicitação de isenção de IPI.

Se a negativa vier do banco, e não da plataforma, o problema está na análise de crédito. Nesse caso, o motorista pode:

  • pedir a justificativa;
  • consultar pendências no CPF;
  • renegociar dívidas;
  • aumentar a entrada;
  • escolher um carro mais barato;
  • buscar outra instituição participante.

Estar apto no Gov.br não concede direito automático ao empréstimo. O banco é quem assume o risco da operação e decide pela liberação.

Mudanças ampliam as opções, mas exigem planejamento

O aumento do teto para R$ 200 mil, a inclusão de mais híbridos e o prazo de até 84 meses tornam o Move Brasil acessível a uma parcela maior do mercado.

As alterações podem reduzir a prestação e oferecer mais opções de veículos, mas não eliminam a análise de crédito nem os custos de manter um carro trabalhando diariamente.

O motorista interessado deve fazer o cadastro imediatamente, aguardar a confirmação e comparar propostas. Antes de assinar, precisa olhar o custo total e calcular se a renda líquida das corridas consegue sustentar o financiamento pelos próximos sete anos.

Perguntas frequentes sobre o Move Brasil

Move Brasil
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Quem pode participar do Move Brasil?

Taxistas devidamente registrados e motoristas de aplicativos com pelo menos 12 meses de cadastro ativo e 100 corridas na mesma plataforma.

Qual é o valor máximo do carro?

O veículo pode custar até R$ 200 mil, considerando o valor final informado na nota fiscal.

O financiamento pode durar quantos meses?

A nova regra permite pagamento em até 84 meses, equivalente a sete anos.

O programa financia carro usado?

A linha disponível concentra-se em carros novos. A inclusão de determinados seminovos ainda depende de regulamentação e implementação.

É possível financiar todo o veículo?

O financiamento pode chegar a 100%, mas o banco poderá exigir entrada após analisar o perfil do cliente.

Quem está negativado consegue o financiamento?

A pessoa pode fazer o cadastro, mas a restrição pode levar o banco a negar o crédito. A aprovação depende da análise da instituição.

Ser aprovado no Gov.br garante o empréstimo?

Não. A aprovação no cadastro confirma apenas a elegibilidade. O banco ainda fará a análise de crédito.

Até quando é possível contratar?

As operações precisam ser contratadas até 15 de setembro de 2026, salvo mudança legislativa ou encerramento antecipado dos recursos.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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