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MP-BA processa Nubank por práticas de crédito que causam superendividamento

MP-BA move ação contra Nubank por práticas de crédito que podem causar superendividamento. Veja detalhes e resposta do banco.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O Ministério Público da Bahia (MP-BA) ajuizou uma ação civil pública contra o Nubank, acusando o banco digital de adotar práticas consideradas abusivas no mercado de crédito. A iniciativa é conduzida pela promotora de Justiça Joseane Suzart, que argumenta que a fintech “não vem cumprindo o dever de informar e alertar aos consumidores sobre os riscos relacionados à concessão de crédito”.

Segundo a denúncia, o modelo de concessão de crédito da instituição pode contribuir para o superendividamento de clientes de boa-fé, violando o princípio da transparência e normas previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Leia mais: MP-BA processa Nubank por práticas abusivas de crédito

Condutas questionadas pelo MP-BA

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Na ação, o Ministério Público elenca uma série de condutas consideradas irregulares, como:

  • Oferta de produtos e serviços sem autorização prévia do cliente;
  • Ausência de informações claras sobre riscos, taxas e juros aplicados;
  • Disponibilização de empréstimos não solicitados;
  • Cobranças indevidas por compras contestadas;
  • Parcelamentos realizados sem a anuência do consumidor;
  • Imposição de serviços não contratados;
  • Exigência de pagamento de prestações já quitadas.

De acordo com Suzart, “alguns clientes foram submetidos ao pagamento de dívidas sem sequer terem solicitado ou autorizado o referido numerário, muito menos ter acesso ao montante supostamente disposto pela instituição financeira”.

Falhas na renegociação de dívidas

Outro ponto levantado pelo MP-BA diz respeito à ausência de mecanismos adequados de renegociação. A promotoria afirma que o Nubank não disponibiliza opções claras de amortização e quitação antecipada, como determina a legislação.

“A concessão irresponsável de crédito promovida pela instituição financeira tem causado o superendividamento de pessoas físicas de boa-fé”, destacou Suzart.

Tentativa de acordo rejeitada pelo Nubank

Antes de mover a ação, o MP-BA chegou a propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ao Nubank. A instituição, no entanto, não demonstrou interesse em firmar o acordo, o que levou o caso à Justiça.

Na ação, o Ministério Público pede que o banco seja obrigado a:

  • Cumprir o dever de informação sobre todas as operações de crédito;
  • Avaliar de forma responsável as condições financeiras dos clientes, usando dados de proteção ao crédito;
  • Disponibilizar opções de amortização e quitação antecipada “total ou parcial, mediante a redução proporcional dos juros e demais acréscimos, sem cobrança de tarifas”;
  • Oferecer condições de renegociação que evitem juros excessivos e parcelamentos desvantajosos;
  • Não praticar aumento injustificado de preços;
  • Melhorar a qualidade do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Posição oficial do Nubank

Em resposta ao site Bahia Notícias, o Nubank contestou as acusações do MP-BA e afirmou seguir “com rigor” todas as normas legais e de defesa do consumidor.

Segundo a nota, “o Nubank atua com ampla transparência e didatismo, oferece taxas de juros competitivas e programas robustos de quitação e renegociação de dívidas — e a instituição tem o melhor atendimento ao cliente no país, de acordo com o ranking de reclamações do Banco Central”.

A fintech acrescentou que:

  • As regras de crédito são apresentadas de forma clara no aplicativo;
  • Os valores só são liberados após a contratação pelo cliente;
  • O NuScore oferece transparência sobre o perfil de crédito dos usuários;
  • Todos os clientes têm a possibilidade de antecipar parcelas e quitar dívidas de forma digital;
  • A empresa realiza ações de renegociação frequentes, como a mais recente em abril, que ofereceu descontos de até 99% a mais de 6 milhões de clientes.

O Nubank também destacou seu histórico de reconhecimento no atendimento ao consumidor:

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“O Nubank ocupa a melhor posição no ranking de reclamações do Banco Central há quatro trimestres consecutivos, é campeão há oito anos no Prêmio Reclame Aqui na categoria Bancos e Cartões Digitais – Megaoperações, e detém o selo RA 1000, conferido às empresas com atendimento de excelência”.

O que está em jogo para os consumidores

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Imagem: Freepik e Canva

A ação do MP-BA coloca em discussão um tema sensível: a responsabilidade das instituições financeiras na concessão de crédito.

Especialistas em defesa do consumidor apontam que a facilidade de acesso a empréstimos, aliada à falta de informações claras, pode levar famílias ao superendividamento. O risco é ainda maior em um cenário de alta da inadimplência no Brasil.

Caso a Justiça acate os pedidos do Ministério Público, o Nubank poderá ser obrigado a rever parte de suas políticas de crédito e renegociação.

Superendividamento e a lei no Brasil

O debate sobre práticas abusivas de crédito ganhou força após a entrada em vigor da Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021), que alterou o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto do Idoso.

A norma estabelece que bancos e financeiras têm o dever de avaliar a capacidade de pagamento dos consumidores antes de conceder crédito, além de fornecer informações transparentes sobre juros e condições de parcelamento.

Também prevê medidas de proteção ao “mínimo existencial” — ou seja, o valor básico necessário para a subsistência digna do devedor e de sua família.

Com informações de: Bahia Notícias

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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