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Contas de água e luz grátis? Governo define critérios e quem tem direito

Governo Lula apresenta medida provisória que isenta a conta de luz para até 60 milhões de brasileiros com consumo de até 80 kWh.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Imagem de uma mão tocando na água que sai de uma torneira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, devem apresentar oficialmente nesta quarta-feira (21) uma medida provisória (MP) com impacto direto na vida de milhões de brasileiros: a isenção do pagamento de energia elétrica para famílias de baixa renda. A proposta, que será levada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende beneficiar até 60 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O anúncio acontece em meio à proposta de uma ampla reforma do setor elétrico, que vem sendo discutida internamente pelo governo federal há vários meses. A medida busca reduzir desigualdades no acesso à energia e aliviar o orçamento de famílias que estão inscritas em programas sociais, além de preparar o país para um novo modelo de consumo energético.

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Imagem: Elena Kulygina / Shutterstock.com

Medida provisória entra em vigor imediatamente, mas precisa de aprovação no Congresso

Por se tratar de uma medida provisória, o texto terá validade imediata após a sua publicação no Diário Oficial da União. No entanto, para que continue em vigor, precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal em até 120 dias. Caso não seja votada dentro desse prazo, a medida perde automaticamente a validade.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, será uma das responsáveis pela articulação no Congresso, ao lado dos líderes do governo. A expectativa é que o Palácio do Planalto se mobilize para garantir que a proposta avance sem grandes alterações.

Quem terá direito à isenção da conta de luz?

A proposta prevê isenção total na fatura de energia elétrica para consumidores com baixo consumo mensal (até 80 kWh) e que se enquadrem em requisitos sociais específicos. São eles:

  • Famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa;
  • Idosos e pessoas com deficiência que recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC);
  • Famílias indígenas ou quilombolas registradas no CadÚnico.

Essa parcela da população já conta com algum nível de subsídio nas tarifas de energia, mas com a nova medida, passaria a ter isenção total da conta, desde que mantenha o consumo mensal dentro do limite estabelecido.

O que é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e como será afetada?

Outro ponto da medida provisória é a isenção da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para famílias do CadÚnico que recebem entre meio e um salário mínimo por mês. Essa conta é um encargo cobrado na conta de luz para financiar subsídios e políticas públicas do setor elétrico.

Atualmente, todos os consumidores pagam a CDE, independentemente da faixa de renda. Com a proposta do governo, parte da população de baixa renda será dispensada de arcar com esse custo, reduzindo ainda mais o valor final das suas faturas.

A partir de 2026, consumidores poderão escolher a origem da sua energia

Open Energy
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A medida também prevê que, a partir de janeiro de 2026, os consumidores de baixa tensão, como residências e pequenos comércios, poderão escolher a fonte da energia elétrica que consomem. Essa abertura de mercado permitirá que cidadãos contratem diretamente energia de fontes renováveis, como solar e eólica.

Essa mudança se alinha com a tendência mundial de democratização do mercado de energia, atualmente restrito às grandes empresas e consumidores industriais. Ao abrir o mercado também para residências e pequenos estabelecimentos, o governo aposta na diversificação das fontes energéticas, no estímulo à sustentabilidade e no fortalecimento da concorrência no setor.

Por que a medida é considerada estratégica?

A proposta de Lula surge em um momento de reorganização das prioridades sociais e econômicas do governo. A isenção na conta de luz para os mais vulneráveis reforça o compromisso com a redução da pobreza energética — um problema silencioso que afeta milhões de famílias brasileiras.

Impacto social direto

Estudos apontam que em algumas regiões do país, famílias de baixa renda comprometem mais de 15% do orçamento mensal com gastos com energia elétrica. Ao zerar a conta desses consumidores, o governo cria um alívio imediato no orçamento doméstico e contribui para a dignidade e qualidade de vida dessa população.

Benefício indireto para a economia

Com maior disponibilidade de renda, os beneficiários da medida poderão consumir outros produtos e serviços, gerando efeito multiplicador na economia local. Além disso, a proposta pode reduzir a inadimplência nas contas de energia, um problema crescente entre consumidores de baixa renda.

Os custos da medida e as fontes de financiamento

Ainda não foram divulgados os valores exatos que o governo deverá investir para custear essa isenção. No entanto, estima-se que o impacto financeiro possa ser elevado, especialmente considerando que o número de beneficiários pode chegar a até 60 milhões de pessoas.

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Como o governo pretende financiar a proposta?

Uma das alternativas discutidas nos bastidores envolve o uso de recursos do próprio setor elétrico, como ajustes na distribuição dos encargos da CDE para os consumidores de maior renda e grandes empresas. Outra possibilidade seria a realocação de verbas do orçamento federal destinadas a programas sociais e de infraestrutura.

Especialistas defendem que a proposta deve ser acompanhada de um plano de compensação financeira para as distribuidoras, que deixarão de receber o valor de parte das faturas, para não comprometer a saúde financeira das concessionárias e nem encarecer ainda mais as tarifas para os demais consumidores.

O papel de Davi Alcolumbre na tramitação da MP

A presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no lançamento da MP é estratégica. Caberá a ele designar o relator da medida provisória e conduzir as negociações iniciais no Congresso. A relação política entre o Executivo e o Legislativo será crucial para garantir que a proposta avance com celeridade e sem grandes resistências.

Nos bastidores, há expectativa de que o apoio de Alcolumbre represente um sinal positivo ao governo, especialmente em um momento em que o Planalto precisa recompor a base aliada no Senado.

Quais os próximos passos após a publicação da MP?

  1. Publicação no Diário Oficial da União: a MP entra em vigor imediatamente após a publicação.
  2. Envio ao Congresso Nacional: o texto será analisado por uma comissão mista (deputados e senadores).
  3. Relatoria e emendas: parlamentares poderão sugerir alterações na MP.
  4. Votação na Câmara e no Senado: prazo de 120 dias para aprovação.
  5. Transformação em lei definitiva: se aprovada, passa a integrar o ordenamento jurídico.

Críticas e desafios

conta de luz
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Apesar do impacto social positivo, a medida já enfrenta críticas de parte do setor elétrico, que teme desequilíbrio na arrecadação das distribuidoras. Há também dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da proposta em médio e longo prazo.

Alguns especialistas alertam para o risco de que o subsídio cruzado — quando um grupo de consumidores paga mais para compensar o benefício de outro — possa onerar as tarifas para as classes médias e altas. O governo, por sua vez, afirma que está desenvolvendo mecanismos para mitigar esse risco.

Imagem: Maridav / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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