O governo federal editou uma Medida Provisória (MP) que modifica significativamente a estrutura de cargos da Receita Federal, gerando um impacto fiscal anual estimado em R$ 12,9 milhões a partir de 2026.
Nova medida do governo altera cargos na Receita e custa R$ 12,9 milhões ao ano
Saiba como a nova medida do governo altera cargos na Receita Federal. Entenda o impacto financeiro da mudança!
A ação foi anunciada como parte de um pacote para equilibrar as contas públicas, após o recuo no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A medida transforma 1.821 funções gratificadas (FGs), exclusivas da Receita, em funções comissionadas executivas (FCEs), alinhando a estrutura da Receita à dos demais órgãos da administração pública federal.
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Entenda a transformação de cargos

O que são funções gratificadas e comissionadas?
As funções gratificadas (FGs) são cargos de confiança atribuídos a servidores efetivos, com remuneração adicional. Já as funções comissionadas executivas (FCEs) seguem um novo modelo de padronização adotado pelo governo, com estrutura e valores mais uniformes em toda a administração pública direta.
Por que essa mudança está acontecendo?
Segundo o governo, a alteração busca padronizar os cargos em comissão dentro da administração pública federal, promovendo maior racionalidade na distribuição dos níveis remuneratórios. Atualmente, a Receita Federal é o único órgão que ainda mantém funções gratificadas, criando um desequilíbrio em relação às demais entidades federais.
“Com isso, a Administração federal passa a contar com uma organização única de cargos em comissão, funções de confiança e gratificações”, afirma o texto da MP.
Custo da mudança para os cofres públicos
Projeções orçamentárias
- R$ 6,9 milhões de impacto já em 2025;
- R$ 12,9 milhões por ano a partir de 2026.
Segundo a exposição de motivos da MP, os créditos orçamentários já estão disponíveis para absorver o custo, o que indica que não haverá necessidade de corte em outras áreas no curto prazo.
Contexto político e administrativo
Greve dos servidores da Receita
A medida chega em meio à greve de servidores da Receita Federal, que reivindicam reajustes salariais e melhores condições de trabalho. O governo nega que a medida seja uma resposta direta à paralisação, mas especialistas veem o gesto como uma tentativa de apaziguar os ânimos internos da categoria, responsável por parte relevante da arrecadação nacional.
Articulação com outras medidas econômicas
A MP que altera os cargos da Receita foi inserida no mesmo pacote legislativo que trata da compensação pela revogação do aumento do IOF. O movimento indica uma tentativa do governo de equilibrar as contas públicas sem elevar a carga tributária diretamente sobre a população.
Quais órgãos foram excluídos da mudança?
Segundo o texto da medida, alguns órgãos permanecem fora da nova estrutura de cargos, devido à sua natureza especial. São eles:
- Agências Reguladoras;
- Instituições Federais de Ensino;
- Banco Central do Brasil.
Essas entidades continuarão utilizando estruturas próprias, em função de suas peculiaridades operacionais e regulatórias.
Próximos passos: o que falta para a medida entrar em vigor?
Apesar de a medida provisória já estar em vigor de forma imediata, a efetivação plena da mudança depende da publicação de um decreto que altere oficialmente a estrutura do Ministério da Fazenda. Este é o passo necessário para regulamentar a nova organização de cargos e permitir sua aplicação prática.
Repercussão entre especialistas
Avaliação jurídica
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Especialistas em direito administrativo apontam que a medida corrige uma assimetria existente há anos na estrutura do funcionalismo público federal, mas ressaltam a importância de um debate mais amplo sobre a eficiência e o impacto fiscal da transformação.
Visão dos economistas
Do ponto de vista econômico, o custo anual de R$ 12,9 milhões é considerado baixo em relação ao orçamento total da União, mas ainda assim levanta questionamentos sobre a prioridade na alocação de recursos diante de outros desafios, como saúde, educação e segurança pública.
Comparação com outras estruturas federais
| Órgão/Entidade | Tipo de Função Atual | Participa da Nova MP? |
|---|---|---|
| Receita Federal | Função Gratificada (FG) | Sim |
| Ministérios diversos | Função Comissionada (FCE) | Sim |
| Agências Reguladoras | Estrutura própria | Não |
| Universidades Federais | Estrutura própria | Não |
| Banco Central | Estrutura própria | Não |
Críticas e apoio político

Apoio
Parlamentares ligados à base do governo argumentam que a medida é uma etapa necessária da reforma administrativa silenciosa que o Executivo vem tentando implementar, promovendo maior eficiência e coesão interna.
Críticas
Por outro lado, opositores questionam o timing da medida, alegando que o governo deveria priorizar ações com impacto direto na população e não atender a demandas corporativas no meio de uma greve.
O que isso significa para o futuro da administração pública?
A transformação das funções gratificadas em comissionadas pode servir como modelo para outras reformas administrativas, abrindo caminho para:
- Redução de disparidades entre órgãos;
- Maior controle sobre remunerações;
- Agilidade na reorganização de equipes técnicas.
No entanto, o sucesso da mudança dependerá da transparência na implementação e da fiscalização do impacto orçamentário a longo prazo.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
