Na noite de quarta-feira (27), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou mudanças significativas nas regras do abono salarial (PIS/Pasep) em pronunciamento oficial. A principal alteração envolve a redução do limite de renda para quem tem direito ao benefício.
Mudança no PIS/Pasep: Governo propõe novas regras de acesso ao abono
Governo propõe novas regras para o PIS/Pasep com alteração no limite de renda. Entenda as mudanças e como elas impactam o abono salarial.
Essa modificação faz parte de um pacote de medidas fiscais que visam ajustar as finanças públicas. A seguir, abordaremos os detalhes das novas regras e o impacto dessa mudança nos trabalhadores brasileiros.
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Mudanças no Limite de Renda para o Abono Salarial

O novo limite de renda para ter direito ao PIS/Pasep será de até R$ 2.640 por mês. Essa alteração representa uma redução no teto anterior, que estava fixado em dois salários mínimos (R$ 2.824).
A medida faz parte de um esforço do governo para ajustar as contas públicas, mas gerou controvérsias, principalmente entre os trabalhadores que perderão o direito ao benefício.
A promessa do governo é de que esse valor de R$ 2.640 será ajustado anualmente de acordo com a inflação, e quando alcançar o equivalente a um salário mínimo e meio, ou seja, R$ 2.118, será considerado o valor definitivo para o benefício. Esse valor poderá ser mantido permanentemente, com atualizações anuais pela inflação.
Proposta de Isenção de Imposto de Renda para Menores Rendas
Como parte do pacote de medidas compensatórias, o governo propôs a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Essa proposta visa atenuar o impacto da redução no valor do abono salarial, beneficiando trabalhadores de faixas salariais mais baixas.
Essa isenção é uma forma de minimizar o efeito das mudanças no PIS/Pasep, especialmente entre aqueles que, embora ganhem um pouco mais, ainda se encontram em uma situação financeira delicada.
Regras para Receber o Abono Salarial
Para ter direito ao abono, o trabalhador precisa atender a alguns requisitos básicos, que não sofrerão alterações imediatas. Entre as exigências estão:
- Cadastro no PIS/Pasep ou CNIS: O trabalhador deve estar inscrito no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) ou no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.
- Tempo de Trabalho: O trabalhador precisa ter exercido atividade remunerada por no mínimo 30 dias no ano-base (2022).
- Renda Mensal: A média salarial no ano-base (2022) não pode ultrapassar o limite de dois salários mínimos (R$ 2.824), que até este ano era o critério para concessão do benefício.
Além disso, o trabalhador deve garantir que os dados informados pelos empregadores na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) ou no eSocial estejam corretos.
Impactos da Redução do Limite de Renda
A medida de redução do limite de renda para o PIS/Pasep foi recebida com críticas, especialmente por reduzir o número de trabalhadores elegíveis ao abono salarial.
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Segundo o governo, a alteração faz parte de um esforço para tornar o sistema de benefícios mais justo e direcionado a quem mais precisa, mas especialistas questionam se a medida não irá impactar negativamente milhões de pessoas que estavam recebendo o benefício até este ano.
O Abono Salarial em Números

Até agosto de 2024, aproximadamente 24,87 milhões de trabalhadores brasileiros foram beneficiados com o abono salarial.
Desses, 21,98 milhões receberam o PIS, pago pela Caixa Econômica Federal aos trabalhadores da iniciativa privada, enquanto 2,89 milhões receberam o Pasep, destinado aos servidores públicos e pago pelo Banco do Brasil. O valor do abono variou entre R$ 118,00 e R$ 1.412,00, dependendo dos meses trabalhados no ano-base de 2022.
O Futuro do Abono Salarial e da Reforma Fiscal
As novas regras do PIS/Pasep ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional. Caso as mudanças sejam ratificadas, o governo afirma que o objetivo é garantir maior foco nos trabalhadores de baixa renda, ao mesmo tempo em que mantém o sistema financeiramente sustentável.
Contudo, é importante que as novas regras também contemplem medidas que realmente auxiliem os trabalhadores que perderão o direito ao abono com o novo limite de renda.
Imagem: Valter Campanato/ Agência Brasil
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