Nos últimos meses, a concessão de crédito para compra de imóveis usados com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) teve uma queda drástica, especialmente no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, houve uma diminuição de até 85% nos financiamentos de imóveis usados, refletindo as recentes mudanças nas regras de acesso ao crédito habitacional.
FGTS: Financiamentos despencam mais de 80% e novas regras preocupam
As recentes mudanças nas regras de financiamento de imóveis usados com recursos do FGTS afetaram a concessão de crédito, saiba mais sobre!
Essas alterações, que buscam priorizar os lançamentos de imóveis novos em detrimento dos usados, tiveram um grande impacto nos financiamentos, afetando principalmente as famílias que dependem do FGTS para realizar o sonho da casa própria.
A queda nas concessões de crédito

Em agosto de 2024, as concessões para compra de imóveis usados dentro do MCMV somaram R$ 2,8 bilhões, o maior valor desde o início de 2023. No entanto, essa cifra despencou em outubro, com um recuo de 85%, totalizando apenas R$ 423 milhões. O número de unidades financiadas também foi reduzido drasticamente, passando de 18 mil para 3.114. Para o segmento de imóveis usados no Pró-Cotista, voltado para a classe média alta, a queda foi ainda mais significativa. De maio a outubro, o financiamento caiu de R$ 263 milhões para R$ 5 milhões, uma redução de 98%.
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Alterações nas regras do Minha Casa Minha Vida
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem promovido uma série de ajustes nas regras de financiamento de imóveis usados com recursos do FGTS. O programa Minha Casa Minha Vida, que visa garantir moradia para famílias de baixa e média renda, foi reformulado para dar prioridade aos imóveis novos. A partir das novas regras, as famílias com renda de até R$ 8 mil podem financiar imóveis de até R$ 350 mil, e quem ganha mais do que esse valor pode optar pelo Pró-Cotista, que permite financiar imóveis de até R$ 1,5 milhão.
O impacto do FGTS no financiamento habitacional
Nos últimos anos, o uso do FGTS para financiar imóveis usados cresceu consideravelmente. Em 2023, 29,32% de todo o crédito liberado pelo FGTS foi destinado à compra de imóveis usados, mais do que o dobro de 2022. No entanto, esse aumento também gerou desconforto entre as construtoras, que preferem que os recursos sejam direcionados para novos empreendimentos. Como resultado, o governo federal decidiu adotar uma abordagem mais restritiva, limitando o uso do FGTS para imóveis usados, especialmente para as famílias de renda mais alta.
As novas limitações para financiamento de imóveis usados
Uma das mudanças mais significativas foi a imposição de um limite para o valor dos imóveis usados que podem ser financiados. Agora, na faixa 3 do MCMV, que atende famílias com renda de até R$ 8 mil, o teto do imóvel caiu de R$ 350 mil para R$ 270 mil. Além disso, as condições de entrada para a compra de imóveis usados foram alteradas. Nas regiões Sul e Sudeste, é exigido um pagamento inicial de 50% do valor do imóvel, enquanto nas demais regiões esse percentual foi fixado em 30%.
O foco nas moradias novas e as críticas ao programa
Com a diminuição da fatia de imóveis usados dentro do financiamento habitacional, o governo também aumentou a pressão sobre a construção de novas moradias. A política pública voltada para a construção de imóveis novos foi intensificada, com a redução de recursos para a compra de imóveis usados. Esse movimento busca reduzir o déficit habitacional do país e estimular o mercado da construção civil, beneficiando as grandes construtoras, que enfrentaram dificuldades devido à crescente demanda por imóveis usados.
A estratégia de controle do orçamento do FGTS
O governo também implementou um controle mais rigoroso sobre o orçamento destinado ao financiamento de imóveis usados. O limite estabelecido para o FGTS foi reduzido para R$ 13,3 bilhões, uma medida que visa controlar o impacto no mercado habitacional e equilibrar os interesses dos diversos envolvidos, como as construtoras e os beneficiários do programa. Essa mudança foi recebida com críticas de diversos setores, principalmente aqueles que defendem o uso mais amplo do FGTS para garantir a aquisição de imóveis para as classes mais baixas.
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Mudanças nos sistemas de financiamento
A partir de 1º de novembro de 2024, novas mudanças entraram em vigor nos sistemas de financiamento para imóveis de até R$ 1,5 milhão, que operam por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Essas mudanças envolvem o aumento das entradas exigidas para os financiamentos. Para o Sistema de Amortização Constante (SAC), a entrada subirá de 20% para 30% do valor do imóvel, enquanto no sistema Price, em que as parcelas são fixas, o valor da entrada passará de 30% para 50%.
A situação das famílias de baixa renda
Enquanto o mercado imobiliário busca se ajustar às novas regras de financiamento, as famílias de baixa renda enfrentam desafios para acessar o crédito habitacional. Embora o Minha Casa Minha Vida continue sendo uma das principais fontes de financiamento, a redução de recursos e as novas exigências de entrada tornaram mais difícil a compra de imóveis usados, que eram uma opção acessível para muitas dessas famílias.
Perspectivas para o futuro do crédito habitacional
Com a diminuição da participação dos imóveis usados no financiamento habitacional, o futuro do crédito do FGTS parece estar cada vez mais voltado para os imóveis novos. No entanto, essa mudança pode ter consequências no longo prazo, principalmente para as famílias que dependem dos recursos do fundo para adquirir sua casa própria.
O mercado imobiliário, por sua vez, deve continuar a se adaptar às novas regras, com foco em novos lançamentos e em estratégias para manter a oferta de imóveis compatíveis com a realidade econômica do país. O impacto dessas mudanças nas classes mais baixas e na classe média alta, que depende do FGTS e do Pró-Cotista, é uma questão que ainda precisa ser acompanhada de perto para entender suas consequências no acesso à moradia e na estabilidade do mercado habitacional.

Essa abordagem do financiamento habitacional no Brasil evidencia as complexas interações entre políticas públicas, recursos do FGTS e o mercado imobiliário, e como as mudanças nas regras podem afetar diferentes faixas de renda e a construção de novas moradias. O governo, ao implementar essas modificações, busca equilibrar o orçamento do FGTS, mas os desafios enfrentados pelas famílias de baixa renda e pela classe média alta são um reflexo de uma política habitacional em constante transformação.
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