Com o objetivo de reequilibrar as contas públicas, o governo federal apresentou no pacote de ajuste fiscal mudanças nos critérios de cálculo da renda pessoal e familiar para os solicitantes do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Cálculo de renda do BPC vai passar por grande mudança; veja como vai funcionar
Governo propõe alterações no BPC, afetando o cálculo de renda e potencialmente restringindo o acesso ao benefício.
O auxílio, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda, equivale a um salário mínimo. Todas as mudanças ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.
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O que muda nos critérios de renda
Inclusão de outros benefícios no cálculo
Atualmente, para ter direito ao BPC, a família deve ter uma renda per capita de, no máximo, 25% do salário mínimo, o que corresponde a R$ 353 mensais. Pela lei aprovada em 2020, benefícios como o próprio BPC ou aposentadoria não são computados no cálculo da renda familiar. No entanto, o novo projeto revoga essa autorização, passando a incluir novamente esses valores na apuração da renda.
Consideração de parentes fora do domicílio
Outra mudança proposta é a inclusão de parentes que não moram sob o mesmo teto no cálculo da renda familiar. Se a pessoa que solicita o BPC recebe ajuda financeira de pais, filhos ou irmãos que não residem na mesma casa, esses familiares serão considerados na composição da renda, desde que a renda per capita deles não fique inferior a um salário mínimo após a ajuda.
Impacto das mudanças para os beneficiários
Perda de direito ao benefício
Com as novas regras, será necessário somar a renda do solicitante com a daqueles que moram com ele e dos familiares que o auxiliam financeiramente. Essa soma será dividida pelo número total de pessoas. Se o resultado superar 25% do salário mínimo, o requerente perderá o direito ao BPC.
Exemplo prático
Por exemplo, um idoso de 65 anos que mora sozinho e recebe ajuda financeira de um filho que não reside com ele terá a renda desse filho considerada no cálculo. Se, após a soma e divisão, a renda per capita ultrapassar R$ 353, o idoso não terá mais direito ao benefício.
Justificativas do governo
O governo argumenta que as mudanças são necessárias para reequilibrar as contas públicas e direcionar os recursos para quem realmente necessita. A expectativa é reduzir os gastos com o BPC, que têm um impacto significativo no orçamento federal.
Ajuste fiscal e responsabilidade financeira
As medidas fazem parte de um pacote mais amplo de ajuste fiscal, que busca diminuir o déficit público e garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo. Ao redefinir os critérios de elegibilidade, o governo espera otimizar a alocação dos recursos.
Críticas e preocupações

Possível aumento da vulnerabilidade social
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Especialistas e entidades de defesa dos direitos sociais expressaram preocupações de que as mudanças possam aumentar a vulnerabilidade de idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Ao restringir o acesso ao BPC, muitas pessoas que dependem do benefício para sobreviver podem ficar desassistidas.
Debate no congresso nacional
As propostas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional, onde deverão ser objeto de intenso debate. Parlamentares de oposição e organizações da sociedade civil já manifestaram intenção de contestar as mudanças, argumentando que elas prejudicam os mais pobres.
Próximos passos
Tramitação legislativa
O projeto será analisado pelas comissões pertinentes e, posteriormente, pelo Plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emendas e alterações podem ser propostas durante esse processo.
Importância da participação social
A sociedade civil é incentivada a acompanhar a tramitação e participar dos debates, seja por meio de audiências públicas ou manifestações aos parlamentares, para assegurar que as mudanças não afetem negativamente os mais vulneráveis.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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