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Alerta do BC: usuários da poupança da Caixa precisam ficar atentos a esta mudança

Banco Central altera cálculo da poupança, impactando rendimento na Caixa, BB e Itaú. Mudança afeta crédito imobiliário e data de aniversário dos depósitos.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Poupança

Em 30 de julho, o Banco Central do Brasil emitiu um comunicado oficial que altera profundamente a forma como a poupança é remunerada nas principais instituições financeiras do país, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander. As mudanças passam a impactar diretamente os rendimentos mensais da poupança, atingindo milhões de brasileiros que ainda mantêm valores depositados nesse tipo de conta.

A decisão ocorre em meio a uma crise prolongada no setor, marcada por saques líquidos consecutivos e queda de atratividade diante de outras aplicações mais rentáveis, como os CDBs e fundos de renda fixa.

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O que muda no cálculo da remuneração

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Imagem: Drazen Zigic / Freepik

Cálculo atual da poupança

A caderneta de poupança no Brasil tem suas regras de rendimento definidas por lei e, tradicionalmente, segue dois critérios: a Taxa Referencial (TR) e a taxa Selic.

O rendimento da poupança hoje é composto por:

  • Remuneração básica: 0,5% ao mês, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano;
  • Remuneração variável: 70% da Selic, caso esta esteja em 8,5% ou abaixo;
  • A TR, que atualmente está próxima de zero, é adicionada a ambos os modelos.

Com a Selic atualmente em 10,25% ao ano (em agosto de 2025), a regra vigente ainda favorece o modelo de 0,5% ao mês + TR. No entanto, o novo sistema anunciado pelo Banco Central introduz mudanças na periodicidade de cálculo, baseado na data de aniversário dos depósitos.

A importância da data de aniversário na nova regra

Alteração na data de referência

O comunicado destaca que os depósitos feitos nos dias 29, 30 e 31 passam a ter o dia 1º do mês seguinte como marco para cálculo de rendimentos. Isso significa que o valor depositado só começará a render a partir dessa data, o que pode causar reduções nos ganhos mensais, especialmente para os clientes que movimentam a conta com frequência ou fazem aportes próximos ao final do mês.

A medida tem o objetivo de uniformizar o sistema e permitir maior previsibilidade, mas afeta negativamente quem conta com o rendimento tradicional da poupança no início do mês seguinte.

Crise e esvaziamento da poupança

Saques líquidos sucessivos

Nos últimos anos, a caderneta de poupança vem sendo seriamente afetada por saques líquidos constantes, provocados pela alta da inflação, aumento do desemprego e menor rentabilidade em comparação a outras aplicações.

Dados preocupantes

Segundo dados do próprio Banco Central:

  • Em 2023, a poupança teve saída líquida de R$ 87,8 bilhões;
  • Já em 2024, o volume de saques superou os depósitos em R$ 102,4 bilhões, maior valor desde o início da série histórica.

Esse cenário levou o BC a buscar alternativas para manter o sistema sustentável, especialmente porque os depósitos em poupança são a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário no Brasil, especialmente para programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Estratégias do Banco Central para o setor

Poupança
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Estudo sobre os compulsórios

Entre as alternativas em estudo, está a redução da taxa de compulsórios, atualmente fixada em 20% sobre os depósitos à vista. Com essa mudança, o Banco Central poderá liberar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões para o sistema financeiro, com destino preferencial para o setor de habitação.

Essa iniciativa busca aliviar a pressão sobre os bancos, permitindo que mais recursos sejam destinados a financiamentos de longo prazo.

Novo modelo de financiamento

O BC também sinalizou a criação de um novo modelo de financiamento habitacional, com critérios de remuneração ajustados à realidade atual do mercado. A meta é atrair investidores institucionais e incentivar o uso de instrumentos complementares, como:

  • Letra Imobiliária Garantida (LIG);
  • Fundos de Investimento Imobiliário (FII);
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Com isso, o governo tenta reduzir a dependência exclusiva da poupança para financiar o setor e diversificar as fontes de recursos.

Impacto nos principais bancos

Caixa Econômica Federal

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A Caixa, que detém mais de 30% dos depósitos de poupança do país, já sinalizou internamente a necessidade de ajustes nos processos internos de cálculo e comunicação com os clientes. A instituição também está reavaliando sua estratégia de financiamento habitacional.

Banco do Brasil e Itaú

Esses dois bancos também estão monitorando de perto os efeitos das novas regras. O Itaú, que vem incentivando a migração de clientes da poupança para CDBs com liquidez diária, poderá aproveitar o momento para reforçar seu portfólio de investimentos. Já o Banco do Brasil estuda criar novos produtos atrelados ao crédito habitacional, como fundos exclusivos para o setor.

O que o cliente pode fazer?

Recomendações para poupadores

Diante das mudanças, os poupadores precisam reavaliar suas estratégias de investimento. Especialistas recomendam que os brasileiros:

  • Verifiquem a data de aniversário dos depósitos;
  • Considerem migrar parte dos valores para produtos de renda fixa com maior rentabilidade;
  • Avaliem o uso de CDBs, Tesouro Direto ou fundos de investimento conservadores;
  • Façam simulações e comparações periódicas entre opções de aplicação.

Exemplos de simulações

AplicaçãoRentabilidade média atual (ao ano)Liquidez
Poupança6,17% (Selic > 8,5%)D+0
CDB10% a 11%D+1
Tesouro Selic10,25%D+1

Repercussão entre economistas

Poupança
Imagem: pch.vector – Freepik

Opiniões técnicas sobre a mudança

Economistas veem com cautela e pragmatismo a decisão do Banco Central. Segundo a economista-chefe da consultoria MB Associados, Juliana Damasceno, “a medida é tecnicamente válida e necessária, mas pode gerar ruído político, especialmente por afetar um público que usa a poupança como principal meio de reserva”.

O professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha, acrescenta que “o momento é oportuno para modernizar o sistema, mas exige educação financeira para que a população entenda as vantagens e desvantagens dos novos produtos”.

Considerações finais

Novo capítulo para a poupança

As mudanças anunciadas pelo Banco Central marcam um novo capítulo na história da poupança no Brasil, com impactos diretos na vida de milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo em que busca manter o crédito habitacional funcionando, a instituição impõe um desafio aos poupadores: revisar velhos hábitos e buscar alternativas mais rentáveis.

A depender da forma como os bancos e o próprio governo comunicarem e implementarem essas alterações, o Brasil poderá migrar para um cenário de investimentos mais conscientes e menos dependentes da tradicional caderneta de poupança.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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