Protestos nas ruas, ações violentas, falta de diálogo por parte do governo com o povo. Isso tudo poderia ser em um Brasil recente, mas está acontecendo nas ruas da França, em Paris.
A reforma da previdência, aprovada sem votação, que aumenta em dois anos a idade para se aposentar, levou milhares de pessoas às ruas.
O presidente Emmanuel Macron demorou a se manifestar sobre o projeto de lei, colocando à frente a primeira-ministra Élisabeth Borne. Fato que também desagradou os franceses.
O Senado francês aprovou no início do mês o principal artigo do projeto — o aumento da idade para se aposentar e o aumento dos anos de contribuição para o acesso à pensão integral.
Assim, as novas medidas já vão entrar em vigor a partir de setembro deste ano, até alcançar a idade proposta pelo projeto, em 2030.
Medida antipopular, mas necessária para a previdência
Em entrevista à TV France 2, o presidente disse não ter nenhum prazer em fazer a reforma, mas que se trata de uma necessidade financeira:
“Há uma questão demográfica que coloca o sistema previdenciário em desequilíbrio. Hoje temos 17 milhões de aposentados e, em 2030, teremos 20 milhões. Vocês acham que conseguiremos manter o mesmo sistema?”.
Macron ressaltou que prefere ser visto como impopular do que ser irresponsável com o país. A reforma da previdência eleva a idade para aposentadoria de 62 para 64 anos, até 2030.
E aumenta em um ano, de 42 para 43 anos, o tempo de contribuição para ter acesso à pensão integral, a partir de 2027.
Protestos violentos
O tom dos protestos foi elevado após a reforma da previdência ser aprovada através de um dispositivo presente na Constituição, que permite aprovação de projetos de lei apresentados pelo governo sem a necessidade de passar pela aprovação parlamentar.
A estratégia do governo foi vista como antidemocrática e o número de pessoas nas ruas aumentou. Desde terça-feira (21), os protestos acontecem na Place de la République, parte central da capital francesa.
Projéteis foram lançados por parte dos manifestantes e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. Além dos atos nas ruas, Macron relatou que parlamentares estão sendo ameaçados e que seus escritórios foram pichados e apedrejados. A casa de um senador teve a energia cortada.
O presidente comparou os atos praticados na França com a invasão ao Capitólio, nos EUA, e com a invasão à Praça dos Três Poderes, no Brasil, em janeiro deste ano.
Imagem: EricBery / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Social
