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Mudanças na previdência entrarão em vigor antes do fim do ano

Mesmo com protestos violentos nas ruas, reforma da previdência foi aprovada sem votação e entrará em vigor a partir de setembro.

Fernanda CadavalPor Fernanda Cadaval3 min de leitura
imagem de pessoas se manifestando na França contrarias à reforma da previdência, enquanto levantam bandeiras da França.

Protestos nas ruas, ações violentas, falta de diálogo por parte do governo com o povo. Isso tudo poderia ser em um Brasil recente, mas está acontecendo nas ruas da França, em Paris.

A reforma da previdência, aprovada sem votação, que aumenta em dois anos a idade para se aposentar, levou milhares de pessoas às ruas.

O presidente Emmanuel Macron demorou a se manifestar sobre o projeto de lei, colocando à frente a primeira-ministra Élisabeth Borne. Fato que também desagradou os franceses.

O Senado francês aprovou no início do mês o principal artigo do projeto — o aumento da idade para se aposentar e o aumento dos anos de contribuição para o acesso à pensão integral.

Assim, as novas medidas já vão entrar em vigor a partir de setembro deste ano, até alcançar a idade proposta pelo projeto, em 2030.

Medida antipopular, mas necessária para a previdência

Em entrevista à TV France 2, o presidente disse não ter nenhum prazer em fazer a reforma, mas que se trata de uma necessidade financeira:

“Há uma questão demográfica que coloca o sistema previdenciário em desequilíbrio. Hoje temos 17 milhões de aposentados e, em 2030, teremos 20 milhões. Vocês acham que conseguiremos manter o mesmo sistema?”.

Macron ressaltou que prefere ser visto como impopular do que ser irresponsável com o país. A reforma da previdência eleva a idade para aposentadoria de 62 para 64 anos, até 2030.

E aumenta em um ano, de 42 para 43 anos, o tempo de contribuição para ter acesso à pensão integral, a partir de 2027. 

Protestos violentos

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O tom dos protestos foi elevado após a reforma da previdência ser aprovada através de um dispositivo presente na Constituição, que permite aprovação de projetos de lei apresentados pelo governo sem a necessidade de passar pela aprovação parlamentar.

A estratégia do governo foi vista como antidemocrática e o número de pessoas nas ruas aumentou. Desde terça-feira (21), os protestos acontecem na Place de la République, parte central da capital francesa.

Projéteis foram lançados por parte dos manifestantes e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. Além dos atos nas ruas, Macron relatou que parlamentares estão sendo ameaçados e que seus escritórios foram pichados e apedrejados. A casa de um senador teve a energia cortada.

O presidente comparou os atos praticados na França com a invasão ao Capitólio, nos EUA, e com a invasão à Praça dos Três Poderes, no Brasil, em janeiro deste ano.

Imagem: EricBery / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Social

Fernanda Cadaval

Autor

Fernanda Cadaval

Me chamo Fernanda Patzdorf Cadaval de Macedo, tenho 34 anos, e tenho formação em Letras- Português e Jornalismo. Ler e escrever estão entre minhas atividades favoritas. E poder ser uma facilitadora na formação de opinião das pessoas através do meu trabalho, é um grande privilégio dado por essa profissão que exerço há mais de 10 anos.

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