Após intensos debates no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a tão aguardada reforma tributária. As novas regras alteram significativamente o sistema de cobrança de impostos no Brasil, especialmente aqueles sobre consumo. Confira os principais pontos dessa mudança, que entra em vigor gradativamente a partir de 2026.
Entenda o que muda após a reforma tributária ser sancionada por Lula
Descubra as mudanças trazidas pela reforma tributária sancionada por Lula. Saiba como a unificação de tributos e novas regras impactarão!
O que é a reforma tributária?

A reforma tributária busca simplificar a arrecadação de impostos no Brasil, eliminando a cobrança em cascata e unificando tributos. A principal mudança é a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que juntos formam o Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Leia mais: Projeto de regulamentação da reforma tributária é sancionado por Lula
Como será a unificação dos tributos?
- IBS: Unifica o ICMS e ISS, sendo de competência estadual.
- CBS: Substitui o PIS, Cofins e IPI, com gestão federal.
Essa fusão busca acabar com a cumulatividade, permitindo que empresas deduzam os impostos pagos nas etapas anteriores da produção.
Principais mudanças e fases de implementação
A reforma começa em caráter experimental em 2026, sendo plenamente aplicada entre 2027 e 2033. Durante esse período, será realizada uma transição gradual para adaptação dos contribuintes.
Fim da cobrança em cascata
Hoje, impostos são cobrados em diversas etapas da produção, gerando custos acumulativos. Com a reforma, a aplicação de créditos tributários possibilita a redução desses custos.
Cesta básica e isenções fiscais
Os alimentos essenciais terão alíquota zero, como arroz, feijão, leite e carne. Produtos como refrigerantes e cigarros, considerados nocivos, terão alíquotas adicionais pelo chamado “imposto seletivo”.
Cashback para famílias de baixa renda
O projeto prevê devolução de 100% dos impostos federais sobre energia elétrica, água e gás para inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). A devolução também será aplicada a serviços de internet e telefonia.
Setores beneficiados e tributos reduzidos
- Medicamentos: Redução de 60% na alíquota padrão para remédios populares. Medicamentos de uso crítico terão alíquota zero.
- Planos de saúde: Empresas poderão obter créditos tributários ao oferecer planos de saúde a funcionários.
Além disso, profissões como advogados, arquitetos, engenheiros e médicos veterinários terão alíquotas reduzidas em 30%.
Criação da figura do nanoempreendedor
Uma das inovações da reforma é a introdução do “nanoempreendedor”, destinado a profissionais com faturamento anual de até R$ 40,5 mil. Essa categoria terá flexibilidade para escolher entre o Simples Nacional ou o novo sistema de IVA.
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Impactos para o consumidor
A unificação de tributos visa simplificar o sistema tributário e reduzir a carga sobre produtos essenciais. Contudo, a alíquota padrão poderá alcançar até 26,5%, sendo compensada por isenções e reduções em outros setores.
Imposto seletivo

Produtos como cigarros, bebidas alcoólicas, veículos e atividades prejudiciais ao meio ambiente serão tributados com uma alíquota superior à padrão. Essa medida é parte de uma estratégia mais ampla do governo, que busca não apenas aumentar a arrecadação fiscal, mas também desestimular o consumo desses itens considerados prejudiciais à saúde pública e ao meio ambiente.
A política de tributação diferenciada reflete uma tendência global de aplicação de impostos seletivos, conhecidos como “impostos do pecado” (sin taxes), destinados a cobrir os custos sociais e econômicos associados ao uso de certos produtos. Por exemplo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e cigarros está diretamente ligado ao aumento das despesas com saúde pública devido ao tratamento de doenças como câncer, cirrose e problemas respiratórios.
Já no caso dos veículos e atividades que prejudicam o meio ambiente, o objetivo é mitigar os impactos negativos da poluição, incentivar a mobilidade sustentável e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Considerações finais
O governo realizará uma revisão em 2031 para avaliar o impacto da reforma. Caso necessário, ajustes serão feitos para manter a carga tributária em equilíbrio.
Com essas mudanças, a reforma tributária pretende modernizar o sistema brasileiro, tornando-o mais justo e eficiente para empresas e consumidores.
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