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Seu VR ou VA mudou? Veja como isso pode impactar suas finanças

Veja como as mudanças no vale-refeição (VR) e alimentação (VA) podem afetar seu orçamento. Entenda tudo e proteja seu bolso agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Prato de comida com arroz, batata frita, salada, farofa e carne vermelha brasil limite

O mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) no Brasil movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano. Além de representar um importante benefício para os trabalhadores, esses instrumentos exercem papel fundamental na economia nacional e na segurança alimentar de milhões de brasileiros.

No entanto, recentes propostas de mudanças nas regras que regem o setor acenderam o alerta entre empresas, trabalhadores e especialistas. O motivo? Tarifas elevadas e prazos longos de repasse que afetam tanto o bolso do consumidor quanto a saúde financeira de pequenos comércios.

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Peso dos vales no orçamento do trabalhador

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Imagem: Viktoriia Hnatiuk / shutterstock.com

Segundo a pesquisa Panorama de Benefícios no Brasil, os VR e VA representam um acréscimo de até 32% na renda dos trabalhadores formais.

Em tempos de inflação elevada e preços dos alimentos em constante alta, esse benefício se tornou ainda mais crucial para o equilíbrio financeiro de milhões de famílias.

Contudo, o sistema enfrenta obstáculos significativos. As taxas cobradas pelas operadoras — conhecidas como MDR (Merchant Discount Rate) — chegam a ultrapassar 7%.

Quando somadas às tarifas administrativas, esse custo pode atingir até 15% do valor das vendas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Por que os comércios estão insatisfeitos

Pequenos e médios estabelecimentos comerciais, como mercados e restaurantes, reclamam que os custos com VR e VA são excessivos.

Na prática, cada R$ 100 recebidos por meio dos vales pode representar apenas R$ 85 reais líquidos, devido aos descontos aplicados pelas empresas operadoras. Essa margem reduzida tem provocado efeitos negativos:

  • Encarecimento dos preços para quem consome com vale;
  • Desestímulo à aceitação dos vales por parte dos comerciantes;
  • Redução do poder de compra dos trabalhadores beneficiados.

Proposta de teto para tarifas: o que está em jogo

Diante desse cenário, o governo federal estuda a implementação de um teto para as tarifas cobradas no uso de VR e VA. A proposta visa limitar as taxas a no máximo 3,5%, o que poderia gerar:

Benefícios esperados da mudança:

  • Redução de custos para o comércio varejista;
  • Melhor aproveitamento dos benefícios pelos trabalhadores;
  • Maior adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT);
  • Estímulo à segurança alimentar da população de baixa renda.

O novo marco regulatório seria uma tentativa de modernizar o PAT, programa criado nos anos 1970 e atualmente regulamentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Propostas da Abras: cortar intermediários e economizar bilhões

Diante da crescente pressão dos empresários e da necessidade de racionalizar os recursos públicos, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) sugeriu que o governo federal assuma diretamente a operação do PAT, eliminando a atuação das operadoras privadas.

A expectativa é que essa mudança poderia economizar até R$ 10 bilhões por ano, valores que hoje são diluídos entre tarifas e comissões. Com isso, o governo teria mais margem de atuação para ampliar o alcance do programa e garantir alimentação de qualidade para os trabalhadores.

Desafios para uma regulação eficaz

Apesar das vantagens apontadas, a proposta de regulamentação enfrenta diversos entraves técnicos e políticos. Isso porque o setor de benefícios é dividido em arranjos abertos e arranjos fechados, cada um com suas especificidades operacionais e financeiras.

Arranjos fechados x arranjos abertos

Arranjos fechados

São aqueles em que os cartões só podem ser utilizados em estabelecimentos previamente cadastrados. As operadoras alegam que essas estruturas permitem:

  • Maior controle sobre os itens comprados (como bloqueio de bebidas alcoólicas e cigarros);
  • Segurança contra fraudes;
  • Gestão mais eficiente dos gastos.

Arranjos abertos

Funcionam de maneira semelhante aos cartões de crédito ou débito, com aceitação em uma ampla rede de estabelecimentos.

Embora ofereçam praticidade e flexibilidade ao usuário, também costumam apresentar taxas menores e menos restrições, o que levanta preocupações sobre o controle de gastos e segurança alimentar.

O que dizem as empresas operadoras

Entidades que representam as empresas operadoras, como a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) e a Câmara Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (CBBT), argumentam que as tarifas são necessárias para manter a sustentabilidade dos sistemas e a qualidade dos serviços prestados.

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Além disso, pedem a redução do prazo de repasse dos valores, que hoje pode chegar a 30 dias, prejudicando sobretudo os pequenos estabelecimentos, que operam com capital de giro limitado.

Posicionamento do setor

Segundo Andre Purri, CEO da fintech Alymente:

“A legislação pode trazer segurança e equilíbrio, melhorando a experiência tanto para quem recebe o benefício quanto para quem o opera.”

Impacto direto nas finanças pessoais

Com a possível redução das taxas e reorganização do sistema, os trabalhadores podem sentir diretamente o aumento do valor real de seus benefícios.

Isso porque uma menor margem de desconto permite ao comércio praticar preços mais competitivos para quem paga com VR ou VA, preservando o poder de compra.

Além disso, mudanças no PAT poderiam permitir a expansão da base de beneficiários, alcançando trabalhadores informais e de baixa renda que hoje não têm acesso a programas alimentares regulares.

Impasses em Brasília adiam decisões

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Imagem: Canva

Apesar das propostas em pauta e da pressão dos setores produtivos, o governo federal ainda não bateu o martelo sobre o novo marco regulatório. Uma reunião decisiva, marcada para o fim de junho, acabou sendo adiada sem nova data definida.

A razão está no cenário fiscal do país, que impõe limites ao aumento de despesas e exige um debate mais aprofundado sobre os custos e os benefícios das medidas propostas.

O que esperar nos próximos meses

Enquanto as decisões não avançam em Brasília, o debate sobre o VR e VA segue aquecido. Especialistas indicam que, independentemente do formato adotado, é fundamental garantir:

  • Transparência nos custos operacionais;
  • Redução das distorções tarifárias;
  • Proteção ao poder de compra do trabalhador;
  • Apoio ao pequeno e médio empreendedor.

O setor aguarda com expectativa os desdobramentos nos próximos meses, com a esperança de um modelo mais justo e funcional dos VR e VA para todos os envolvidos.

Imagem: rocharibeiro / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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