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Mulheres líderes pressionam banco do BRICS por mais crédito feminino

Parlamentares do BRICS propõem redirecionar 5% do orçamento militar para ações climáticas e financiamento a mulheres.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A última sessão da Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS, realizada nesta terça-feira, 3 de junho de 2025, em Brasília, foi marcada por discursos contundentes sobre inclusão econômica, estratégias de financiamento com recorte de gênero e o papel central das mulheres no combate às mudanças climáticas. Representantes de parlamentos e instituições financeiras dos países-membros defenderam ações concretas para ampliar o acesso ao crédito por mulheres, especialmente as mais vulneráveis, e sugeriram uma reorganização orçamentária voltada ao futuro sustentável.

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Imagem: The Yuri Arcurs Collection / Freepik

Inclusão econômica como prioridade estratégica

No centro do debate esteve a necessidade de expandir o acesso ao crédito com condições mais favoráveis para mulheres, considerando os desafios específicos enfrentados por elas no mercado. A executiva do Banco do Brasil, Luciana Silva Barbosa de Carvalho, destacou que as trajetórias femininas ainda são penalizadas por critérios tradicionais de financiamento, como histórico de crédito e formalização do negócio, fatores que muitas vezes não captam a realidade das empreendedoras brasileiras.

Segundo ela, o Banco do Brasil já disponibiliza linhas de crédito exclusivas para mulheres e realiza capacitações com enfoque de gênero. “Cerca de 42% das empresas clientes do BB são lideradas por mulheres, o que mostra uma potência empreendedora que precisa ser incentivada com mais inteligência e menos burocracia”, afirmou.

Capacitação e protagonismo feminino no BNDES

A executiva do BNDES, Shana Nogueira, reforçou esse diagnóstico ao apresentar dados sobre o microcrédito concedido pela instituição: 60% dos beneficiários são mulheres, somando mais de 50 mil empreendimentos financiados em 2024. O banco também se destacou pelo apoio a startups lideradas por mulheres, totalizando mais de 400 empresas impulsionadas por programas de aceleração e investimento.

“O apoio aos empreendimentos femininos é uma pauta central nesta gestão do BNDES. Temos olhado com atenção não só para o acesso ao crédito, mas também para programas de capacitação e inclusão digital com perspectiva de gênero”, afirmou Nogueira.

A Caixa e o protagonismo feminino na habitação

Caixa
Imagem: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com

Na mesma linha, a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, pontuou que a pobreza no Brasil “tem gênero, cor e faixa etária: é mulher, negra e jovem”. Para ela, isso precisa ser considerado na formulação de políticas públicas. Ela citou o programa Minha Casa, Minha Vida como exemplo bem-sucedido de empoderamento feminino, por conceder a titularidade da moradia preferencialmente às mulheres.

Burocracia é barreira para mulheres empreendedoras

Apesar dos avanços, parlamentares brasileiras presentes no encontro fizeram críticas à burocracia que ainda dificulta o acesso de mulheres ao sistema financeiro. A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) alertou que muitas mulheres não sabem como acessar crédito, principalmente em comunidades periféricas ou rurais. “É difícil encontrar quem oriente, e o processo é cheio de exigências que não se encaixam na realidade de quem mais precisa”, disse.

Proposta de redirecionamento do orçamento militar para o clima

Uma das intervenções mais emblemáticas foi da deputada indígena Célia Xakriabá (Psol-MG), que propôs o redirecionamento de 5% do orçamento militar dos países do BRICS para ações climáticas com foco na proteção das mulheres do Sul Global. Segundo ela, isso representaria a mobilização de cerca de US$ 34,7 bilhões por ano.

“Esta proposta é um chamado à vida. Enquanto bilhões são investidos em armamentos, a crise climática já provoca desastres, migrações forçadas e fome. É hora de escolher entre a guerra e a vida”, afirmou a parlamentar, sendo aplaudida de pé pelas delegações presentes.

Encerramento e institucionalização da reunião

A senadora Leila Barros (PDT-DF), anfitriã da sessão de encerramento, destacou o valor histórico da reunião e propôs que ela se torne permanente dentro dos fóruns interparlamentares do BRICS. “Foi um espaço de escuta, de troca e de construção de alianças. Proponho que a Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS seja institucionalizada e se repita em todas as futuras cúpulas”, declarou.

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Segundo a senadora, a presença das delegações de 11 países participantes mostra que há uma demanda crescente por mais representatividade e protagonismo feminino nas decisões políticas e econômicas.

Impactos esperados e próximos passos

As discussões da reunião serão sistematizadas em um relatório final com recomendações para os chefes de Estado dos países do BRICS. A expectativa é que o documento inclua sugestões concretas de ampliação do crédito para mulheres, metas de paridade nos programas governamentais e compromissos financeiros relacionados ao clima.

Especialistas ouvidos pela organização do evento indicaram que as propostas debatidas podem influenciar o desenho de políticas públicas em âmbito global. O protagonismo feminino, nesse cenário, surge não apenas como uma demanda histórica de equidade, mas como uma necessidade estratégica para enfrentar desafios contemporâneos como pobreza, desigualdade e emergência climática.

O papel do BRICS no empoderamento feminino

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Imagem: Lula Marques/Agência Brasil

O bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países emergentes passou a discutir, com mais profundidade, temas sociais e de gênero em suas cúpulas recentes. A Reunião de Mulheres Parlamentares é uma das iniciativas mais relevantes nesse sentido, servindo como modelo de diplomacia multilateral com recorte de gênero.

Ao abrir espaço para o debate de temas estruturantes como financiamento, moradia, clima e educação sob a ótica feminina, o BRICS amplia seu papel como ator político global voltado para um desenvolvimento mais justo e inclusivo.

Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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