Uma das unidades industriais mais tradicionais do setor de materiais para construção no Brasil deixará de funcionar como fábrica após cerca de sete décadas de atividade. A Saint-Gobain, por meio da marca Isover, decidiu encerrar a produção de lã de vidro na unidade localizada em Santo Amaro, na zona Sul da cidade de São Paulo.
Grupo Saint-Gobain fecha fábrica da Isover após sete décadas de operação
Isover encerra produção de lã de vidro em fábrica de Santo Amaro após 70 anos. Unidade será transformada em centro de distribuição.
A decisão representa uma mudança importante na trajetória industrial da companhia no país. O endereço, que durante décadas foi responsável pela fabricação de materiais utilizados em obras, indústrias e sistemas de isolamento térmico e acústico, deixará de operar como unidade produtiva e passará a funcionar como centro de distribuição.
O encerramento da fabricação está previsto dentro de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Pelo compromisso estabelecido, a produção de lã de vidro deverá ser finalizada até 4 de julho de 2026, enquanto o forno de fusão de vidro, considerado uma das principais estruturas da fábrica, deverá ser desligado até 31 de julho do mesmo ano.
A transformação encerra uma fase marcada pela presença industrial da companhia em uma região tradicionalmente ocupada por fábricas e atividades produtivas.
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Fábrica de Santo Amaro deixa de produzir após décadas de atividade
A unidade de Santo Amaro tinha como principal atividade a fabricação de lã de vidro, um material amplamente utilizado na construção civil e em diferentes setores econômicos.
O produto é aplicado principalmente em soluções de isolamento térmico e acústico, sendo encontrado em:
- edifícios residenciais e comerciais;
- galpões industriais;
- sistemas de climatização;
- veículos;
- instalações agrícolas;
- equipamentos industriais.
Durante aproximadamente 70 anos, a fábrica fez parte da cadeia produtiva nacional da Isover, fornecendo materiais para diferentes segmentos do mercado brasileiro.
Com o encerramento da produção, o espaço continuará pertencendo à empresa, mas terá uma nova finalidade operacional. A área será adaptada para atuar como centro de distribuição, responsável pelo armazenamento e movimentação de produtos.
Segundo a companhia, a mudança não representa uma saída do Brasil. A empresa afirmou que continuará atuando no mercado nacional, mantendo suas operações comerciais e logísticas.
Acordo ambiental definiu encerramento da operação industrial
A decisão de interromper a fabricação em Santo Amaro está relacionada a um acordo que envolve compromissos ambientais e medidas de controle da área ocupada pela fábrica.
O documento estabelece uma série de obrigações para o processo de transição. Entre elas estão o encerramento da atividade industrial, o desligamento das estruturas produtivas e ações relacionadas ao gerenciamento ambiental do local.
O forno de fusão de vidro, equipamento essencial para a fabricação da lã de vidro, será desativado dentro do cronograma definido.
Após a paralisação da produção, a empresa deverá seguir com medidas relacionadas a:
- monitoramento ambiental;
- gestão de resíduos;
- controle de possíveis áreas contaminadas;
- destinação adequada de materiais;
- adequações necessárias para a nova utilização do espaço.
Na prática, o fechamento da fábrica envolve mais do que simplesmente interromper as máquinas. A transformação de uma unidade industrial com décadas de funcionamento exige uma série de procedimentos técnicos e ambientais.
Moradores relataram problemas durante funcionamento da fábrica
A unidade de Santo Amaro vinha sendo alvo de reclamações de moradores da região há alguns anos. A comunidade próxima relatava desconfortos associados ao funcionamento da fábrica, principalmente relacionados a emissões, odores e ruídos.
Entre as queixas apresentadas estavam:
- fumaça liberada pela chaminé;
- cheiro forte em determinados períodos;
- ruídos durante a operação, inclusive à noite;
- irritação nos olhos e na pele;
- desconforto respiratório relatado por moradores.
A pressão da comunidade aumentou principalmente a partir de 2023, quando moradores buscaram órgãos ambientais para solicitar avaliações e providências sobre o funcionamento da unidade.
O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público e também envolveu reuniões com representantes da empresa, órgãos públicos e moradores.
Durante os encontros, moradores afirmaram que a fábrica mantinha atividades em horários variados e que os impactos eram percebidos em diferentes momentos do dia.
Isover afirma que cumpria normas ambientais
Em manifestação sobre o caso, a Isover afirmou que sempre operou seguindo a legislação vigente e padrões de segurança ambiental adotados no setor.
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A empresa declarou que mantinha práticas alinhadas a critérios nacionais e internacionais de sustentabilidade e proteção à saúde humana.
Segundo a companhia, foram realizados investimentos em melhorias ambientais ao longo dos anos. Entre as medidas citadas estavam ações para redução de impactos sonoros, tecnologias voltadas ao controle de emissões e iniciativas de diálogo com moradores da região.
Mesmo com essas medidas, a empresa firmou o acordo que prevê o encerramento definitivo da produção industrial no local.
Encerramento deve afetar trabalhadores e cadeia de serviços
O fim da atividade produtiva preocupa trabalhadores diretamente ligados à fábrica e também profissionais que dependiam da movimentação industrial da unidade.
A operação envolvia mais de 100 trabalhadores diretos, além de uma rede formada por fornecedores, empresas terceirizadas, transportadoras e prestadores de serviços.
A empresa informou que utilizará o período de transição para reduzir os impactos sociais provocados pela mudança.
Apesar disso, o encerramento representa uma alteração significativa para pessoas que tinham a fábrica como fonte de renda e para empresas que faziam parte da rotina operacional da unidade.
O fechamento também chama atenção pelo impacto simbólico: uma fábrica que permaneceu ativa por aproximadamente 70 anos deixará de exercer sua função original em uma região marcada pela história industrial da capital paulista.
Transformação da fábrica acompanha mudanças no setor industrial

O encerramento da unidade de Santo Amaro ocorre em um cenário de transformação da indústria brasileira, com empresas revisando modelos de produção, logística e distribuição.
Em muitos casos, companhias optam por concentrar fabricação em unidades mais modernas ou reorganizar suas operações para aumentar eficiência, reduzir custos e adequar estruturas às novas exigências ambientais.
No caso da Isover, a decisão mantém a presença física da empresa no local, mas muda completamente o papel da unidade. O antigo espaço industrial passará a ter uma função logística dentro da estratégia da companhia.
A mudança marca, portanto, o fim de uma etapa histórica da produção de lã de vidro em Santo Amaro, mas não representa o encerramento das atividades da empresa no Brasil.
Imagem: Reprodução
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