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Nayana diz que foto de Efraim com alvos do caso INSS não muda apoio e defende saúde no interior

Nayana Pontes minimizou foto de Efraim com investigados no caso do INSS e defendeu saúde no interior e uso de inteligência artificial.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··11 min de leitura
inss efraim

A candidata a vice-governadora da Paraíba Nayana Pontes (PL) minimizou a repercussão de uma fotografia do senador e candidato ao governo Efraim Filho (PL) em um evento com pessoas apontadas como alvos de investigações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Durante sabatina concedida à CBN Paraíba, nesta quarta-feira (26), Nayana afirmou que a presença do senador na fotografia não seria suficiente para estabelecer qualquer vínculo dele com possíveis irregularidades. Segundo a candidata, encontros entre políticos, empresários e outras figuras públicas são comuns em Brasília.

A declaração colocou em discussão duas questões diferentes. De um lado, a repercussão política da imagem em um ano eleitoral. Do outro, as propostas apresentadas pela candidata para a saúde pública paraibana, incluindo a descentralização dos atendimentos e o uso de inteligência artificial.

É importante esclarecer que aparecer em uma fotografia com alguém investigado não comprova participação em crime. Investigações precisam demonstrar, por meio de documentos, depoimentos, movimentações financeiras ou outras provas, se houve envolvimento de cada pessoa.

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O que Nayana disse sobre a foto de Efraim?

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Imagem: Reprodução

Ao ser questionada durante a sabatina, Nayana declarou que não viu irregularidade na presença de Efraim Filho no evento registrado pela fotografia.

“Agora é fase de investigação. Aquela foto de Efraim não tem nada demais. Brasília, quem convive em Brasília sabe, aquele tipo de evento sempre tem, são pessoas que conversam sempre”, afirmou.

A candidata argumentou que políticos participam de encontros com diferentes representantes da sociedade e que uma fotografia, isoladamente, não permite saber se alguém tinha conhecimento de possíveis atividades criminosas praticadas por outro participante.

A repercussão aumentou porque Erik Marinho, segundo suplente de Efraim no Senado, foi citado entre os investigados no caso. Ainda assim, a existência dessa ligação política não demonstra automaticamente o envolvimento do senador.

Foto não serve como prova de participação em crime

No campo jurídico, uma imagem pode ajudar a demonstrar que pessoas estiveram no mesmo lugar em determinado momento. Sozinha, porém, ela não comprova que tenham discutido, planejado ou praticado alguma irregularidade.

Para estabelecer responsabilidade, os investigadores precisam reunir outros elementos. Entre eles podem estar mensagens, contratos, transferências bancárias, depoimentos, registros de reuniões e provas sobre a atuação de cada pessoa.

Também é necessário preservar a presunção de inocência. Isso significa que investigados não podem ser tratados como culpados antes da conclusão das apurações e de uma eventual condenação definitiva.

No caso de Efraim Filho, a reportagem apresentada não informa que ele seja investigado. A controvérsia está relacionada à fotografia e à presença de pessoas investigadas no mesmo evento.

Por que o caso do INSS provoca tanta repercussão?

As fraudes investigadas no INSS atingiram aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos que teriam sido realizados sem autorização válida. Em muitos casos, beneficiários perceberam cobranças mensais feitas diretamente em seus pagamentos.

A Operação Sem Desconto, iniciada em abril de 2025 pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, passou a apurar a atuação de associações, intermediários e agentes públicos. As suspeitas envolvem autorizações falsas, falhas de controle e possível desvio de recursos.

Os descontos associativos eram cobrados por entidades que afirmavam oferecer serviços aos segurados. Para que a cobrança fosse legítima, o aposentado ou pensionista precisava autorizar a filiação e o desconto.

O problema surgiu quando beneficiários afirmaram nunca ter contratado os serviços ou permitido a retirada do dinheiro. Como os valores eram descontados todos os meses, cobranças pequenas podiam produzir uma perda considerável ao longo do tempo.

A dimensão nacional do caso tornou qualquer possível ligação política especialmente sensível. Milhões de aposentados foram alcançados pelo processo de contestação e ressarcimento, enquanto as investigações continuam buscando identificar responsabilidades.

A declaração pode ter impacto na campanha?

A fotografia não comprova envolvimento de Efraim Filho no esquema, mas pode ser explorada politicamente por adversários. Em uma eleição, imagens de candidatos ao lado de pessoas investigadas costumam gerar questionamentos sobre relações pessoais e políticas.

A resposta de Nayana tenta separar convivência social de participação em irregularidades. Ao mesmo tempo, coloca a campanha diante da necessidade de explicar com clareza o contexto do encontro e a relação dos integrantes da chapa com as pessoas citadas.

O episódio ocorre em uma disputa eleitoral competitiva. Pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto mostrou Efraim Filho com 18% das intenções de voto no cenário estimulado para o governo da Paraíba.

O então governador Lucas Ribeiro aparecia com 38%, enquanto Cícero Lucena tinha 19%. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto, apresentou margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número PB-07850/2026.

Pesquisas representam a preferência dos entrevistados no período da coleta e não funcionam como previsão definitiva do resultado.

Como Nayana foi escolhida para ser vice de Efraim?

Nayana Pontes também falou sobre a formação da chapa. Seu nome foi anunciado na convenção partidária depois que Juliana Cunha Lima, esposa do então prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, recusou o convite.

A candidata reconheceu a força política de Juliana, especialmente pela ligação com a segunda maior cidade da Paraíba. Entretanto, rejeitou a interpretação de que sua escolha representaria uma opção inferior.

“Junto com Efraim posso fazer o que ela faria e vamos fazer muito mais pela Paraíba”, declarou.

Nayana é esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL), um dos principais representantes do bolsonarismo paraibano. Sua entrada na chapa fortaleceu a identificação da candidatura com o campo conservador.

O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral confirma Efraim Filho como candidato a governador e Nayana Pontes como candidata a vice-governadora para o mandato de 2027 a 2030.

O que significa interiorizar a saúde pública?

Ao tratar das propostas de governo, Nayana defendeu a interiorização da saúde. A expressão significa ampliar os serviços especializados fora dos grandes centros urbanos.

Na Paraíba, parte importante dos atendimentos de maior complexidade está concentrada em João Pessoa e Campina Grande. Isso obriga moradores de municípios menores a viajar para realizar consultas, exames ou procedimentos.

A interiorização pode envolver a instalação ou ampliação de:

  • policlínicas regionais;
  • centros de diagnóstico;
  • serviços de imagem;
  • ambulatórios especializados;
  • hospitais regionais;
  • equipes de telemedicina;
  • transporte sanitário entre municípios.

A ideia é permitir que o paciente encontre atendimento mais perto de casa. Além de reduzir deslocamentos, a medida pode aliviar a demanda sobre hospitais das duas maiores cidades paraibanas.

Como a falta de serviços no interior afeta o paciente?

Quando uma especialidade médica está disponível apenas em outra cidade, o morador precisa enfrentar uma sequência de dificuldades. Pode ser necessário conseguir transporte, faltar ao trabalho, encontrar alguém para acompanhar uma criança ou um idoso e passar horas na estrada.

Em alguns casos, a viagem precisa ser repetida para consulta, exames e retorno. O custo não aparece apenas no orçamento público, mas também no tempo e na renda da família.

Nayana afirmou que um eventual governo buscaria reduzir a espera por especialistas e impedir que pacientes aguardem até seis meses por exames como ressonância magnética. Também mencionou a meta de limitar a aproximadamente 30 dias a espera por consultas especializadas.

Esses objetivos precisam ser acompanhados de planejamento, orçamento e indicadores. Não basta abrir unidades de saúde se faltarem profissionais, equipamentos, manutenção e uma rede eficiente de encaminhamento.

Interiorização depende da integração entre Estado e municípios

No Sistema Único de Saúde, União, estados e municípios dividem responsabilidades. A atenção básica, formada por postos e equipes de saúde da família, costuma ficar mais próxima da administração municipal.

Já os atendimentos especializados e hospitalares podem depender de estruturas estaduais, municipais ou conveniadas. Por isso, a interiorização exige integração entre diferentes níveis de governo.

Uma rede regionalizada precisa definir quais serviços serão oferecidos em cada município. Uma cidade-polo pode receber um centro de especialidades capaz de atender moradores de localidades vizinhas, enquanto casos mais complexos continuam encaminhados à capital.

O desafio é evitar que a descentralização apenas transfira filas de uma cidade para outra. Para funcionar, a política precisa organizar vagas, transporte, prontuários, exames e acompanhamento posterior.

Como a inteligência artificial poderia ser usada na saúde?

Nayana também defendeu o uso de inteligência artificial para melhorar a gestão e agilizar atendimentos na rede pública.

A inteligência artificial pode analisar grande quantidade de informações e ajudar profissionais a identificar padrões. No sistema de saúde, uma das aplicações possíveis é organizar filas conforme a urgência clínica, desde que a decisão seja supervisionada por profissionais.

A tecnologia também pode auxiliar em:

  • identificação de faltas e vagas ociosas;
  • distribuição de consultas entre unidades;
  • previsão da demanda por medicamentos;
  • leitura preliminar de exames de imagem;
  • acompanhamento de pacientes com doenças crônicas;
  • detecção de duplicidades no cadastro;
  • organização dos encaminhamentos.

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Imagine, por exemplo, que uma unidade tenha desistências frequentes em consultas. Um sistema pode identificar as vagas liberadas e oferecê-las a outros pacientes da fila, evitando que o horário fique vazio.

Isso não significa substituir médicos ou entregar decisões integralmente a uma máquina. A inteligência artificial deve servir como apoio, especialmente em tarefas administrativas e na análise inicial de dados.

Tecnologia também envolve riscos

O uso da inteligência artificial na saúde exige cuidados porque envolve dados pessoais sensíveis. Informações sobre doenças, tratamentos e exames possuem proteção especial pela Lei Geral de Proteção de Dados.

Um sistema mal configurado pode expor informações ou produzir decisões injustas. Um algoritmo treinado com dados inadequados também pode apresentar resultados menos precisos para determinados grupos da população.

Antes da implantação, o governo precisa estabelecer regras de segurança, auditoria e responsabilidade. O paciente deve saber como seus dados serão utilizados e deve existir uma forma de contestar decisões automatizadas.

O que ainda precisa ser explicado pela chapa?

As propostas apresentadas durante uma entrevista indicam prioridades, mas não substituem um programa detalhado. Para que o eleitor consiga avaliar a viabilidade, alguns pontos precisam ser esclarecidos.

Entre eles estão:

  • quais cidades receberiam novos serviços;
  • quanto custaria a interiorização;
  • de onde viriam os recursos;
  • quais especialidades teriam prioridade;
  • como seriam contratados os profissionais;
  • qual seria o prazo de implantação;
  • como a inteligência artificial seria adquirida;
  • quais indicadores mediriam a redução das filas.

O plano de governo apresentado pela chapa ao TSE menciona áreas como governo digital, inteligência artificial e políticas públicas. Mesmo assim, compromissos anunciados ao longo da campanha precisam ser acompanhados de metas verificáveis.

O que o eleitor deve observar a partir de agora?

O primeiro cuidado é separar três elementos: uma fotografia, uma investigação e uma responsabilidade comprovada. Estar no mesmo evento que uma pessoa investigada não demonstra participação em crime, mas candidatos podem ser cobrados a explicar suas relações e o contexto do encontro.

No campo das propostas, o eleitor deve observar se a promessa de interiorização da saúde será acompanhada de orçamento, cronograma e definição das regiões atendidas. Também é importante verificar se o uso de inteligência artificial terá supervisão humana e proteção de dados.

A sabatina mostrou como a campanha deverá combinar temas nacionais, como o caso do INSS, com problemas locais, como as filas e a concentração dos atendimentos médicos. As próximas entrevistas e debates serão importantes para saber se as propostas sairão do campo geral e ganharão medidas concretas.

Perguntas frequentes

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Efraim Filho é investigado no caso das fraudes do INSS?

A reportagem apresentada não afirma que Efraim Filho seja investigado. A controvérsia envolve uma fotografia dele em um evento com pessoas citadas nas investigações. Uma imagem isolada não comprova participação em irregularidades.

Quem é Nayana Pontes?

Nayana Pontes é candidata a vice-governadora da Paraíba na chapa de Efraim Filho pelo PL. Ela também é esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva.

O que Nayana disse sobre a foto de Efraim?

Ela afirmou que o registro não seria suficiente para relacionar o senador a práticas criminosas e argumentou que encontros entre políticos e diferentes representantes são comuns em Brasília.

O que é interiorização da saúde?

É a ampliação de consultas, exames e tratamentos especializados em cidades do interior, reduzindo a necessidade de deslocamento para os maiores centros urbanos.

Como a inteligência artificial pode ajudar o SUS?

A tecnologia pode auxiliar na organização de filas, previsão de demanda, ocupação de vagas, análise preliminar de exames e gestão de medicamentos. Seu uso precisa de supervisão humana e proteção dos dados dos pacientes.

Uma foto com investigados pode ser considerada prova?

Uma fotografia pode comprovar que pessoas estiveram juntas, mas não demonstra, sozinha, participação em crime. A responsabilização depende de outras provas e da análise das autoridades competentes.

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