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Greve dos Correios pode avançar, funcionários rejeitam acordo e mantêm indicativo de paralisação

Negociação entre Correios e sindicatos enfrenta impasse, com risco de dissídio no TST, greve, reajuste salarial e debate sobre direitos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A negociação pré-processual entre os Correios e representantes dos trabalhadores, mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), entrou em um momento decisivo e delicado. O impasse entre a estatal e as federações sindicais pode levar o caso a um dissídio coletivo, instrumento jurídico utilizado quando não há acordo entre empregado e empregador. A possibilidade acende um alerta para paralisações e para a perda de concessões já negociadas ao longo dos últimos meses.

A proposta apresentada pela empresa foi submetida à avaliação da categoria em assembleias realizadas na última terça-feira (23). Embora parte significativa dos trabalhadores tenha sinalizado aceitação aos pontos apresentados, a divergência entre as federações representativas inviabilizou, até o momento, a formalização de um acordo.

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Mediação no TST e posições das federações

Proposta apresentada pelos Correios

Durante a mediação conduzida no âmbito do TST, os Correios apresentaram uma proposta às duas principais entidades representativas da categoria: a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).

Entre os pontos centrais está a recomposição salarial de 5,13%, com vigência a partir de janeiro e pagamento previsto para abril de 2026, incluindo o retroativo referente aos meses de janeiro, fevereiro e março. A partir de agosto do próximo ano, os salários seriam reajustados com base em 100% do INPC.

Divergência entre Fentect e Findect

Apesar da aceitação de parte da base, a Fentect manifestou resistência aos termos apresentados. Segundo a federação, a empresa mantém uma postura considerada inflexível, transferindo aos trabalhadores o ônus da crise financeira enfrentada pelos Correios.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Fentect afirmou que, após mais de cinco meses de negociações, a proposta representa retirada de direitos e ameaça à dignidade da categoria. Diante disso, a entidade mantém o indicativo de greve.

Já a Findect adotou um discurso mais cauteloso, destacando que nenhuma decisão será tomada sem a manifestação soberana dos trabalhadores. A federação ressaltou que os direitos preservados até agora são resultado da mobilização coletiva e que a unidade sindical segue sendo fundamental.

Risco de dissídio coletivo e consequências

O que é o dissídio coletivo

O dissídio coletivo é um mecanismo jurídico utilizado quando negociações trabalhistas não chegam a um consenso. Nesse cenário, o TST passa a julgar o conflito, podendo estabelecer normas que regem a relação de trabalho entre as partes.

Possível perda de conquistas

Caso a negociação avance para o dissídio, há o risco de que concessões já alinhadas durante a mediação sejam revistas ou até suprimidas. Essa possibilidade aumenta a tensão entre trabalhadores e direção da empresa, especialmente em um período de fragilidade financeira da estatal.

TST em alerta para possível julgamento

Diante da possibilidade de paralisação e do agravamento do conflito, o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, convocou ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos para permanecerem de prontidão. A medida visa garantir a realização de julgamento imediato, se necessário, mesmo durante o recesso de fim de ano.

A Seção de Dissídios Coletivos é responsável por julgar temas trabalhistas complexos, como greves, acordos e convenções coletivas, tendo poder normativo para buscar a pacificação entre capital e trabalho.

Acordo coletivo e cláusulas em debate

Renovação de cláusulas

A proposta apresentada pelos Correios prevê a assinatura imediata do Acordo Coletivo de Trabalho, com a renovação de 79 cláusulas já existentes. No entanto, há a exclusão dos parágrafos que tratam do chamado “ticket” mensal adicional, referente ao vale refeição ou alimentação, ponto que gera resistência entre os trabalhadores.

Impacto direto no dia a dia da categoria

Para os funcionários, a manutenção de benefícios e garantias históricas é vista como essencial diante do aumento do custo de vida e das mudanças estruturais pelas quais a empresa vem passando.

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Situação financeira dos Correios pesa na negociação

Prejuízo bilionário no primeiro semestre

O cenário econômico da estatal é um dos principais fatores que influenciam a negociação. No primeiro semestre, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,3 bilhões, resultado três vezes maior que o déficit observado no mesmo período de 2024, quando o rombo foi de R$ 1,3 bilhão.

Plano de reestruturação em andamento

Diante desse quadro, a empresa apresentou um plano de reestruturação com foco na estabilidade financeira pelos próximos 12 meses. Entre as medidas estão a implementação de um programa de demissão voluntária, a remodelagem dos planos de saúde dos funcionários remanescentes e a venda de imóveis considerados não estratégicos.

Crédito aprovado pelo Tesouro Nacional

O Tesouro Nacional autorizou uma operação de crédito de até R$ 12 bilhões para os Correios, com taxa de juros equivalente a 115% do custo de captação. Apesar do montante total aprovado, a estatal poderá utilizar até R$ 5,8 bilhões em 2025, limite alinhado ao déficit primário projetado para o ano.

A operação foi estruturada com cinco instituições financeiras, sendo três privadas e duas públicas, respeitando o teto de juros estabelecido pelo Tesouro para financiamentos com garantia da União.

Cenário de incerteza para trabalhadores e usuários

O impasse entre Correios e sindicatos cria um ambiente de incerteza tanto para os trabalhadores quanto para os usuários dos serviços postais. A possibilidade de greve, somada à fragilidade financeira da empresa, reforça a importância de uma solução negociada que preserve direitos, garanta a continuidade dos serviços e contribua para a recuperação econômica da estatal.

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Imagem: Marcelo Camargo/ABR

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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