A Nio, uma das maiores operadoras de internet por fibra óptica do país, está prestes a entrar em um novo segmento: a telefonia móvel. A empresa, que surgiu após a aquisição da carteira de clientes de fibra da Oi pela V.tal, avançou nas negociações para oferecer serviços móveis aos seus assinantes e já assinou contratos com a Surf Telecom, uma das principais empresas especializadas em operação de redes móveis virtuais (MVNOs) no Brasil.
Nio fecha parceria e planeja lançar serviço de telefonia móvel
Nio avança para lançar serviço móvel no Brasil em parceria com a Surf Telecom e busca aumentar a fidelização de clientes.
A movimentação reforça uma tendência crescente no setor de telecomunicações brasileiro: provedores de internet fixa expandindo sua atuação para oferecer pacotes completos de conectividade, incluindo telefonia móvel, internet residencial e, em alguns casos, serviços de entretenimento.
Embora ainda não exista uma data oficial para o lançamento, os documentos regulatórios mostram que o projeto já está em estágio avançado e pode representar uma importante mudança na estratégia comercial da companhia.
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O que é a parceria entre Nio e Surf Telecom?
A Nio não pretende construir uma rede móvel própria. Em vez disso, seguirá um modelo já adotado por diversas empresas do setor.
Para isso, firmou parceria com a Surf Telecom, empresa especializada em infraestrutura para operadoras móveis virtuais.
Como funciona uma MVNO?
Uma MVNO (Mobile Virtual Network Operator) é uma operadora que oferece serviços móveis utilizando a infraestrutura de outra empresa.
Na prática, o consumidor recebe um chip, planos de internet, voz e SMS normalmente, mas a rede utilizada pertence a uma operadora tradicional.
Esse modelo reduz custos de investimento e permite que empresas focadas em outros segmentos ingressem rapidamente no mercado móvel.
Hoje, a Surf Telecom já fornece estrutura para marcas conhecidas como:
- Correios Celular;
- Sky;
- Lojas Pernambucanas;
- Carrefour;
- Uber;
- Diversos provedores regionais de internet.
A empresa se consolidou como uma das maiores plataformas MVNO do país, especialmente no segmento voltado ao consumidor final.
Nio quer oferecer mais do que internet fixa
A intenção de lançar serviços móveis não surgiu agora.
Em entrevistas concedidas ao mercado ao longo dos últimos anos, o CEO da Nio, Marcio Fabbris, já havia demonstrado interesse em ampliar o portfólio da companhia.
A estratégia segue um caminho cada vez mais comum entre empresas de telecomunicações: transformar a relação com o cliente em um ecossistema completo de serviços.
O objetivo não é apenas vender chips
Embora a nova operação possa gerar receita adicional, o principal benefício para a Nio está na retenção de clientes.
Quando um consumidor possui internet residencial e telefonia móvel na mesma empresa, a tendência é que ele permaneça por mais tempo na operadora.
Isso ocorre porque a troca de fornecedor se torna mais trabalhosa e, frequentemente, envolve a perda de descontos oferecidos em pacotes combinados.
Por que a Nio precisa fortalecer a fidelização?
A necessidade de criar mecanismos de retenção se tornou ainda mais importante diante dos desafios recentes enfrentados pela empresa.
Segundo dados enviados à Agência Nacional de Telecomunicações, a Nio possui aproximadamente 3,5 milhões de clientes de banda larga fixa, representando cerca de 6,3% do mercado brasileiro.
Mesmo assim, a operadora registrou uma perda significativa de assinantes ao longo dos últimos 12 meses.
Queda na base de clientes preocupa
Estima-se que a companhia tenha perdido cerca de 700 mil clientes nesse período.
Esse cenário reflete a intensa concorrência no setor de banda larga, especialmente diante do crescimento dos provedores regionais, que vêm conquistando espaço com atendimento local, preços competitivos e ofertas combinadas.
A entrada na telefonia móvel pode ajudar a reduzir esse movimento ao aumentar o vínculo dos consumidores com a marca.
Estratégia já é adotada por provedores em todo o Brasil
O modelo de combinar internet residencial e telefonia móvel não é novidade.
Nos últimos anos, centenas de provedores regionais passaram a oferecer chips de celular como complemento aos seus serviços principais.
O crescimento dos combos de conectividade
Em muitas cidades brasileiras, é comum encontrar provedores que oferecem:
- Internet por fibra óptica;
- Telefonia móvel;
- Serviços de streaming;
- Soluções de segurança digital;
- TV por assinatura.
O objetivo é criar um pacote de serviços capaz de aumentar o valor percebido pelo cliente e reduzir o risco de cancelamento.
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+311 mil seguidores
Empresas como a Unifique já investem nesse modelo há alguns anos, utilizando tanto infraestrutura própria quanto acordos de roaming.
Os planos da Nio devem ter preços agressivos?
Quem espera ofertas extremamente baratas pode se decepcionar.
Declarações recentes da direção da empresa indicam que a estratégia não será baseada em guerra de preços.
Em vez disso, a Nio deverá focar na criação de valor agregado para sua base de clientes, oferecendo benefícios combinados entre os serviços fixos e móveis.
O exemplo da Sky mostra o caminho
Um dos casos mais conhecidos do mercado atualmente é o da Sky.
A empresa oferece planos móveis com preços promocionais para clientes que já possuem outros serviços da marca.
Em determinadas campanhas, usuários conseguem contratar pacotes com franquias generosas por valores reduzidos durante o período promocional.
No entanto, normalmente os descontos estão condicionados à permanência no combo ou à realização de portabilidade.
A expectativa é que a Nio siga uma lógica semelhante.
O que falta para o serviço começar a funcionar?

Apesar da assinatura dos contratos entre Nio, V.tal e Surf Telecom, o projeto ainda não está totalmente concluído.
Aprovação regulatória ainda é necessária
Os acordos firmados em junho dependem de homologação da Anatel para entrarem plenamente em vigor.
Após essa etapa, a empresa ainda precisará definir:
- Nome comercial do serviço;
- Estrutura dos planos;
- Cobertura inicial;
- Benefícios para clientes atuais;
- Estratégia de lançamento.
Por isso, ainda não há previsão oficial para o início das operações.
Imagem: Reprodução
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