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Compartilhamento de postes aprovado: nova regra corta burocracia e pode acelerar internet e energia pelo país

Aneel revisa regras de compartilhamento de postes e gera novo impasse com a Anatel sobre exploração e regularização da infraestrutura no país.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
energia

A atualização do regulamento de compartilhamento de postes, aprovada pela Aneel em 2 de dezembro de 2025, reacendeu uma disputa regulatória que já dura anos entre o setor elétrico e o de telecomunicações. A revisão das normas modifica pontos centrais da proposta construída pela Anatel em 2023 e, apesar de avançar na definição de responsabilidades, cria um novo impasse jurídico sobre a exploração econômica do espaço nos postes.

O tema, que envolve desde segurança pública até o impacto direto nas tarifas de energia e nos preços dos serviços de banda larga, volta ao centro do debate regulatório brasileiro.

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O que mudou no texto aprovado pela Aneel

A diretoria da Aneel aprovou de forma unânime o voto apresentado por Agnes da Costa, que reconfigura partes importantes da regra de compartilhamento. A principal modificação envolve justamente o ponto mais sensível para as duas agências: a cessão da exploração comercial dos pontos de fixação.

A Anatel defendia que a cessão fosse obrigatória sempre que uma empresa terceira demonstrasse interesse em operar o espaço — o chamado “posteiro”. A nova visão da Aneel segue em outra direção: retira a obrigatoriedade e devolve às distribuidoras a prerrogativa de decidir se cedem ou não a exploração.

Agnes resumiu a proposta afirmando que a cessão deve ser uma escolha das distribuidoras, podendo tornar-se obrigatória apenas quando houver má qualidade na prestação do serviço ou quando o interesse público justificar a intervenção.

Como funciona a nova prerrogativa das distribuidoras

Distribuidoras continuam no controle inicial

Pelo novo regulamento, a distribuidora pode:

  • Explorar diretamente os pontos de fixação utilizados por empresas de telecomunicações
    ou
  • Transferir essa exploração para um terceiro.

A cessão, no entanto, só será imposta em três situações específicas:

  1. Se a distribuidora optar por desistir da gestão dos postes.
  2. Se for identificado baixo desempenho ou má qualidade no serviço de compartilhamento.
  3. Se houver justificativa de interesse público para obrigar a transferência.

Quem pode ser o posteiro

O regulamento abre brecha para que o posteiro pertença ao mesmo grupo econômico da distribuidora, buscando facilitar arranjos internos. Por outro lado, estabelece uma barreira clara: o posteiro não pode ter vínculo com empresas de telecomunicações, o que visa evitar conflitos de interesse e distorções competitivas no setor de banda larga.

Divergências entre Aneel e Anatel continuam

O novo regulamento aprovado não encerra o conflito entre as duas agências. Como existem diferenças estruturais entre as versões, o texto terá de voltar para a mesa de negociação com a Anatel. Até lá, permanece a dúvida sobre qual modelo será adotado nacionalmente.

O ponto de maior tensão: cessão compulsória ou voluntária?

  • Anatel: defende que a exploração seja obrigatoriamente cedida a um posteiro sempre que houver empresa interessada.
  • Aneel: entende que a obrigatoriedade fere o equilíbrio regulatório e só deve ocorrer em situações justificadas.

A Procuradoria Federal Especializada da Anatel sustenta que a obrigatoriedade é necessária para cumprir as diretrizes da Política Nacional de Compartilhamento de Postes – Poste Legal. Já a Aneel afirma que forçar a cessão universal poderia prejudicar a eficiência técnica das distribuidoras.

A disputa agora está nas mãos da Procuradoria-Geral Federal (PGF), órgão consultivo da AGU, que deverá emitir um parecer final.

Preços e divisão de custos: como ficam os valores por ponto de fixação

Enquanto o novo modelo de cálculo não é fechado, segue válido o valor de referência de R$ 5,84 por ponto, corrigido pelo IPCA. Esse montante permanece como base para a remuneração das distribuidoras.

Duas formas de cobrança

Se a distribuidora gerenciar os postes

O valor será dividido igualmente entre todas as operadoras que utilizam o ponto de fixação. O objetivo é equilibrar custos e evitar distorções entre empresas que compartilham a mesma estrutura.

Se o posteiro assumir a exploração

A cobrança poderá ser feita de forma integral para cada empresa ocupante do ponto. A Aneel argumenta que essa modalidade cria maior “atratividade econômica” para o posteiro, estimulando investimentos e ampliação da capacidade de regularização da infraestrutura.

Pedido das teles foi rejeitado

As empresas de telecomunicações solicitaram a suspensão da modicidade tarifária — mecanismo pelo qual parte da receita obtida com o compartilhamento de postes reduz o valor das contas de luz. A Aneel rejeitou o pedido e manteve a regra.

Para Agnes da Costa, retirar esse mecanismo contraria totalmente os princípios da Política Nacional de Compartilhamento de Postes, estabelecida em conjunto pelos Ministérios responsáveis pelos setores de energia e telecomunicações.

Regularização dos postes: um desafio de 10 a 15 milhões de unidades

O novo regulamento também avança sobre o problema da infraestrutura irregular. A Aneel estima que entre 10 milhões e 15 milhões de postes em todo o país estejam em estado crítico, com excesso de cabos, instalações clandestinas e riscos à segurança pública.

Plano de Regularização dos Postes Prioritários

As distribuidoras terão de elaborar um plano anual de regularização, limitado a até 3% do total de postes do parque elétrico por ano. Esse plano deve priorizar áreas críticas, como centros urbanos congestionados e trechos com maior incidência de acidentes.

Obrigações das empresas de telecomunicações

As operadoras terão 120 dias, a partir da aprovação final do regulamento conjunto, para informar todos os pontos que ocupam. Esse mapeamento permitirá identificar cabos clandestinos ou ociosos.

  • Cabos ociosos: remoção obrigatória pelas operadoras.
  • Redes não identificadas: responsabilidade da distribuidora ou do posteiro.

A intenção é atacar diretamente o problema da “poluição de cabos”, presente em praticamente todas as grandes cidades brasileiras.

Próximos passos: o impasse jurídico e as ações imediatas

Decisão das distribuidoras

Após a publicação do regulamento definitivo, as distribuidoras terão 90 dias para informar se pretendem gerir os postes diretamente ou se desejam transferir a operação para um posteiro.

Essa escolha será estratégica para o setor, influenciando custos, prazos e modelos de operação.

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Parecer da PGF será determinante

Enquanto a PGF não decide sobre a obrigatoriedade da cessão, o regulamento não avança completamente. Um novo impasse jurídico é praticamente inevitável, segundo especialistas.

A tendência é que o parecer defina se a cessão será:

  • Universal e obrigatória, como deseja a Anatel,
    ou
  • Condicionada a justificativa e desempenho, como propõe a Aneel.

Anatel inicia controle mais rígido

Paralelamente ao processo de revisão conjunta, a Anatel começou, em 1º de dezembro de 2025, a exigir que todas as empresas de banda larga informem seus contratos de compartilhamento de infraestrutura. O objetivo é criar um “cadastro positivo” das empresas regulares na ocupação dos postes.

O prazo para envio dos dados vai até março de 2026. A iniciativa busca reduzir irregularidades e aumentar a transparência entre operadoras.

O impacto para consumidores, empresas e cidades

Para os consumidores

A manutenção da modicidade tarifária significa que parte da receita obtida com postes continuará abatendo contas de luz, evitando aumento tarifário adicional.

Para empresas de telecomunicações

A falta de definição sobre a cessão compulsória pode gerar incerteza jurídica e impactar contratos vigentes e futuros. Além disso, a retirada obrigatória de cabos ociosos aumenta custos operacionais.

Para distribuidoras

A nova prerrogativa aumenta o controle sobre a própria infraestrutura, mas também amplia responsabilidades e fiscalização.

Para as cidades

A regularização gradual deve melhorar a estética urbana e reduzir riscos, embora o processo leve anos devido ao volume de postes críticos.

O que esperar dos próximos meses

A discussão sobre o compartilhamento de postes tende a ganhar ainda mais força em 2026, principalmente diante das novas exigências de infraestrutura para 5G, expansão da fibra óptica e revitalização urbana.

A expectativa é de que Aneel e Anatel cheguem a um texto final, mas não há consenso sobre quando isso ocorrerá.

O setor aguarda o posicionamento da PGF para definir o futuro da gestão e exploração econômica dos postes — um ativo essencial para o país e que hoje está no centro de uma das disputas regulatórias mais complexas da década.

Imagem: Fré Sonneveld /Unsplash

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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